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Surfari entrevista Thiago Rausch e o Pampa Barrels

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A pouco mais de um ano atrás, os amigos e surfistas Thiago Rausch e Pedro Manga fizeram o que qualquer surfista tem vontade (embora quase nunca faça) de fazer em um dia de mar clássico: registraram um ao outro surfando. Por acaso, aquela fora uma das melhores ondulações da temporada, e algo relativamente raro aqui pelas bandas do sul do país estava, agora, devidamente fotografado. Essa sessão de “chocolate barrels” inspirou Thiago a levar adiante um plano ambicioso: formatar um projeto que atraísse a atenção de patrocinadores e instigasse os surfistas gaúchos a aprimorar a linha de surf e o disparo das máquinas de fotografia nos esporádicos momentos em que o litoral do Rio Grande do Sul proporciona ondas tubulares. Thiago batalhou patrocínios e fez uma correria para instruir e motivar a comunidade do surf, dando partida, no início deste ano, ao Billabong Pampa Barrels, que tem se mostrado o concurso de fotografias e vídeos de surf mais consistente do estado. O Pampa Barrels não apenas tem movimentado o litoral gaúcho, como serve de motivação para outros projetos, como o próprio Desafio Surfari Uruguay, que tem várias afinidades com a iniciativa de Rausch. No momento atual, onde muitas pessoas falam e planejam, mas, de fato, poucas fazem acontecer, reconhecemos o esforço de Thiago e fomos descobrir um pouco mais sobre quem é o freesurfer que nasceu longe do mar, mas hoje encara qualquer onda que a vida apresenta a ele.

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Surfari: Thiago, conta um pouco sobre a tua história no surf, como começou tua relação com o mar e esse processo.

Thiago: Eu era mais um pré-adolescente que passava todos os verões pegando onda com os amigos e voltava pro ano letivo, na cidade, com a cabeça sempre na praia. Sou natural de Dois Irmãos, interior do estado, minha família vive lá até hoje. A minha sorte, foi que meu avô tinha uma casa em Mariluz, litoral norte gaúcho, por isso minhas férias eram sempre na praia, assistindo surfistas como Jairo e Igor Lumertz, Marcelo Cordeiro e Mauricio Nunes surfando muito e sendo caras muito legais, meu sonho era ser como eles. Com 16 anos de idade o surf já me fazia pensar longe e bem diferente da maioria da minha galera na cidade, então arrumei um emprego na Tools (marca de acessórios de surf) e fui morar em Mariluz. Desde entã só volto pra Dois Irmãos pra visitar a família e os amigos.

 

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Mar que iniciou a faísca no projeto Pampa Barrels. Foto: Pedro Manga

Como surgiu o interesse em desenvolver projetos de comunicação relacionados ao surf, quando tu identificou essas oportunidades e como é o caminho das pedras?

O interesse em desenvolver projetos relacionados com o esporte vem da minha paixão pelo surf e todo seu lifestyle. Eu sempre gostei de escrever, ha três anos apenas que venho me empenhando em produzir matérias de surf e artigos relacionados. Depois que comecei a fazer algumas matérias para sites e revistas de surf de todo país, tendo meu trabalho reconhecido e respeitado, vi que estava no caminho certo e deixei rolar da melhor maneira possível, mesmo sem nunca ter entrado em uma faculdade. O Pampa Barrels surgiu no início de 2013, eu e o Pedro Manga produzimos um material irado e inédito dos tubos do Rio Grande do Sul. Surfamos alguns mares clássicos em Tramandaí, um filmando o outro com uma camera  GoPro, resultado, o material fez sucesso em sites de todo Brasil. Depois, inspirado nessas imagens, quis fazer uma competição virtual via facebook e o nome seria Pampa Barrels… Então uni contatos, idéias, sugestões, trabalho e um pouco de feeling para desenvolver algo que me orgulho muito de ver acontecer. Então, se o caminho for de pedras, acredito que quando fizemos o que amamos tudo se torna mais simples, criativo e inspirador, o que torna o sucesso e a realização uma coisa natural.

 

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Thiago em Puerto Escondido, sua segunda casa. Foto: Yana Vaz.

Fala um pouco sobre a idealização do Pampa Barrels, no que ele consiste e quais os objetivos.

Sobre a idealização acho que me adiantei e acabei resumindo um pouco na resposta acima. Minha maior motivação com esse projeto é poder trazer algo de novo e inspirador para o surf gaúcho, que anda bem carente de boas ações. Vou fazer 4 categorias principais, surfistas de todo Brasil podem participar, desde que surfem tubos e ondas grandes dentro do Rio Grande do Sul, além da categoria de melhor tubo de um gaúcho ao redor do mundo, todos ganhando prêmios em dinheiro ou passagens aéreas. Gerando esse interesse e conteúdo inédito – que tem um potencial alucinante para ser explorado – vamos conseguir valorizar mais as praias, os surfistas e todo o surf do estado. Quero vero o surf do RS onde ele merece estar, esse é meu maior objetivo com o Pampa Barrels. Quem quiser saber mais sobre a competição é só acessar www.pampabarrels.com que lá tem tudo bem especificado sobre regras, categorias e etc…

 

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“Chocholate barrel”, Mariluz (RS), Abril de 2013. Foto: Thiago Rausch

O surf regional está em um bom caminho? O que tu apontaria como qualidades do mercado gaúcho e outras coisas que poderiam ser melhoradas?

Falando em surf competição, estamos ladeira abaixo já faz alguns anos. A realidade é que o surf competitivo do estado não existe, a chama só não apaga porque temos muitos surfistas de alma que estão sempre dentro d’água fissurados, no RS ou no exterior, a gauchada representa e isso deixa um legado tão importante quanto ter campeonatos e bons competidores, salve a galera de Porto Alegre, Torres, Tramandaí e Capão da Canoa que tem se puxado para fazer acontecer. O mercado de surfwear do Rio Grande do Sul é um dos que mais gera renda para marcas gringas e nacionais, acredito que elas não apóiam praticamente nada porque não existem bons projetos, ninguém irá investir dinheiro em algo que deixe dúvidas ou não tenha credibilidade. Na minha opinião, o que o surf gaúcho precisa é de uma gestão comprometida de verdade com o surf, como tivemos em outros tempos, que se preocupe em auxiliar no desenvolvimento dos surfistas e do surfe de cada praia, além de ter uma administração profissional e bem estruturada, é por aí que tudo começa a andar.

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Thiago deep in Puerto. Foto: Miguel Diaz

 

O que o futuro reserva pro Thiago Rausch? Quais são os teus sonhos?

Desafiadoras e inspiradoras essas duas perguntas. Pro futuro almejo o melhor pra mim e meus semelhantes, pois sei que isso sempre volta em dobro. Vou atrás do que me faz feliz, me inspira e traz tesão de viver, seja pegando onda, desenvolvendo algum projeto, viajando o mundo, curtindo a família, os amigos… E, quem sabe um dia, morar na praia e ter uma bela família.

 

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Foto: Jo Paiva

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Contatos: @thiagorauschava (instagram) – Thiago Rausch (facebook) – thiagomariluz@hotmail.com

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Introdução e entrevista por Lucas Zuch.

 

 

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