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Surfari entrevista Vernon Deck

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Uma paixão que leva a outra. Novas perspectivas que mudam projetos de vida. Das fotografias de motocross para as de snowboard, Vernon Deck redescobriu sua profissão nas montanhas da Suíça. Um dos fotógrafos mais renomados do esporte, há 8 anos destoa dos demais com seu estilo próprio. Há 8 anos registra os movimentos dos atletas da Volcom. Simplicidade, cores, movimento. O Surfari foi convidado pela revista Board On The Road a entrevistar o neozelandês e saber um pouco mais sobre a relação entre o homem, a fotografia e os boardsports.

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Você é da Nova Zelândia mas vive na Suíça, certo? Você sempre foi envolvido com snowboard ou outros boardsports? Como começou sua experiência com esses esportes?

Eu nasci na NZ mas sempre tive o desejo de explorar. Quando eu tinha 18 anos saí da NZ e não mais morei lá. Cresci na praia mas nunca me envolvi em boardsports, MotoCross e Rugby eram meus esportes, os dois nos quais eu competi em alto nível. Fiz mochilão pela Austrália por 2 anos e meio e, então, através de um amigo eu consegui um trabalho em um time da Fórmula 1 na Inglaterra. Eu trabalhei lá por um ano, me apaixonei por uma menina da Suíça e me mudei para a montanha. Lá eu me apaixonei pelo snowboard. E me desapaixonei pela menina.

Eu tinha experiência com fotografia de MotoCross e Rugby e não gostei do pouco controle que o fotógrafo tinha. Os esportes acontecem independentemente, o fotógrafo é apenas para repórter da ação que ocorre. O que eu amei sobre snowboard, e agora todos os boardsports, é que o fotógrafo constitui uma grande parte na indústria. Nós temos a liberdade de fotografar nos melhores lugares, com a melhor luz, e podemos continuar tentando até conseguirmos a foto perfeita. Fotógrafos e atletas tem de trabalhar juntos para fazerem excelentes imagens. Eu amo o envolvimento.

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Como foi seu caminho até chegar a equipe da Volcom? Como é um dia de trabalho para você? Como você planeja seu ano/sessões de fotos/campanhas com a marca e seus atletas?

Eu estou na Volcom há 8 anos e ainda amo isso. É uma grande família pra mim agora, alguns atletas da equipe eu conheci quando eram crianças, e agora já estão crescidos e são superstars. Eu comecei a tirar fotos com o Cheryl Maas, uma das novas estrelas do time da Volcom na época. Nós tínhamos um relacionamento muito bom e ainda temos (acabamos de fazer uma campanha juntos na Noruega). A marca gostou muito das minhas fotos do Cheryl e me ofereceu um contrato. A Volcom confiou em mim 100%, eu diria. Eles me deram um pouco de direção e, basicamente, me deixaram fazer as fotos que eu queria. Geralmente sabemos das viagens em cima da hora e eu estou na estrada a maior parte do ano. Eu conheço a maior parte do grupo muito bem, então é fácil de entrar e sair de equipes. Felizmente eu gosto muito de viajar e eu posso conhecer picos maravilhosos ao redor do mundo.

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Como é trabalhar em uma marca que transita tão bem entre surf, skate e snow? Você costuma conversar, viajar ou trabalhar com outros atletas e profissionais? Isso ajuda você de alguma forma?

Eu amo a marca e o que ela representa. A Volcom foi vendida para um grande grupo francês há alguns anos, e no começo eu estava com medo que a marca fosse mudar muito pra mim, mas parece que estão mantendo a alma intacta. Uma das coisas que eu mais amo nesse negócio são as pessoas maravilhosas que eu conheço, viajo e trabalho. A quantidade de pessoas artísticas, musicalmente talentosas, autodirigidas, curiosas e bonitas que estão envolvidas aqui é provavelmente mais alto do que em qualquer outra indústria. Eu nunca me canso de estar ao redor dessas pessoas mesmo que a maioria deles sejam 20 anos mais novos do que eu agora.

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Snowboard, como o surf, é muito rico visualmente como esporte e estilo de vida para fotografar. Mas ao mesmo tempo, é um tema um pouco saturado, com muitas pessoas já fazendo isso. Como você faz para destacar o seu trabalho da maioria? Onde e de quem você busca inspiração?

Essa é a razão pela qual eu comecei a tirar fotos de snowboard no começo. Tínhamos, e ainda temos, muitas pessoas tirando fotos de snowboard, mas eu digo que apenas cerca de 15 a 20 estão ganhando a vida nisso, em tempo integral. Você só consegue fazer um bom dinheiro tirando fotos para marcas. Pra mim, se trata de mostrar o caminho certo do snowboard, mantê-lo real, mas também colocar um estilo pessoal.  Eu não vou pelo que é descolado ou a última moda. Meu estilo tem permanecido praticamente o mesmo durante os últimos 10 anos, mesmo quando eu ainda estava fotografando com câmera analógica. Eu ainda uso as mesmas 3-4 lentes pelos últimos 15 anos. O que mudou é o jeito que eu prevejo a luz e a experiência que eu ganhei em poder prever o momento antes que ele aconteça. Fotografia tem tudo haver com o MOMENTO.

Eu me inspiro na natureza principalmente, ver algo lindo na luz perfeita é mágico. Já por outro lado, eu também me inspiro pela vida na cidade, particularmente a cidade de Nova Iorque. Eu posso ir para lá por 3 ou 4 dias e pedalar sozinho e eu sou invisível. Lá, os momentos estão disponíveis para serem aproveitados. Existem muitas pessoas que me inspiram, nenhuma em particular, mas geralmente aqueles que fazem a vida em seus próprios termos.

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O que você mais gosta de fazer? Quando você está mais feliz?

Eu tenho uma vida bastante simples, sem muitas coisas materiais. Eu sou feliz com minha câmera, lentes de 50mm, clima quente, boa companhia. Mesmo assim, às vezes eu tenho um sentimento de quando eu era jovem e quero velocidade! Aí eu vou para uma pista de kart e detono algumas voltas. Isso me faz feliz.

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O que podemos esperar de Vernon Deck em um futuro próximo?

O futuro para mim não está muito distante, eu nunca planejei muito. Agora mesmo eu estou fazendo alguns planos. Esse verão, vou pra Austrália para trabalhar de 2 a 3 meses em um projeto. Esse ensaio de fotos não sai da minha cabeça por alguns anos já, e decidi que agora é a hora de dar luz à ele. Então, eu espero, vou me encontrar com meu melhor amigo brasileiro Loïc Wirth em uma pequena ilha na Indonésia para algumas aventuras. No ano que vem vou comprar um pequeno barco e passar alguns meses navegando pelas ilhas do pacífico.

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Entrevista Lucas Zuch 

Introdução Amanda Oshida

Edição completa da revista Board On The Road -> Aqui!

 

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