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Trip-O-Rama Panamá

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Começou com uma vaga ideia de pegar umas ondas e fazer um turismo por um lugar da América Central, provavelmente Costa Rica. Era uma escolha óbvia, ondas de qualidade e fácil acesso, vários hotéis e pousadas e indicações de amigos que já haviam ido.

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Na hora da decisão começaram as contradições. Um aviso a vocês surfistas com namoradas de personalidade: elas não vão aceitar cegamente suas escolhas infundamentadas. Quando começou a pesquisar em blogs de viajantes e turistas estrangeiros (Eureka! Se tivesse feito isto quando fui morar em Sydney, saberia que a cidade não é quente o ano todo!), a Gabriela ouviu falar de um país apenas conhecido por ter um aeroporto muito movimentado e um canal onde passam uns barcos. Era um tal de Panamá.

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Como resposta aos seus argumentos sobre por que deveríamos ir ao Panamá e não a Costa Rica, eu não tinha nada. Os dois eram expostos ao mesmo tipo de swell de verão do Pacífico Norte, a passagem era mais barata e ela já havia encomendado um GUIA TURÍSTICO (!) sobre o país.

 

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Ok, aqui começam as aventuras panamenhas. Todos os preparativos prontos, saímos do aeroporto de Porto Alegre (RS) em direção à Cidade do Panamá, no que seria um legítimo pinga-pinga internacional no qual tivemos voos cancelados e atrasos de escalas. Isso tudo, tendo visto a estréia de um vôo direto POA-Panamá ser noticiado no jornal do dia posterior a compra da passagem.

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Chegando lá, a viagem das contradições continuou. Mesmo armados de muita informação, não sabíamos muito o que esperar da capital. Foi surpreendente. Uma das primeiras cidades colonizadas por espanhóis, Panamá – como é chamada pelos locais – foi destruída, em 1668, por um pirata maluco que queria o ouro todo pra ele e ateou fogo por que ninguém queria entregar. Mimado filho da puta. Os panamenhos reconstruíram a cidade numa ponta mais segura do território, que hoje se chama Casco Viejo,  e de onde é possível avistar ao longe a parte moderna e seus arranha-céus pulsando pelos investimentos estrangeiros.

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Seguimos conhecendo um pouco da cidade e da história do lugar, indo ao Canal do Panamá, uma das maiores façanhas da humanidade. Os americanos, usando mão de obra panamenha, chinesa e filipina, entre muitas outras nacionalidades, se aproveitaram da desistência dos franceses para tocar adiante uma conexão entre o oceano Atlântico e o Pacífico. Para se ter uma ideia da dimensão da empreitada, mais de 20.000 homens morreram até a conclusão da obra. É claro que estes anos de administração do canal e influência política dos Yankes deixaram sentimentos complicados de se lidar. Por um lado, graças ao canal, o Panamá é o país mais desenvolvido da América Central, mas por outro sempre se sentiram sufocados pela presença americana.

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No entanto, como não viemos fazer um estudo antropológico, olhamos para o nosso umbigo brasileiro – que já tem problemas suficientes – e continuamos nossas férias. Da capital, pegamos um vôo para Bocas del Toro, no lado do Caribe. Como estávamos em modo economia de custos, arranjamos um quartinho barato, que tinha direito a sauna… dentro dele mesmo. Ficamos em Bocas por uns 5 dias e o lugar é o legítimo paraíso caribenho. Não era época de ondas, que do lado do Atlântico chegam durante o verão do hemisfério sul, mas a visibilidade para snorkel e passeios aquáticos estava ótima. Bocas deve ter uns 15 veículos no total, sendo 7 táxis, 2 ou 3 ônibus e outros 4 ou 5 carros caindo aos pedaços. Por ser um conjunto de ilhas o turismo é quase todo baseado em barcos. Tranquilidade após a frenética passagem pela capital, onde conhecemos mais do lugar em 2 dias do que da cidade em que moro há 22 anos (minha primeira observação do quão positivo pode ser um planejamento de viagem).

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Ao sair de Bocas del Toro, meio cabisbaixos por ter conhecido uma das melhores partes primeiro, rumamos à indecente cidade de Boquete. Sim, obviamente esse nome não tem a mesma conotação sexual em espanhol, mas foi pra lá que fomos. Uma cidade bacana, com muito ecoturismo para se fazer, cachoeiras, vulcão, canyons (em miniatura) e comida boa. Muito bonito e legal, mas nem tanto quando tu tá desesperado para pegar ondas. Ficamos 2 dias e fomos em direção ao Pacífico. Santa Catalina. Enfim chegaria meu encontro com as ondas.

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Uma viagem, digamos, não muito memorável, em que escutamos infinitas horas de reggaetons e ritmos caribenhos, com artistas tipo Fábio Jr. papando todo mundo nos clipes, e boias frias de todos os tamanhos e “perfumes” que nos espremiam contra os bancos. Chegando ao vilarejo que antecede a praia, tomamos mais um táxi e desembarcamos em Santa Catalina. Chegamos ao final de um swell que atingira os 8 pés, e ainda aproveitei 2 dias de ondulação consistente. La Punta, o break principal, raramente baixa de ½ metro e é uma imensa bancada onde uma direita marcha por mais de 300 metros e quebra a uma distância de aproximadamente 1 km da costa.

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Nesta parte final da viagem, todo o esforço pareceu ser recompensado. Conseguimos uma “casa na árvore” por um terço do preço normal e tínhamos uma das melhores varandas do mundo. Conhecemos bons amigos, gringos e brasileiros (por sinal os primeiros de toda trip), comemos bem e o sol brilhou todos os dias. Foi como se pudéssemos sentir o karma positivo se transmitindo por meio de pessoas e ações.

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Certamente este é o motivo que mais fascina um viajante, é saber que independente do que atravessará o seu caminho, ele será um reflexo do que você planta constantemente e como trata as pessoas à sua volta. Admito, no entanto, que ter planejamento é essencial para um bom aproveitamento do tempo – obrigado Gabi – pois em outras viagens tenho certeza de que não aproveitei tanto os lugares à minha volta, por ter 100% do meu foco nas ondas. Para finalizar o nosso karma positivo, conhecemos uma família de brasileiros que, cordialmente, insistiu para que voltássemos à cidade do Panamá com eles, no seu carro, com ar-condicionado, ao invés do tormento da viagem de ida.

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Saia da sua zona de conforto. Tem muitas coisas boas esperando. No Panamá, com certeza, mas também em qualquer outro lugar. A beleza está nos olhos de quem vê.

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Por Lucas Zuch.

Para dicas, dúvidas e sugestões sobre esta viagem: lucaszuch@hotmail.com; gbrlsmrr@hotmail.com

Guia Turístico: http://www.moon.com/destinations/panama/discover-panama

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