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Surfari entrevista: O Expedicionário M. Torres.

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Após fechado o projeto de colaboração e parceria com a Lemurian Expedition, o Surfari se vê na hora de mostrar mais a fundo as histórias de cada indivíduo presente nesta aventura. Histórias de vida cujo fator comum é o amor e respeito pelo oceano.

Através deste pensamento, nada mais justo do que começar pelo criador do projeto, o expedicionário surfista-velejador-músico-empresário M.Torres, que junto ao seu parceiro de expedição Hamilton Souza, vai encarar um grande desafio que irá iniciar em de janeiro de 2014. Será uma jornada de caiaque oceânico através do Oceano Atlântico, entre Salvador e Rio de Janeiro, de aproximadamente 1.800 km de distância. O que para alguns pode parecer utópico, para os envolvidos é um sonho que está próximo de ser realizado.

 

Realizamos uma entrevista, onde contamos melhor a trajetória, motivações, visões, dificuldades e desafios por trás deste projeto. Confere agora essa história:

– Conte um pouco de sua trajetória nos esportes náuticos e a sua ligação com o mar.

Desde pequeno a praia sempre foi um grande programa. Lembro-me de um dia, quando brincava com meus irmãos numa piscina natural da praia de Ondina, encontramos um peixe raro e ficamos muito eufóricos pela “descoberta”. Outra recordação forte é a lembrança de alguns domingos na praia de Berlinque na Ilha de Itaparica. Na maré seca, caminhava deslumbrado pelas longas bancadas de coral observando e aprendendo com a biodiversidade.

Experiências assim me tornaram um menino do mar e quando passamos a freqüentar a praia do Guaibim em Valença, já estava condicionado ao padrão deste tipo de ambiente. Daí pra frente, com pranchas de isopor e restos de bodyboard, aprendi a surfar e esse foi meu início nas relações mais profundas com o oceano e seu ecossistema!

 

– O que significa Lemurian e o que te motivou a criar a Lemurian Expedition?

Há muitos anos me apaixonei pelas teorias de migrações humanas por mar. O surf me trouxe o processo de pesquisa inicial. Posteriormente e através, descobri um mundo fantástico de lendas e mitos ligados aos mares e oceanos. A LEMURIAN OCEAN CO é marca de roupas fundamentada em teorias acerca de um continente perdido e submergido nos oceanos Pacífico ou Índico. É um nome que remete a um passado que possivelmente seja à base de grandes conhecimentos fundamentais para a engenharia, matemática e filosofia da sociedade moderna.

A LEMURIAN EXPEDITION será uma grande obra, expedições fundamentadas no padrão ancestral, onde pretendemos utilizar parte do conhecimento dos povos antigos na rotina e dia a dia das expedições. A Primeira será à remo, uma viagem de caiaque entre Salvador e o Rio de Janeiro.

– Explique a sua visão sobre o contexto histórico dessa travessia e qual a importância que esse caminho teve para a história do país.

Salvador foi a primeira capital da República e o Rio de Janeiro a segunda. Sabemos que dentro do contexto original, quase nada encontraremos, já que os verdadeiros ancestrais brasileiros foram praticamente extintos da costa. Porém, como o Brasil atual é fundamentado em misturas e muitas “neocolonizações” na sua história republicana, esperamos aprender e compreender também a situação das comunidades “Ribeirinhas”, que são na sua maioria, de descendentes diretos e indiretos dos ancestrais brasileiros e dos negros trazidos como escravos para o Brasil.

– Quais são as principais dificuldades que vocês imaginam enfrentar? Em que medida o medo do desconhecido motiva vocês a explorar? 

Imaginamos que riscos existem em qualquer expedição. Questões físicas ligadas a lesões, desgaste físico e mental, exigirão demasiadamente. Porém entendemos serem as questões geográficas as de maior dificuldade. Possíveis tempestades, correntes contrárias, ondulações acima do padrão possível, além de entradas e saídas de praias com arrebentação de ondas, serão nossos principais obstáculos.

A maior motivação é a incerteza, nesse tipo de expedição o maior desafio está ligado ao limite, se conseguirmos administrar todos os fatores aqui citados, poderemos nos superar e atingir nosso objetivo.

– Explique um pouco de como foi caminho até chegar a este estágio do planejamento e quais são os próximos desafios.

Nesse mês de agosto, partiremos para uma expedição de três a quatro dias pela Baía de Todos os Santos e no dia 24 tentaremos o percurso da regata Aratú-Maragogipe, considerada a maior regata do país. Serão cinqüenta e cinco quilômetros em condições bem difíceis, pois agosto é um dos meses de mais vento no ano aqui na Bahia. Até novembro, pretendemos fazer pelo menos duas expedições por mês, simulando situações reais e dificuldades que com certeza, encontraremos na viagem pro Rio.

Foi e tem sido muito duro. Não esperavávamos algo fácil. A maior dificuldade é encontrar quem acredite e invista no projeto. O custo não é baixo e não temos pra bancar do próprio bolso. Conseguimos vender uma parte das cotas menores, porém a mais pesada ainda está em aberto. Então o desafio é manter a “cuca” fresca, não parar de treinar e fazer o que for possível, dentro das possibilidades! Iniciamos o treinamento em fevereiro, usando caiaques de plástico e remos baratos de alumínio com as pás também de plástico. Hoje, os dois caiaques que utilizaremos na expedição pro Rio estão conosco, porém ainda estamos usando remos deficientes, nosso material de camping é velho, etc. Mas é como tudo na vida, se esperar as condições ideais para fazer algo, talvez seja expectador e não protagonista.

Fotos arquivos pessoais M. Torres.

Conheça mais sobre a Lemurian Expedition.

Entrevista: Lucas Zuch

Introdução: Cássio Cappellari

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