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Tipo Making Off

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

“Quando vocês vão ter um programa no Canal Off?” Para quem olha de fora, esse seria o nosso auge. Mas, para nós?

Em um pequeno resgate histórico, desde dezembro de 2011, quando entrou no ar, o Off foi uma revolução para quem consome o conteúdo relacionado aos esportes de ação. Estávamos órfãos, desatendidos. A velha Zona de Impacto do SporTV havia sido corrompida com o término dos clássicos Surf Adventures, SurfTV, Extra, Cala Boca Bocão e por aí vai. Os raros inserts de conteúdo “radical” na tv aberta se limitavam aos melhores momentos de algum campeonato de skate vertical no Rio de Janeiro.

Salvavam a pátria, os DVDs encartados em revistas especializadas ou os XGames de verão e inverno que passavam no canal ESPN. De mais ou menos 2004 até 2010, para quem morava em Porto Alegre (ou até em Uruguaiana), foram anos nefastos no consumo de conteúdos relacionados ao surf. Aí, para os mais abastados, veio a internet com alta velocidade e a maravilhosa cauda longa da produção independente, dando acesso “grátis” a qualquer que seja o vídeo, filme, foto ou publicação do mundo.

Mas, o brasileiro é cria da TV. Gostamos de sentar na frente do “aquário” e esperar os “peixinhos” se mexerem, sem cliques e sem precisar fazer escolhas, absortos em uma ficção que nos distancie da nossa realidade por vezes não tão agradável. Surgia, com sucesso arrebatador, o Canal Off. Você ligava a TV no ON, e sua vida chata ficava em OFF.

Agora você estava em um lugar mágico, mares azuis, pessoas lindas, jovens, surf, skate, pessoas lindas de novo, sol, natureza. Tudo em Full HD, com trilhas sonoras comoventes.

Voltamos a pergunta: Quando vocês vão ter um programa no Canal Off?

Vai ser difícil. Retratamos a nossa cultura surf e dos esportes de ação de maneira crua. Quem vem do Sul é treinado a passar pelo frio para gostar do quente, cevar o amargo para valorizar o doce. Além disso, temos uma birra histórica, herdada de outras gerações, com ter que se adaptar aos moldes importados de cima. Até guerra esse não-conformismo já gerou. Cantamos a nossa aldeia tentando (en)cantar o mundo, pois é uma forma de darmos sentido a beleza, digamos, menos universal da nossa terra.

No fundo, é claro que gostaríamos de ter um espaço na plataforma de esportes com maior alcance do Brasil. Mas, como mostra essa paródia ficcionista (é bom que isso fique claro), ainda temos que ultrapassar algumas barreiras físicas e linguísticas para nos encaixarmos nos moldes do canal. Por enquanto, essa é a nossa maneira de fazer parte nessa revolução da comunicação de esportes radicais.

 

“Casting”:

Andréia Sabino como Bruninha

Bolívar Gelpi como Che Bol

Eduardo Linhares como Diretor 1

Guilherme Becker como Guilherme

Lucas Zuch como Diretor 2

Paulo Linhares como Paulo

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