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Trip-O-Rama Fernando de Noronha (pt. 2)

Lembra do final da 1° Parte do Trip-O-Rama Fernando de Noronha, quando comecei a falar das belas aeromoças? Difícil esquecer né… Quem, meus amigos, nunca sonhou em estar no paraíso e conhecer três gatas que vivem nos ares?

Bem, vamos aos detalhes da 2° Parte do Trip-O-Rama Fernando de Noronha.

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“Santo Ginga Bar”

O bar/restaurante que eu trabalhava se chama Ginga Bar. É um local super agradável de ficar hospedado, com boa comida, cerveja gelada, sanduíches, churrasco, PF e tudo o que um turista precisa para curtir o paraíso. O Ginga Bar fica bem em frente à praça central na Vila dos Remédios. Descendo a rua que leva à Administração e também para a Praia do Cachorro. O quarto onde eu estava hospedado era anexo ao restaurante. Tudo no mesmo lugar, facilitando assim deslocamentos para qualquer imprevisto. Eu não tinha o que reclamar do quarto.

Em Fernando de Noronha não é muito fácil conseguir um quarto legal, até mesmo em pousadas – isso sem ter que pagar uma fortuna para o Luciano Huck ou outros. Então, como falei antes, o meu santo é forte. É, o quarto que eu estava hospedado, podia-se dizer que era “de rei”. Tinha ar condicionado, tv à cabo com 42 polegadas, cama king-size, armário espaçoso, ótimo banheiro e até lugar para colocar as pranchas, bike e outros equipamentos. Não é porque conheço o dono mas, quando for a Fernando de Noronha, se ficar no Ginga Bar garanto que não vai lhe faltar nada.

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Nesse dia, tinha acabado de chegar da praia da Conceição, após um dia de boas ondas, muito sol e água clara. Aquela coisa que o paraíso lhe proporciona todos os dias.

A rotina era chegar da praia, deixar as coisas no quarto e cair no trabalho. Reabastecia o freezer com bebidas, fazia pedido das compras no supermercado, atualizava o caixa, varria o bar e o salão, passava um pano por tudo, organizava as mesas e depois ia para o banho antes de começar a trabalhar mesmo.

Lá estava eu sentado no balcão quando inesperadamente aparecem três mulheres procurando um cara chamado Breno, que também vendia suas fotos no Ginga Bar. Como ele estava viajando, confirmei de fato que não estava e abri as portas para o meu trabalho. A essa altura eu nem imaginava que eram aeromoças. Elas tinham a indicação de uma colega da empresa em que trabalhavam, que já havia visitado a ilha e fotografado com o tal Breno, e queriam passar um dia todo passeando e fotografando, pois só tinham três dias para conhecer todo o arquipélago. Estavam eufóricas e bastante sorridentes, se é que vocês me entendem.

Quem em sã consciência diria não a três mulheres no paraíso? Pois é, creio que ninguém.

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Passei os valores e expliquei como funcionaria no dia seguinte para fotografarmos. Uma delas acabou desistindo para fazer outras atividades. Combinei de nos encontrarmos para no mirante da Praia do Sancho, onde há uma escadaria que leva até a praia pelo meio das pedras. Elas pagaram e foram embora.

Passou uma hora e elas voltaram para jantar. Todas arrumadas, cheirosas, maquiadas… (bem, só para lembrar que essa história se passa em Noronha, a princípio, um lugar despojado, rústico e simples). Como já tinha rolado uma conversa anteriormente por causa das fotos, o papo fluiu solto. De onde eu estava sentado, aguardando enquanto os pedidos ficavam prontos, conseguia visualizar apenas uma dessas três lindas cariocas. Exatamente a que me chamou mais atenção durante a primeira conversa e pelo que tinha conseguido concluir com o olhar “scanner” em busca de aliança, a única solteira da turma.

Não menosprezando as demais mulheres desse nosso Brasil, mas as cariocas tem um algo a mais. Creio que seja o charme, a maneira de se expressar, a malemolência.

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Percebi e troquei alguns olhares, mas tudo de maneira sutil, elas jantaram, se despediram e foram embora. No outro dia nos encontramos, conforme o combinado, passamos o dia juntos fotografando e nos divertindo bastante. Visitamos várias praias, iniciando pela Baía do Sancho que já começa com o visual da praia que já foi classificada uma das mais belas do mundo e está entre as melhores para o mergulho livre. Não deixe de levar seu snorkel e nadadeira.

Logo depois fomos para a Cacimba do Padre e visitamos as famosas pedras conhecidas como Dois Irmãos. Acho que se não fossem aquelas pedras tão parecidas, Fernando de Noronha não seria reconhecida como o paraíso que é. O dia foi agradavelmente passando enquanto continuávamos a programação. Fomos a praia do Leão, em seguida visitamos a praia do Porto, onde um barco naufragou há muitos anos e hoje serve de refúgio para muitos peixes e tartarugas que se alimentam nos arredores. No meio da tarde almoçamos e fomos fazer o passeio de barco que proporciona a ilustre visita de seres inigualáveis. Golfinhos rotadores aparecem sem avisar e saltam por todos os lados. Aqueles que querem um passeio com mais adrenalina podem praticar o plana-sub. É uma espécie da prancha amarrada por uma corda onde você literalmente mergulha e é puxado pelo barco a mais ou menos 10km/h. Com sorte, o turista tem a companhia de um grupo de golfinhos rotadores.

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Penhasco no Forte de Nossa Senhora dos Remédios de Fernando de Noronha, entre a praia do Cachorro e o Porto.

O sol foi caindo e enquanto retornávamos ao Ginga Bar no final da tarde, um dos únicos tópicos não comentados veio à tona.

– O que vocês fazem? – perguntei eu.

– Somos aeromoças…

– Sério? Que irado. – respondi eu, com um ar de admiração…

 A loira (a quem vou chamar de Júlia pelo bem do anonimato) respondeu: “Ah não, mais um com fetiche por aeromoça?!”

Pronto! Era a peça que faltava para eu desarmá-la e apresentar minha história, afinal mal sabia ela que eu já tinha trabalhado em umas das maiores empresas aéreas do Brasil e viajado pelo mundo assim.

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Falei que eu havia acabado de sair dessa profissão e contei um pouco da minha trajetória, para onde viajava, rotas que mais fazia, esse tipo de coisa.

O tom de admiração mudou de pessoa. A Júlia fez pergunta atrás de pergunta, querendo saber como era, para onde eu já tinha viajado etc etc até chegarmos ao bar. Desci do buggy, me despedi e ela de cara perguntou até que horas eu trabalhava. Com ar de quem não quer nada, respondi que fechava à meia noite e que estaria no meu quarto descansando, pois o outro dia prometia muita praia e surf.

O que eu esperava aconteceu. Não chegou a bater meia noite e a Júlia apareceu no bar. Estava  ainda mais arrumada do que na noite anterior, se é que isso era possível. Era difícil não sentir seu perfume. Eu ainda estava trabalhando, então pedi que ela sentasse e aguardasse um pouquinho enquanto eu fechava bar. Já servi uma caipirinha por conta do chefe para não deixar o clima amornar.

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Combinamos de sair e comer alguma coisa, então tomei um banho voando e já saí quase embalado no uniforme padrão de Noronha: bermuda, camiseta e chinelo. Pegamos o caminho do restaurante Arte e Sushi, que fica localizado no bairro Floresta Nova. Papo vai, papo vem, fiquei sabendo de muitas coisas. Além de linda e cheia de atitude, Júlia era aeromoça, cantora e fluente em 4 línguas. Jantamos, seguimos num papo maravilhoso e, bem, a essa altura não tinha mais o que dar errado. Descemos até a praia na maré baixa e como o santo sempre ajuda era lua cheia. A praia estava pra lá de clara, sem ondas, sem vento, água quente para molhar os pés e tudo que um bom filho de deus tem direito. Vou deixar os detalhes para a sua imaginação, mas a noite tinha sido tão bem tramada que se eu tivesse visto a cena em um filme eu acharia que era exagero. Como plano de fundo de tudo aquela lua sensacional à beira da praia da Conceição.

Quando percebemos já eram quase 5h da manhã e resolvemos esperar o sol nascer. Quem estava preocupado com as ondas do dia seguinte?!

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Passamos o domingo juntos na praia do Meio e Conceição fazendo snorkel, com direito a sessão de fotos grátis e afins. Nesses momentos de alegria as horas passam rápido demais. Foi tudo muito bom, tudo muito bem, mas tive de me despedir da encantadora aeromoça. Junto com as amigas, fui ao aeroporto dar um tchau e deixar as portas abertas para o retorno. Passagem ela tinha de graça, acomodação também, até fotógrafo particular teria, só faltaria a vontade. E como não voltar?! É claro que ela voltou…

Quantas saudades do paraíso!

Continua…

Texto e fotos: Rodrigo Pacheco.

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