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Trip-O-Rama Panamá (pt. 2): Cidade do Panamá, Bocas del Toro e Santa Catalina

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Estamos chegando em época de férias. Bem, para alguns afortunados que conseguem algo além de parcos dias longe do escritório, sala de aula e outras clausuras modernas e podem, de fato, chamar este descanso de férias. Seja como for, escrevo para quem pode, quer, gostaria ou apenas quer ler algo sobre viagem. Afinal, há quem diga – no caso, eu mesmo – que viajar é a essência da vida, a descoberta do novo, a cereja do bolo e todos estes outros clichês que saem da minha cabeça enquanto tento fazer sentido à mensagem que quero passar.

Há algum tempo, escrevi sobre uma fascinante viagem que me levou a descobrir um país que até então eu conhecia apenas por abrigar um canal que faz a ligação marítima entre, digamos, todo o mundo moderno. Esse país é o Panamá. Conforme relatei, além de ser a residência deste canal fascinante, o país oferece muito mais do que apenas o Aeroporto que serve de hub para destinos norte americanos e europeus. Em seguida, provavelmente você citaria os freeshops, mas também não é sobre isso que vou falar. Para dizer a verdade, em tempos de dólar acelerado, é melhor você se contentar em ter conseguido uns dias de férias e uma passagem internacional do que com as bugigangas que você eventualmente traria de volta.

Pois bem, após o último texto que havia escrito despertar a curiosidade de várias pessoas, me pediram mais informações sobre o lugar. Ainda não fui esperto o suficiente para conseguir um patrocínio do governo panamenho para falar bem do país, mas vou fazer isso mesmo assim.

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A arte e os nativos do Panamá sempre resultam em boas fotografias.

Ok, você marcou a passagem para o Aeroporto Internacional Tocumen, mas fora isso não sabe muito como proceder. Dependendo da época que você for pode haver eventos na cidade e alguns hotéis ou albergues ficam cheios – principalmente se for temporada de férias – então sugiro que você faça uma reserva de, pelo menos, uma noite na Cidade do Panamá. Em geral, os sites que mostram hotéis, como TripAdvisor e Hoteis.com, são confiáveis. Não deixe de olhar as resenhas e fotos, e se insistentemente comentarem que o hotel fede ou que ratos foram vistos na cozinha, acredite. Tudo depende do quão bem você quer passar e quão fundos são seus bolsos, pois há desde quartos luxuosos em El Cangrejo até o albergue roots em Casco Viejo. Portanto, pesquise, mande e-mails e, se precisar, ligue. Sim, o portunhol é entendido.

Uma vez lá, o tipo de turismo que você quer fazer vai ditar o cronograma. Na capital, as coisas interessantes para se fazer são:

  • Visitar o Canal do Panamá (não saia de lá sem fazer isso, pois irá se arrepender).
  • Andar pelas ruas do Casco Viejo (Interessante… mais pela história de ser construído após um pirata maluco ter queimado a velha cidade do que qualquer outra coisa).
  • Panamá Vieja (as ruínas que sobraram do que esse tal pirata queimou, vale a pena!).
  • Amador Causeway (três ilhas artificiais construídas com entulho da escavação do canal, estavam construindo um museu de história natural – ou algo semelhante – quando eu estive lá, se estiver pronto justifica a visita. Caso contrário vá se sobrar tempo).
  • Centro (oferece bons restaurantes, cassinos e boates. É o bastante).
  • Shoppings (há um grande shopping center na cidade, mas se o seu intuito é mesmo comprar vá para Cólon, uma espécie de zona franca que tem preços mais baixos).
%name %title O sistema de transporte público não é a melhor coisa do mundo, mas se você é daqueles que gosta de se misturar com o povo, a experiência é rica e bem barata (aprox. U$ 0,50, no máximo U$ 1,00). Para cobrir distâncias maiores, o aconselhável é pegar táxi. Atenção, o taxímetro ainda não chegou nesta parte da América, lembre-se de SEMPRE negociar ANTES de entrar no táxi. Mas as corridas são baratas, com U$ 10,00 você percorre uma grande distância, se te cobrarem U$ 15,00 você tem cara de gringo ou está sendo trapaceado.

Ok, em dois dias corridos, no máximo em três, você viu tudo isso e deve rumar para lugares mais aconchegantes, colocar os pés pra cima e tudo mais. Se quer relaxar vá para Bocas del Toro, se quer mergulhar vá para lá e se quer divertir também vá para lá. Você pode alugar um carro e dirigir mais de 20 horas por estradas mais ou menos ou pegar um voo de uma hora – U$ 100,00 – para chegar lá. De ônibus os trajetos são quebrados e você deve trocar várias vezes de linha, mas é tranquilo. Se você gosta de música caribenha e tem menos de 1,80m.

Bocas del Toro e Santa Catalina.

Em Bocas, se quiser ser seletivo, reserve antes de ir. Se não quiser se incomodar, vai haver uns carinhas querendo te oferecer estadia quando descer do avião. Veja se ele está levando outras pessoas também e acompanhe. No nosso caso – eu e minha namorada – conseguimos um quarto-suíte por U$ 15,00. Chuveiro quente, cozinha comunitária, lençol manchado e ar condicionado que não funciona. Um luxo! Mas dando um giro pela cidadela (que em 30 minutos você desbravou inteira) pode encontrar pousadinhas mais aconchegantes, tudo varia de orçamento para orçamento.

Há umas três opções de passeios de lancha – supondo que você ficou em Isla Cólon, a principal ilha do arquipélago – que você marca de um dia para o outro e visita locais de snorkeling, vê golfinhos e estrelas-do-mar, relaxa em praias desertas e outras coisas chatas envolvendo águas quentes e límpidas. A época de ondas no Atlântico é durante o nosso verão, então é provável que aconteçam semanas com o mar baixo. Quando a ocasional ondulação encosta, o potencial é grande. Procure por Carenero (reef) e Wizard (areia) – acesso por barco – ou Playa Bluff (reef) que é acessível de carro.

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Felicidade.

Quando cansar de tanto relaxar escolha o seu próximo destino. Se você veio pelo ar terá que sair por esse meio, senão pelo mar. Nas proximidades há vulcões, cachoeiras, trilhas e outras variações de ecoturismo. A infame cidade de Boquete é especialmente famosa por este tipo de turismo e é facilmente acessada de ônibus (Bocas->Almirante->David->Boquete), valendo uma conferida. Se estiver por lá, conheça o restaurante peruano Macchu Picchu (viva la globalización!), é muito bom e barato.

Depois disso, se a sua praia é pegar onda, ou mesmo curtir a praia em si, a pedida é conhecer Playa Venao ou Santa Catalina, se puder ir às duas tanto melhor. Isso é fácil se você tiver alugado um carro, se for de ônibus – como no nosso caso – é melhor escolher um dos dois destinos pois a viagem tende a ser desgastante. Supondo que você escolheu Catalina (que é um magnífico reefbreak, com potencial internacional, e que raramente baixa de um metro!) se dirija até Santiago, faça uma conexão para Soná e por último encare mais um ônibus (ou táxi, que economiza 2 horas) até Catalina. Se você não é adepto do triathlon irá chegar cansado.

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Várias facetas do Panamá.

A cidade, uma Garopaba (SC) das antigas, oferece uns poucos restaurantes e pousadas. Priorize a beira da praia, como o hostel Surfer’s Paradise, que é de propriedade de um brasileiro, inclusive. Dependendo do tamanho, a onda – que fica na frente desse hostel – pode ser amigável, mas acima de 5 pés a coisa vai ficando séria, com um tubo enroscando por uns 300 metros. É coisa linda de se ver. Quando estiver por lá não deixe de visitar a pizzaria, não lembro o nome, mas é a única da cidade e os donos são italianos legítimos, não será difícil de encontrar. Se você for um mergulhador mais atirado e não tiver se sentido satisfeito com o snorkel em Bocas, visite a Isla Coiba. É um dos santuários marinhos com maior biodiversidade – o apelido Galápagos panamenha dá a dimensão do local – mas requer um ou dois dias para a visita. Fique atento aos barqueiros que querem vender esse passeio, pois a viagem é longa e o tempo muda rapidamente, então a lua-de-mel na ilha bonitinha pode se transformar em ‘A Hora do Pesadelo’ num piscar de olhos.

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Rostos do Panamá.

Bem, se você não é um ganhador de loteria ou patrocinado para viajar, sua expedição deve estar acabando, então retome a saga do ônibus ou pegue a estrada com seu carro alugado e volte para a Cidade do Panamá para partir. Essa viagem pode ser feita com um orçamento mínimo de U$ 1.500 ou 1.700, se você for bem econômico. Então, se cortar uma noitada ou umas duas bebedeiras por mês da próxima vez que suas férias chegarem você pode curtir esse paraíso ainda pouco visitado (pelo menos pelos seus amigos próximos, a quem você pode contar histórias fictícias com mais facilidade).

Texto por Lucas Zuch.

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