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Trip-o-Rama: Skate na Europa

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Todos nós temos a vontade de conhecer locais que marcaram nossa infância de algum modo. A partir deste desejo, em julho de 2011, realizei uma viagem que jamais imaginei realizar: ir para a Europa andar de skate.

Aqui no Brasil, me criei andando de skate em pedaços de asfalto e calçadas esburacadas. Até o surgimento da pista do IAPI em Porto Alegre, as sessões, na maioria das vezes, eram lugares de qualidade duvidosa.

Sempre fui fascinado por vídeos e jogos de skate, onde tinha a oportunidade de ver skateparks monstruosos, calçadas de cimento queimado, e obstáculos de rua que pareciam ser construídos exclusivamente para a prática do esporte. Desta forma, nada mais natural do que crescer sonhando em andar em lugares como estes, e graças a dois amigos que moravam na Europa, consegui me programar para realizar esta viagem.

O Lucas morava em Aix-En-Provence, no sul da França, cidade vizinha à Marseille, e que abriga uma das pistas de transição mais famosas do mundo: o Skatepark Borelly. E o João, dono de um apartamento em Barcelona, na Espanha, local onde há uma grande concentração de praças e obstáculos de rua perfeitos para se andar de skate. E lá fui eu, rumo ao paraíso das quatro rodinhas.

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Skate descansando no bowl em Marseille. Foto: Bruno Christofoli

Reconhecem? É a pista de Marseille, fase do jogo de videogame Tony Hawk’s Pro Skater 2, que garanto que muitos dos leitores já perderam algumas horas jogando.

Dentro do ônibus, assim que avistei a pista, achei difícil de acreditar, desci e fiquei alguns minutos admirando-a em uma espécie de transe. Observei um homem de aproximadamente 40 anos de idade andando, e comecei a descobrir as possíveis linhas da pista. Quando dropei a primeira vez, foi aquele turbilhão de emoções e ideias. As famosas e clássicas trilhas sonoras do videogame, como: Blood Brothers da banda Papa Roach, No Cigar do Millencolin e May 16th do Lagwagon, estavam constantemente tocando dentro na minha cabeça enquanto andava. Uma sessão incrível, mas de poucas manobras, que terminou com uma caminhada na praia a poucos metros da pista, com vista para os Alpes e banhada por um mar extremamente azul, infelizmente flat. Porém, o momento era de voltar para Aix e seguir rumo à Espanha.

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Uma das grandes ciclovias de Barcelona. Foto: Bruno Christofoli

Chegando em Barcelona, no final da tarde, fomos para a praia conhecer alguns bares locais, e só no dia seguinte daríamos início às sessões.

Eu estava em um apartamento próximo ao cruzamento das três grandes avenidas da cidade. Para qualquer lado que eu fosse, iria me deparar em algum ponto interessante da cidade. Orgulho-me de ter usado metrô somente uma vez, pois o resto percorria de skate através de suas ciclovias gigantes, que me proporcionou explorar muito mais picos “skatáveis” do que imaginava. O planejamento era conhecer muitos dos locais clássicos, que já havia conhecido através de vídeos, como: Sants, MACBA, Uni, Barceloneta e Parallel.

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Caixotes perfeitos no Parallel. Foto: Bruno Christofoli

Em uma ida despretensiosa na área do Fórum da cidade, acabei encontrando uma quantidade imensa de outros picos famosos, sendo que boa parte deles eu sequer sabia que ficavam em Barcelona.

Aquela sensação de transe retornou. Ficava mais surpreso a cada embalada, reconhecendo até mesmo as calçadas e o tipo de piso de cada lugar.

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Bancos do Fórum. Foto: Bruno Christofoli

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Clássica transição do Fórum e suas “escamas”. Foto: Bruno Christofoli

Enfim, devido ao cansaço, após quatro dias de muito skate, voltava para casa cada vez mais cedo. Na hora de dormir, o corpo flutuava no colchão, tentando digerir tudo aquilo que eu havia passado durante esses dias.

Amanheceu, hora de retornar ao Brasil. Uma passagem relâmpago em Lisboa, e logo já estava em casa.

Muito além dos picos perfeitos, esta viagem me marcou por todo sentimento de nostalgia e realização que os locais que visitei me proporcionaram. Afinal, acredito que uma viagem gira muito mais em torno de conhecer pessoas, lugares, e tentar absorver o que eles têm para nos passar.

Conhecer a cultura local, acompanhado de grandes amigos, era algo que me deixava constantemente admirado. As pessoas que conheci nas sessões pareciam amigos da minha cidade, pois, a cada manobra acertada, foi provado que um “Uou!” ou aperto de mãos, não possui idioma e nem fronteiras. Esta é a verdadeira troca.

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Bruno em um F/S Rock’n’Roll na Barceloneta. Foto: João Brusch

Texto: Bruno Christofoli

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