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Tora e a Verdadeira Surf Art

Recentemente, o amigo surf-repórter Máurio Borges me intimou a fazer uma parceria para divulgarmos o trabalho de artistas expoentes da surf art brasileira. Percebi então, que ainda não havia publicado no Surf & Cult um perfil sobre algum cartunista de surf e fiquei contente em receber dele um material sobre Alexandre Flores Torrano, o Tora.

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Já conhecia um pouco do trabalho de Tora pelo blog de quadrinhos Wavetoon, que virou livro em 2007 – no meu conhecimento, o único livro de história em quadrinhos com a temática do surf editado no Brasil em muito tempo.

Produzido em parceria com George Martins e Carlos Steffen, o Wavetoon é, nas palavras dos seus autores: “o lugar sonhado por todos os surfistas. Um lugar onde rolam altas ondas, uma grande camaradagem e aventuras incríveis, protagonizadas por personagens clássicos do mundo do surf”.

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Observando o portfólio de Tora em seu blog Toratoon, vemos que, apesar de passear por muitos estilos, o seu traço e inspiração correm sempre para os quadinhos de humor juvenil, onde tudo acaba remetendo aos desenhos que todo surfista que se preza fazia nos cadernos da escola.

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Neles estão impressos os rabiscos incontroláveis que surgiam para dar vazão aos devaneios diários dos jovens surfistas, estimulados pelo pensamento essencial de surfar as ondas perfeitas imaginadas pela mente, ou de acampar em picos paradisíacos numa surf trip dos sonhos – possivelmente a mais pura tradução visual da magia exercida pelo surf.
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Talvez por este aspecto pueril, o espaço dos quadrinhos de surf tenha sido sempre relegado a margem da própria pintura e da arte gráfica dita “adulta” relcionada ao esporte – até mesmo do, um dia tão marginalizado, grafite de rua.

Mas a internet ajudou a quebrar a barreira de divulgação e Tora manteve os seus quadrinhos de surf vivos no mundo virtual, ilustrando algumas histórias como “A Cápsula do Tempo” de Mario “Maine” Moraes, além de “A Última Onda” e “Candice” em parceria com o arquiteto George Martins.

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Certamente existem muitos cartunistas talentosos por aí prestando serviços para grandes agências e alguns deles, apaixonados pelo surf, tem guardado este hobby secreto de fazer desenhos do universo das ondas. A título de comparação, isto é de certa forma uma maneira de evitar a mesma torcida de nariz que alguém dá para um cara que se atribui a profissão de “soul surfer”!

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Na ativa desde os anos 70, além de conhecer Tora através de seus desenhos, podemos saber também um pouco mais sobre a história deste artista gráfico gaúcho, a partir de suas próprias palavras:

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O início no surf:

Comecei a surfar em 1975 no Uruguai, pois minha família veraneava por lá. Em 1976, comprei minha primeira prancha de kneeboard (surf de joelho) e continuo até hoje nesta modalidade do surf.

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Os primeiros desenhos:

Desde pequeno sempre desenhei. Na minha família tenho várias pessoas ligados a arte. Acho que foi meu primeiro curso, o de desenho animado, em 1974, numa escola fundada por um argentino que veio criar mão de obra especializada no Brasil, coisa que não existia por aqui.

 

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Criava muitos cartoons com o tema surf, pois era o meu dia a dia naqueles tempos. Algumas camisetas desenhadas à mão, intervenções nos calções, para dar uma cara mais surf, já que a indústria era totalmente principiante por aqui, e o que vinha de fora (raridade) era cotado em “ouro”.

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Pagando as contas:

Meus primeiros trabalhos vieram da arquitetura. Era desenhista “copista” de arquitetura. Fazia toda a arte das plantas necessárias para um projeto arquitetônico. Tudo a nankim, em papel vegetal, uma a uma. Daqui, saía o bem bom das minhas finanças. As primeiras viagens para Santa Catarina, de ônibus. Imbituba, Laguna, Garopaba, Guarda do Embaú.

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Como artista gráfico, comecei minhas atividades em 1980 como auxiliar de serigrafia num estúdio de criação em Porto Alegre. Nesta empresa, o criador (designer) foi embora (para Florianópolis) e eu preenchi a vaga, já que este era meu objetivo, o departamento de arte. Desde esta época fiz muitos trabalhos para o segmento surf, que estava em franca expansão.

Os donos desta gráfica eram os mesmos da South Shore, a primeira loja de surf que teve aqui na cidade. O Vôo Livre e o Wind Surf também estavam em voga neste momento, então fiz vários trabalhos nestes segmentos.

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Vôos solo e revistas:

Acabei abrindo um escritório solo por volta de 84 com amigos em comum, numa casinha bem estilo praia das antigas, no Menino Deus, meu bairro naquela época, a “casinha”, como ficou conhecida. Tínhamos uma confecção “Bali”, eu e um artista plástico, mestre em madeiras, Mauro Fuke.

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Alguns anos depois, comecei a trabalhar na revista Costa Sul como diretor de arte. Acho que foram dois anos por lá. Além da revista, fiz muitos e muitos trabalhos para as marcas gaúchas do segmento surf neste período. Com o fechamento da revista por volta de 88 trabalhei em escritórios de design até 1995 e com o advento da computação, me instalei em casa num home office e desde então aqui estou.

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Wavetoon:

Em 2004, eu e dois sócios criamoso Wavetoon, um lugar fictício, perfeito para se viver o surf. No formato de quadrinhos, contava sobre o universo surf e sua cultura. Tivemos um blog e um livro lançado em 2007.

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Hoje:

Hoje, além de atender a clientes na área da programação visual, continuo fazendo ilustrações ligadas ao universo surf, uma das minhas paixões.

Fiz uma exposição com este tema, no final de 2011. Em breve estes trabalhos estarão sendo comercializados no site www.suguima.com.br, na seção Old Surfer, que terá em breve site próprio. Espaço onde comercializarei meus trabalhos de ilustração.

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Crédito de imagens: Toratoons / foto de surf: Barrinha 1982 – arquivo pessoal
Confira o trabalho de Tora nos blogs Wavetoon e Toratoon.

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Introdução e entrevista por Luciano Burin.
Postado originalmente em Surf & Cult.

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