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Surfista Suíço? No Marrocos? É verdade.

Bem, acredito que você nunca tenha conhecido um surfista suíço, conheceu? Pode ser que sim, mas realmente é um caso muito raro. A terra do queijo, do relógio, dos bancos e do Roger Federer defitivamente não têm ondas. Afinal, na Suiça não tem mar.

Entretanto, é nesses momentos que enxergamos a magia que o surf proporciona nas pessoas que tem a oportunidade de visualizar algum maluco descendo uma parede liquída de água salgada. Fico imaginando, como baiano que sou e morador de uma cidade litorânea, qual deve ser a sensação de uma pessoa ao enxergar o oceano pela primeira vez? Talvez, o espectador inexperiente, tenha as sensações mais diversas como medo, encanto, receio, alegria e nostalgia. Porém, sem dúvida, entre todas as sensações possíveis, o encanto deve prevalecer. Como não se encantar com tamanha maravilha e força?

Divagando pelo mundos das sensações, paro e penso: O que acontece a um ser humano quando ele enxerga a luz do surf através da sua retina? E se essa luz milenar vier acompanhada da primeira experiência com o oceano? Será que o cara fica louco? Eu acho que ficaria.

Adrian Güthert, suíço, 24 anos e surfista. Pois é! Suíço e surfista! Não, não venha me dizer que é normal. Você pode achar muitas coisas normais, mas um cara da terra do tênis, do queijo, onde não há praia ser um surfista é realmente pitoresco! Realmente é incomensurável essa descoberta. Eu diria que é mágico, assim como o surf. Adrian encontrou o surf em uma das suas viagens. Descobriu todo esse universo, se apaixonou e hoje vive o The Salty Dreams.

O surfista suíço percorreu lugares famosos por suas ondas extensas. Viajou pelo Peru e conheceu o caballitos de totora. Curiosamente, entre os seus sonhos salgados, ele resolver conhecer o Marrocos e suas ondas misteriosas.

Entrevista com Adrian, autor do Blog The Salty Dreams, fotógrafo, surfista e suíço. Güthert nos conta como foram as suas experiências com a cultura do surf no pais africano chamado Marrocos.

Salty Dreams – Morocco from the salty dreams on Vimeo.

Adrian, conte-nos um pouco sobre a sua história de vida?

Sou suíço e tenho 24 anos. Como todos sabemos, na Suíça não há muitas ondas para surfar. Desta forma, tenho que procurar lugares para que eu possa deslizar umas ondas. O fato de não haver ondas em meu país é bem legal, pois cria a possibilidade de eu poder viajar, e na verdade eu preciso viajar! Comecei a surfar quando tinha cerca de 16 anos. Eu estava de férias e fiz umas aulas de surf na França e fiquei amarradão. Então, trabalhei por lá como professor de surf por dois verões seguidos. Agora a minha vida é estudar e vou surfar sempre que tenho algum tempo.

 

Como surgiu a ideia do The Salty Dreams?

Na verdade, um amigo que conheci em uma viagem ao Peru, disse: “Por que você cria um blog?” Eu tinha filmado vários momentos, feito algumas edições de vídeo e estava pensando em lançar na rede. Acabei gostando muito da idéia de ter um blog contando as minhas experiências de viagem e coloquei em prática. A minha intenção é compartilhar as minhas experiências com as pessoas que gostam do surf. Um amigo me ajudou a desenvolver o blog e tive um monte de mensagens positivas que me manteve com vontade de continuar com a ideia.

 

O The Salty Dreams é um blog onde você relata as suas viagens pessoais.  O que você poderia dizer sobre a possibilidade de conhecer novas culturas? O que isso pode trazer para cada ser humano?

Eu penso que as viagens deixam as pessoas mais ricas. Alguém disse uma vez: “Viajar é a única coisa que você compra que o torna rico”. Eu gosto dessa idéia. Acho que todo mundo pode aprender alguma coisa quando viaja. Principalmente pessoas de cidades industriais, como é o meu caso. Aqui na Suiça nós temos tudo que precisamos em casa. Quando viajamos, vemos muito mais: a natureza, a cultura e também pessoas que lidam com grandes dificuldades na sua vida. Percebemos como somos privilegiados e como devemos ser felizes por isso. Quando conheço pessoas de outros países, a exemplo do Marrocos, eu penso: “eles são mais felizes do que eu, mas eles possuem tudo em nada”. Eles são apenas felizes. E nós não somos felizes, mesmo possuindo tudo! Quando você está viajando, você enxerga coisas novas e conhece pessoas legais. Isso é fantástico.

Adrian, o Marrocos é um país rico em história, mas o surf é algo relativamente novo nessa parte da África. Como surgiu a ideia de desvendar as ondas desse país africano?

Isso é verdade! Eu tenho que dizer que o Marrocos é mais ou menos famoso em termos de onda aqui na Europa. Esse continente é muito frio no inverno e temos que procurar lugares mais quentes, como as Ilhas Canárias e o próprio Marrocos, para surfar em temperaturas mais agradáveis. Viajar para o Marrocos é bem seguro. Um lugar bonito, com boas ondas, uma cultura bacana e sempre há boas aventuras por lá. O país oferece uma série de atividades culturais e um conhecimento histórico amplo. Registrar esse país é realmente incrível e sua imensa diversidade me encanta.

O que você falaria sobre a cultura do Marrocos?

O Marrocos é um país que passou por vários processos históricos e isso deixou uma grande diversidade histórico cultural por lá. As pessoas são incríveis. Os marroquinos que vivem no litoral possuem uma leveza especial e é muito bom dialogar com eles. Outros são mais reservados e conservadores. Isso é bastante natural em uma região culturalmente tão forte. A zona rural desse país é simples. Sempre vemos pessoas na porta das suas casas, observando o mundo e sem preocupação com o relógio. Um país de religiosidade forte, mas que não apresenta radicalismo.

Quais as cidades, lugares, picos que você conheceu por lá?

Realizei muitas viagens para Marrakech que é uma cidade grande e diversificada. Para pegar boas ondas Taghazout é o melhor local. Embora a costa da Essaouira seja também muito boa. Essaouira é uma cidade pequena, mas muito tradicional. Sempre vale uma viagem!

 

Adrian, como é a aceitação da população local com o surf?

Alguns surfistas locais surfam em um nível excelente e possuem bons patrocinadores. Porém, eu diria que geralmente não encontramos muitos surfistas locais. Eu acredito que a aceitação da população com o surf é algo bem considerável. Taghazout, por exemplo, vive do turismo de surf. Existem muitos marroquinos que trabalham para surfcamps, restaurantes, hotéis. Realmente o surf faz circular o dinheiro naquela região. Infelizmente, há alguns choque culturais. Normalmente os surfistas estrangeiros consomem bebibas alcoólicas e acho que isso não é bem visto pelos moradores locais, pois em geral os marroquinos não consomem álcool e são contra. Isso talvez seja um problema. Atravessar a cultura local não é algo que podemos chamar de respeitoso. Fora isso, os “surfista ocidentais” e o surf são bem aceitos.

Para finalizar. O que você diria para aquelas pessoas que querem conhecer diferentes culturas pelo mundo?

Ir longe. Ficar muito tempo. Ver profundamente.

Esteja aberto as coisas novas. Nenhum lugar é igual ao outro e todos possuem a sua maneira. Experimente, respeite as tradições, a religião e tudo que envolve a cultura do local em que você está passando. O respeito é necessário, pois você é um convidado e não um morador local.

Para conher o blog do Adrian acesse – The Salty Dreams.

Entrevista por Myron Paterson.

 

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