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Surftrip Vs. Viagem cultural – Cidade do México

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Como praticamos um esporte em que a natureza é quem manda, ficar longe da costa por um único dia pode ser a diferença entre pegar as condições certas para ondas boas, ou não.

Diante dessa incerteza que pode definir o sucesso da viagem, ao planejar uma surftrip com antecedência, rezamos a Iemanjá, Poiseidon e Netuno para que o swell entre nos dias em que agendamos nossa estadia. Para não perder tempo longe do mar, geralmente só conhecemos os aeroportos das capitais, e passamos longe de qualquer movimento cultural que não esteja na praia. É bem comum conhecermos pessoas que foram ao Peru surfar em Pacasmayo, La Isla, Chicama e não fizeram nenhum tipo de esforço para ir a Machupicchu. Ou, gente que foi para o México surfar Puerto Escondido e dedicaram pouquíssimo tempo para conhecer a riquíssima cultura mexicana.

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Mexicano no centro da Cidade do México.

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Mexicanos visitando a Igreja da Virgem de Guadalupe.

Entendemos a ansiosidade pelo contato com a água salgada. O Objetivo deste post não é fazer nenhum julgamento de valor, mas, como acabei de me aventurar por dois dias em uma selva de pedras chamada Cidade do México, faço o favor de contar – de maneira bem resumida – um pouco da experiência para os que não tiveram esse tempo.

(Verdade seja dita. Como estava viajando com a família não tive nenhum poder de escolha do itinerário da viagem, em que o destino final foi Baja California Sur)

México DF, como é chamada a cidade pelos locais parece um pouco ameaçadora pelo seu tamanho, trânsito, fama de violenta, entre outros atrativos comuns em cidades gigantescas. Mas, no final das contas, ela se revelou inofensiva e até atraente. A começar pela história. Muitas mudanças de poder envolveram o país até os dias de hoje. Os primeiros a povoar a região foram os Teotihuacanos, povos indígenas bem evoluídos, que deixaram de lembrança lindas ruínas das suas duas principais cidades (Tenochtitlan e Tlatelolco).

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Pirâmide da Lua. Foto: Ricardo Linhares

Existe poucas informações sobre as peculiaridades do povo que habitava este local. Se sabe que eles entraram em decadência e deixaram a cidade. Até que um dia, lá pelo ano de 1200, os Astecas chegaram ao local.

Reza a lenda que os Astecas partiram para esta viagem depois de  ouvir um chamado divino que lhes disse:

“Procurem um local que tenha uma águia, comendo uma cobra, em cima de um cactos. Este será o local que vocês irão prosperar.”

E os Aztecas acabaram vendo esta cena justo na cidade de Tenotchiclan, onde os Teotihuacanos tinham a sua maior cidade. A águia, a cobra e o cactos,  ainda hoje estão representados na bandeira mexicana.

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Bandeira do México – A águia, a cobra e o cactus.

Os Aztecas prosperaram e fizeram crescer esta cidade que estava dentro de um lago. (Sim, a cidade do México foi construída em cima de um lago).

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Tenochtitlan, a antiga Cidade do México. Fonte: Blog quartodejade.wordpress.com

Até que um dia, em 1519, os espanhóis comandandos por Hernan Cortez chegaram ao México e dominaram tudo. Construíram igrejas gigantescas em cimas dos antigos templos e catequizaram a todos os que sobreviveram. O local da cidade do México cresceu mais ainda, drenaram toda a água existente no lago e também desenvolveram resto do país.

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Igreja sobre o tempo de Tlatelolco. Foto: Ricardo Linhares.

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Espanhóis conquistando os Aztecas. Fonte: Google Images.

Até que um dia, em 1810, os Mexicas (povo que era uma mistura de espanhóis, teotihuacanos, astecas, maias) governados por Benito Juárez se revoltaram contra a colonização espanhola e declararam a sua independência. Nesta época, o México havia se tornado um país grandioso, que contava com os territórios de alguns países ao sul na América Central e também de parte do território americano, onde hoje ficam os estados do Texas, Novo México e Califórnia.

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Retábulo da Independência – Juan O’Gorman. Fonte: Google Images

Até que um dia, (em 1846) os “estadosunidenses” que haviam ajudado militarmente na independência do México, brigaram para ter como pagamento os estados que hoje fazem parte dos Unided States of America. E conseguiram.

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Mapa do México antes do tratado Guadalupe Hidalgo. Fonte: Taringa.net

Ah… Entre todas idas e vindas, houve outros confrontos dos mexicanos, como em guerras civis e contra os franceses. Nas guerras entre as frentes políticas do país em 1910, pessoas como Pancho Villas e Emiliano Zappata se tornaram ícones da cultura mexicana. Nosso guia nos resumiu a história do México em uma frase: “No México, tudo é resolvido na bala” Ariiiiibaaaa

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Pancho Villas. Fonte: Google Images.

Todo esse aprendizado foi passado de maneira muito simples e didática. No Palácio Nacional do México, uma pintura enorme de uma parede inteira, conta tudo isso através de desenhos pintados por Diego Rivera. Somando isso a explicação de um guia, fica fácil.

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Mural de Diego Rivera, Palácio Nacional do México. Foto: Ricardo Linhares.

Nas décadas de 60 e 70, o país teve um momento histórico na economia chamado o Milagre Mexicano. Tudo causa do petróleo que ainda é a principal fonte econômica do país. Neste período alguns países árabes deixaram de fornecer o “ouro negro” para seus principais mercados, fazendo com que a demanda do petróleo mexicano subisse junto com o preço do barril. Foram anos em que o muitas coisas foram construídas, inclusive a estrutura que abrigou as Copas do Mundo de 1970 e 86 e as Olimpíadas de 1968. Desde então a economia diminiu a taxa de crescimento.

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Olimpíadas do México em 1968. Fonte: Google Images.

À parte disto, o povo local é amigável e mantém a característica latina do gosto pela conversa. A cidade tem vários atrativos culturais, entre eles, está o museu da antropologia, que mostra toda esta história por meio das esculturas, pedras, artefatos históricos e está localizado no meio de uma gigantesca área verde na cidade chamada Parque Chapultepec.

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Uma das obras expostas no Museu Nacional da Antropologia. Foto: Ricardo Linhares

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Piedra del Sol, Museu Nacional da Antropologia. Foto: Ricardo Linhares.

Como a maioria das capitais a cidade é viva, tem vida noturna agitada e parece ser segura (apenas cuidado com os táxis). A avenida Paseo de la Reforma é uma boa opção de localização na cidade, tem um movimento legal pela volta, bicicletas para alugar, monumentos históricos… É onde as torcidas vão comemorar seus títulos futebolísticos.

Monumento em rótula da Av. Paseo de La Reforma, Cidade do México. Foto: Ricardo Linhares.

A grande decepção foi não ter encontrado nada relacionado ao Chaves e Chapolim. Nem museu, nem lojinha, nem nada. Tenho certeza que se tivesse um local com a famosa vila aberta para visitações, seria um sucesso. Entretanto, ligando a televisão, lá está “El Chavo del 8”, no memoriável episódio em que a turma vai a Acapulco. O que me lembrou que logo eu também estaria na praia.

Adeus selva de pedras. Foram dois dias de cultura que, analisando em longo prazo podem ter significado mais para minha vida do que dois dias de surf.

 Como é difícil analisar as coisas em longo prazo….

Texto por Eduardo Linhares

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