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Surfari entrevista: Petterson Thomaz

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Encontramos por acaso o blog do Petterson Thomaz, o Hand Baggage, a pouco mais de um ano atrás. E gostamos muito do que vimos. Na época, porém, não pensamos que o próprio Petterson (e não seu patrocinador ou assessoria de imprensa) era quem colocava as mãos na massa e produzia tanto os vídeos quanto as postagens, e que ele estaria a apenas um e-mail de distância. A algumas semanas atrás, começamos a trocar ideias a partir do feedback que o Petterson deu ao assistir a websérie ‘Surfari na Neve’. Ele estava empolgado com o planejamento de sua próxima viagem, uma snowtrip, e acabou tropeçando nos vídeos. Comentando o quão importante é a produção de conteúdo exclusivo para a formação de uma identidade, combinamos de levar adiante uma colaboração de conteúdo entre o Hand Baggage e o Surfari, aproximando os dois públicos. Para apresentar as ideias e os objetivos de Petterson, surfista profissional e estudante de Administração e Marketing (uma raridade entre os pares), preparamos essa entrevista, onde ele conta quem é, o que faz e porquê. O vídeo que abre a matéria é a produção mais recente de Petterson e seus amigos, um filme financiado, produzido e editado pelo próprio surfista.

The Nica Days – Full Movie from Petterson Thomaz on Vimeo.

 

Surfari: Conta um pouco da tua trajetória no surf, como começou, quem foram as pessoas que te influenciaram (tanto ídolos quanto pessoas próximas).

Petterson: Comecei a surfar pela influencia e incentivo dos meus tios e do meu pai, com 6 anos ganhei minha primeira prancha e aos 9 já participava de alguns campeonatos. O início foi em Balneário Barra do Sul, cidade ao lado de Joinville, onde moro até hoje. Barra do Sul é uma cidade em que fiz muito amigos e lembro que evolui muito na época, mesmo surfando somente nos finais de semana. Quando fiz 13 anos, decidi que era aquilo ali que eu queria e fui morar de vez na praia, em São Francisco do Sul, mais precisamente na Prainha, onde ficam as ondas mais constantes da região norte do estado. A qualidade das ondas me ajudaram a polir mais o meu surf e comecei a ter resultados expressivos nos circuitos amadores. Lembro que muitos amigos da época se tornaram ídolos nos dias de hoje, Alejo [Muniz] e Ricardinho [dos Santos] são alguns deles, que sempre mostraram determinação e uma competitividade absurda, o que fez com eu admirasse muito o trabalho desses caras.

 

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México. Foto: Ricardo Alves.

Surfari: Como você vê o mercado de surf nacional? Acha que falta apoio das marcas, comprometimento dos atletas ou nenhum desses fatores é realmente o ponto crítico da questão?

Petterson: Eu vejo que o mercado do surf brasileiro ainda precisa crescer muito, nossa cultura de ser explorados vem lá de Dom Pedro e isso dificulta muito o crescimento do “surf no País”. As vendas de surfwear só tendem a crescer, e realmente não se vê esse investimento com atletas, são poucos os que tem a oportunidade. Acredito que faltam pessoas inteligentes, que saibam usar a imagem correta do esporte nas empresas, nos eventos e até mesmo junto aos atletas, sem isso o Brasil nunca alcançará o patamar que o surf atingiu em outros países como Austrália e na América.

SombrA SECa from Deriva on Vimeo.

Surfari: Como foi a transição entre a dedicação integral como atleta e, depois, conciliar a vida de estudos e de freesurfer?

Petterson: Foi um período de adaptação, eu já esperava que fosse ser difícil, ainda mais morando em Joinville, que fica a uma hora da praia. Mas planejei meus anos de estudo de forma que eu nunca precisasse parar de surfar. Surfo cerca de 3 dias na semana, mais sábado e domingo, e continuo treinando a parte física, até mais do que quando competia. Aprendi muita coisa com a faculdade, coisas que hoje uso na minha carreira como freesurfer. O mais difícil é ter alguma oportunidade de trip e não poder ir devido a compromissos com os estudos, mas tento planejar meu ano de forma a cumprir meus objetivos em relação aos patrocinadores, que consiste em me envolver em projetos que dêem visibilidade para as marcas que represento. Esse é meu último ano no curso de Administração e Marketing, então, em 2015 terei muito mais tempo para projetos, trips, vídeos e muito surf, é claro.

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Foto: José Extraño

Surfari: Como você desenvolveu o interesse na produção de conteúdo e quais são as vantagens de ser a própria mídia?

Petterson: Em 2009, morei uns 6 meses junto com um amigo em Portugal e decidimos fazer um blog para mostrar a viagem aos nossos amigos e familiares. O projeto consistia em publicar relatos, fotos e vídeos dos lugares por onde passávamos no Velho Continente e deu certo. Na viagem aprendi muita coisa sobre edição de vídeos com esse parceiro e comecei a ter um pensamento diferente em relação ao surf, mesmo sem patrocínios na época. Vi naquilo um sentido e um caminho que poderia ser seguido, no Brasil poucas pessoas tinham blogs, menos ainda que tivessem conteúdo exclusivo. As possibilidades que temos com a internet hoje são inúmeras, tento usar isso a meu favor, fazer parcerias com mídias maiores do Brasil, publicação de vídeos, matérias etc. É uma das opções que eu busco como freesurfer. A vantagem de tudo isso está em produzir um conteúdo com a minha cara, da maneira que eu gostaria que fosse e poder expor isso ao público. É bem doido, porque a velocidade com que as coisas acontecem hoje em dia é muito rápida, conteúdo exclusivo e de qualidade ligado ao surf é algo que tento passar através dos meus vídeos. Estamos na era do excesso de informação onde tudo o que foge do comum tem seu valor e é apreciado por quem realmente encara o esporte como estilo de vida.

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Foto: Luciano Saraiva

Surfari: É você que segura a onda e faz a primeira sessão de filmagem quando o mar tá clássico? 

Petterson: Depende muito, normalmente quando faço uma trip sem videomaker tento ser o mais justo possível entre a galera, quase sempre começo filmando e fazemos uma ordem de quem será o próximo, e assim segue durante o dia todo. Se eu sou o último do dia e filmei meu tempo, no dia seguinte o próximo da fila inicia atrás das câmeras, não tem perdão! (risos) Às vezes o mar está bom e é complicado, todos querem surfar, é normal, mas ao mesmo tempo a galera sabe que em uma viagem entre freesurfers que vivem disso, é fundamental produzir material para dar retorno aos patrocinadores. Normalmente o estilo “faça você mesmo” é o que prevalece e conseguimos produzir um bom material.

P A C I F I C O from Petterson Thomaz on Vimeo.

Surfari: Fale um pouco sobre a viagem para a Nicarágua e como foi produzir o filme por completo.

Petterson: O curta da Nicarágua nasceu com a intenção de fazer algo diferente do que normalmente fazemos em uma viagem. Eu, Caetano e Greg, contratamos um videomaker (Igor) e queríamos nos concentrar em uma única coisa, surf. Acabou que passamos 25 dias na Nicarágua filmando, além de surf, um pouco de tudo que rolava fora d’água. O filme tem só 14 minutos, ainda temos muito material que não foi usado, foi uma viagem rendeu muito, pegamos altas ondas e acredito ter conseguido passar no “The Nica Days” um pouco do feeling da nossa trip. A parte mais complicada pra mim foi separar as imagens e fazer a edição, eu tinha quase 1 mês de gravações no computador e demorei cerca de 3 meses para separar tudo, editar e finalizar o filme. Depois veio todo o processo de fechar parcerias para divulgação e para o filme, eu quis fazer algo diferente, sair do convencional de vídeo de 3 minutos para a web.

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Emirados Árabes. Foto: Leandro “Grilo” Dora

Surfari: Como você se imagina (o cenário ideal) daqui a alguns anos? O que pretende estar fazendo e o que mais te realizaria como pessoa?

Petterson: Estou me formando esse ano, o que vai aliviar bastante meu tempo para me dedicar a projetos como freesurfer. Penso muito nisso, sei que a carreira de surfista não dura pra sempre, por isso busco me envolver muito com as marcas que me ajudam nesse trabalho, gosto muito da parte criativa do mundo do surf e pretendo sempre estar ligado a isso. Um objetivo de vida é me manter surfando, conhecendo pessoas, culturas e novas ondas, isso é o que mais me realiza como pessoa.

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Intro e entrevista por Lucas Zuch.

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