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Surfari entrevista: Projeto GAROPAS

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Surf prega o equilíbrio entre o estado mental, físico e espiritual. Desta forma, conseguimos viver em paz consigo mesmo, harmonizando a vida do homem junto à natureza. Vendo por este lado, percebemos o surf sendo mais que um esporte.

São inúmeros os benefícios que o surf proporciona em nosso estilo de vida, e é partindo desse pressuposto que o Projeto GAROPAS mostrou também outra finalidade do esporte, inclusão social.

Com o objetivo de proporcionar oportunidade da prática do surf para pessoas deficientes, foi iniciado o programa de surf adaptado, voltado para pessoas que possuem algum tipo de limitação. Barreiras sociais e físicas foram transpostas neste projeto.

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Foi realizada uma entrevista com o idealizador do projeto, Lucas Fruet Gil, estudante de Educação Física em Caxias do Sul. Percebemos que a experiência gratificante e recompensadora, ao final, ultrapassou todas as dificuldades e restrições que o projeto apresentava em sua fase de maturação. Confere abaixo, e saiba mais a respeito dessa bela iniciativa:

– Como surgiu a ideia do projeto, e por que o surf?

Em agosto de 2012, comecei meu trabalho de conclusão de curso (graduação em Educação Física) que era sobre Esporte Escolar Paralímpico um estudo sobre o potencial paradespotivo do Município de Caxias do Sul. Foi quando tive a oportunidade de conhecer e interagir com pessoas de diversas deficiências. Minha orientadora (Renata Ramos Goulart) possui na Universidade de Caxias do Sul um programa de natação Paralímpica, foi ela quem me fez compreender um pouco da realidade destas pessoas e me instigou dar a oportunidade de experimentarem sensações e movimentos, que frequentemente são impossibilitados pelas barreiras físicas, ambientais e sociais. Como já surfava desde criança e sou apaixonado pelo estilo de vida que esse esporte me proporcionou, resolvi dar uma ideia a minha orientadora de levar alguns atletas da natação para praia, vivenciar um dia de surf. Ela que também é apaixonada pelo mar adorou a ideia, mas como ela conhece melhor o potencial incrível que estas pessoas possuem, fez a proposta de criarmos uma escolinha de surf adaptado, iniciando as primeiras adaptações e aprendizados na piscina e posteriormente leva-los para o mar.

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Crianças tendo sua primeira instrução.

A qualidade de vida, em nosso entendimento, é fundamental para a busca de uma sociedade mais saudável. É preciso suprir necessidades do bem estar espiritual, físico, mental, psicológico e emocional adotando hábitos que promovam a funcionalidade do corpo. Seguindo esta linha de pensamento buscou-se o surf, como prática de esporte e lazer. Além de inúmeros benefícios físicos que a modalidade proporciona, também ajusta um estilo de vida harmônico entre homem e natureza, fazendo com que o individuo interaja de maneira consciente e prazerosa. Com a finalidade de oportunizar a prática do surf, por indivíduos com deficiência, é que se desenvolveu o projeto GAROPAS. São muitas às restrições, os preconceitos e as dificuldades de acesso aos ambientes naturais. Devido a estes fatores torna-se distante o contato do deficiente com o oceano e a prática do surf.

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– Conte um pouco do processo entre a ideia e colocar o projeto em prática.

Para iniciar tivemos que nos organizar e estudar sobre o assunto para fazer adaptações e proporcionar uma prática segura que não colocasse em risco essas pessoas que já possuem suas limitações. Os equipamentos também foram uma dificuldade no inicio, levávamos nossas próprias pranchas para as atividades na piscina. Outro fator que inicialmente nos preocupava era em passar segurança para os familiares. Dificuldades que foram superadas através de dedicação e trabalho coletivo.

Pessoas que trabalharam junto no projeto: Trícia Dal Pubel, Renata Padilha e Rodrigo Marcon.

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– Descreva a emoção de ver a primeira onda dos alunos.

É uma sensação difícil de explicar, pois vendo eles no mar com um sorriso no rosto, passa imagens de todo processo que ocorreu até esse momento. Desde a primeira conversa inicial que tive com a Prof. Renata, o dia em que fizemos uma apresentação para os atletas e familiares sobre o esporte e o que pretendíamos fazer, todo o processo na piscina e o envolvimento com cada um deles, suas histórias, dificuldades e superações. A gente acaba se envolvendo demais com cada um deles e ver o quando aquele momento é importante para suas vidas, estar num ambiente em que a maioria nunca imaginou e praticando um esporte de difícil acesso para suas realidades, é uma sensação muito difícil de descrever emociona de verdade.

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– Quais foram os relatos deles após a experiência?

Essa é difícil, porque não lembro bem da fala deles, mas posso dizer o que eu senti.

Empolgação e gratidão. Deu para sentir o quanto agradecidos eles estavam pelo nosso esforço para que vivessem aquele momento.

– Quais são os próximos passos para expandir (ou continuar) o projeto?

Todos as respostas anteriores me referi a primeira turma. Hoje criamos um processo diferente para que possamos atingir uma quantidade maior de pessoas. São organizadas turmas de no máximo 5 participantes onde eles tem um programa de 6 aulas, uma vez por semana. Após o termino do programa é realizado uma trip para praia. Estamos para iniciar nossa terceira turma em agosto, mas como sabemos que a temperatura nessa época é muito baixa e dificulta nossa ida a praia. Realizaremos as trips assim que o tempo começar a esquentar.

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Para assistir à primeira surf trip do projeto GAROPAS, Clique aqui.

Fotos: Projeto GAROPAS

Entrevista: Lucas Zuch

Introdução: Cássio Cappellari

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