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Surfari apresenta: Roberta Borges em “Mar Doce Lar”

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Aqui mesmo neste site, já postamos um book review do livro Andar do Bêbado. O livro fala sobre o como o acaso pode ser determinante para o sucesso ou fracasso de nossas iniciativas. O acaso pode se traduzir em incidentes não planejados que frequentemente apelidamos de sorte ou azar.

Muito antes do Surfari ser concebido, por um acaso, uma longa amizade se formou entre a família de quem vos escreve e uma mulher chamada Roberta Borges. Lembro de ter cerca de 10 ou 11 anos e visitar a casa da Roberta na praia da Barra (SC). Como qualquer criança curiosa, ao entrar fui olhando para as paredes e fiz um minucioso reconhecimento do ambiente. Uma casa linda, toda de madeira e com uma arquitetura pouco convencional. Não lembro bem ao certo, mas em algum lugar daquela casa havia uma impressionante pilha de pranchas de todos os tipos: Longboards, biquilhas, pranchas coloridas etc. Mas o que mais me chamou a atenção, foi que em uma das paredes havia um pôster de surf em que a própria Roberta fazia um bottom turn em uma onda quatro/cinco vezes o seu tamanho, foto esta carimbada por um patrocinador. Era um tipo de foto que naquela época eu só via em revistas, quando falavam de caras tão próximos da minha realidade quanto extra-terrestres (Tom Carrol, Mark Occhilupo, Kelly Slater e por aí vai.). Fiquei olhando para aquele pôster, para a surfista e para as pessoas que estavam ali na sala. Lembro de ter pensando: Como assim? Uma mulher, amiga da minha mãe surfando uma onda desse tamanho? Além da coragem, me fascinava a ideia da presença de um patrocinador. O que me fazia pensar: UAAAUU. Ela é profissional e pode ter quantas pranchas quiser!

O tempo foi passando e a Roberta acabou se tornando uma parceira de lineup, pois ambos éramos assíduos em verões na praia da Barra. Conheci o seu histórico profissional e sua aptidão artística através das fotografias, até que dias atrás a convidamos para tomar um café,  com o objetivo de apresentar a proposta do Surfari. O encontro com a primeira campeã brasileira de surf rendeu um convite para que ela fizesse parte do time de ativadores. Convite aceito. Se o acaso esteve presente nessa história, com certeza foi no papel de sorte, o Surfari se enche de orgulho para apresentar Roberta Borges em seu espaço “Mar doce lar”.

               A história da Roberta se resume mais ou menos assim.

No final da década de 70, na praia da Guarita em Torres (RS), ela assistiu pela primeira vez pranchas deslizando sobre as ondas e desde aquele dia, o surf passou a influenciar cada passo na sua vida. Peço perdão pelo uso do clichê, mas foi amor à primeira vista.

“Fiquei maravilhada com a cena e pensei na mesma hora que deveria ser fantástico andar sobre as ondas totalmente integrada com a força da natureza.”

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Roberta Borges (segunda da esq. para a dir.) com as companheiras de surf feminino no Circuito Renner. Foto: Arquivo Pessoal R.B.

Naquela época, segundo Roberta, o surf era algo familiar e o outside da Guarita era dividido com várias outras mulheres e amigos. Os primeiros campeonatos foram disputados em Torres, mas ela só começou a levar o esporte a sério quando, em 1984, participou pela primeira vez de um campeonato fora do estado. Era o OP Pro de Florianópolis, e com a visibilidade vieram alguns patrocinadores de São Paulo.

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Roberta Borges disputando o campeonato Sundek Classic, 1986. Foto: Arquivo Pessoal R.B.

Daí pra frente começaram as conquistas, como o título de campeã brasileira em 1985, a representação nacional no mundial amador na Inglaterra, em 1986, algumas etapas nacionais e também um campeonato gaúcho.

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Roberta prestes a entrar nas gélidas águas inglesas para a disputa do Mundial Amador, 1986. Foto: Arquivo Pessoal R.B.

Só quando começou a viajar para pegar ondas é que Roberta percebeu o desrespeito sofrido pelas mulheres dentro d’água. Desrespeito que durava apenas até ela mostrar que sabia o que estava fazendo. Roberta acredita que a melhora na performance somada à quantidade de mulheres surfando, tem ajudado a melhorar este cenário atualmente.

“Os caras não me deixavam entrar nas ondas até a hora que eu conseguia dropar a primeira, aí mudava um pouco.”

25 anos depois, ela mantém as raízes. Depois de conhecer muitas praias ao redor do mundo, ainda define a sua onda preferida como a da frente da sua casa na Praia da Barra.

“Amo a esquerda da Barrinha na condição de sul que quebra para o canal onde temos nossa casa. Tem dias que são inesquecíveis.”

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Roberta dropando a sua onda favorita, a esquerda da Barrinha, em Santa Catarina. Foto: Arquivo Pessoal R.B.

Se um dia você passar por lá e vir uma mulher surfando com uma prancha 5’8 vermelha, dropando reto, cavando lá em baixo e subindo à todo vapor para bater no lip, pode apostar que é a Roberta fazendo o que mais gosta.

“Gosto muito do drop quase reto para cavar bem na base de frontside com a mão na água e assim conseguir uma super projeção  para a batida no  lip.”

O surf, sem dúvida é o seu traço mais marcante, mas hoje Roberta Borges divide a sua rotina profissional entre iniciativas no mercado editorial (como a revista digital EHLAS) e a fotografia profissional. Tudo começou como um hobby, para registrar momentos especiais, principalmente ligados a cultura de praia. Atualmente, seja em exposições ou em fotos para revistas, o mar ainda é o principal protagonista.

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MAR DOCE LAR. Nenhum título seria mais justo para abraçar as colaborações de Roberta no Surfari. Seja através histórias, fotos da  praia em frente à sua casa, experimentos com a caixa estanque ou qualquer outra coisa, temos certeza que vem coisa boa por aí! Fiquem ligados!

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Texto: Eduardo Linhares da Silva

Site da revista digital EHLAS: http://www.ehlas.com.br/

Portfólio Roberta Borges: http://www.robertaborges.com.br/

 

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