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Surfari entrevista Mauricio Zina

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Brincadeira de criança que se transformou em profissão. Inspirado pela veia artística que vem de família, Mauricio Zina encontrou a paixão pela arte na fotografia. De pequeno trocou os carrinhos e soldados de brinquedo pela câmera analógica do pai. Zina é um dos jurados do Desafio Surfari Uruguay. O Surfari entrevistou o dople chapa (que tem duas nacionalidades) para saber os percalços de trabalhar com a fotografia e as impressões dele sobre o surf cisplatino. 

 

Você é meio uruguaio meio caiçara (litoral paulista), é isso? Conta um pouco de como foi acontecer essa mistura..

(Rsrsrs) é verdade, atualmente estou morando em Ilhabela no litoral paulista, numa comunidade tradicional, no sul da ilha. Faz uns 5 anos fui lá pra fazer um trabalho e me apaixonei pelo lugar. O bom de ter duas casas é que sempre em uma delas estão te esperando.

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Como que a fotografia entrou na sua vida? Quem e o que são as tuas principais inspirações?

A fotografia entrou na minha vida por causa do meu pai, ele é artista plástico (venho de uma família de artistas plásticos que trabalham com metais). Desde criança eu brincava com a Nikon EL 35mm dele e falava que ia ser fotografo de guerra (rsrs). Depois de um tempo, minha mãe me deu de presente de aniversário uma Olympus point &shoot 35mm e daí nunca mais parei de fotografar. A minha inspiração vem dos meus pais e do meu avô, principalmente. Eles deram pra mim o gosto pelas artes e sempre me incentivaram a fazer o que mais gosto.

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Como você faz para ganhar a vida fazendo o que gosta? Como você diferencia o seu trabalho da multidão?

Foi muito difícil chegar a fazer o que eu gosto, ainda mais pra quem é de um país pequeno como o Uruguay. Tive que sair do meu país e trabalhar muito em outras coisas até chegar o momento de trabalhar só com fotografia. Ser fotógrafo de surf é um grande desafio, tem muitos caras bons lá fora, o equipamento é caro, etc… mas se você é inteligente e escolhe os lugares e os surfistas certos você vai conseguir ter sucesso… A fotografia comigo é assim; eu tento viajar muito, pensar cada foto que eu vou fazer, pensar o quadro certo, contrastes e luz. Estudar cada onda e lugar, qual é o melhor momento de luz, posição do sol, maré. Tudo. O segredo não está na câmera, está na cabeça.

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O surf cisplatino é diferente do da parte tropical da América do Sul. Como tu definiria o surf e o surfista cisplatino?

O surfista cisplatino é aquele que gosta mesmo do surf, o cara que acorda 6 da manhã com 0°C, vai para a praia, entra naquele mar gelado, gasta uma grana em equipamento pro frio; e mesmo assim sai da água com um sorriso de orelha a orelha… Um dos pontos positivos disso é que você surfa quase sozinho em determinados lugares. Pra mim só tem uma coisa contra, o gasto que você faz pra comprar a roupa e acessórios. Eu gosto muito do surf do frio, tem outra vibe. Você dá mais valor ao esporte. O surf em regiões quentes (onde eu moro) é diferente, tudo mundo surfa, é normal, você não precisa mais que uma prancha pra ir pro mar, tem uma essência diferente… O pior do surf tropical é o crowd dentro e fora d’água, o bom que você não precisa muito pra surfar, a evolução do seu surf é muito mais rápido.

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O que te chamou atenção quando te convidamos para ser jurado do Desafio Surfari Uruguay?

Foi muito legal, justo estava de visita em Uruguay, tinha voltado de fotografar um megaswell que entrou por lá e tinha feito fotos boas de vários brasileiros como Nelson Pinto, Ricardo dos Santos, Franklin Serpa e o uruguaio Marco Giorgi. Todos eles surfando onde mais gosto fotografar, “La Pedrera”. Não tinha ideia que as minhas fotos poderiam ser conhecidas no sul do brasil. Fiquei muito feliz pelo convite.

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Independentemente de ser jurado, falando como uruguaio agora. Tivemos resistência de alguns surfistas uruguaios contrários à ideia do Desafio, qual a tua opinião sobre o tema. Há prós e contras? Como tu enxerga isso?

Então, é verdade que ninguém quer crowd na sua praia, tudo mundo gosta de surfar sozinho ou com pouco gente. Mas na minha opinião o “Desafio Uruguay” não é um convite pra crowdear as praias uruguaias, simplesmente é um incentivo pra documentar a viagem de quem realmente gosta de surfar, viajar, quem tem uma vibe boa. Os surfistas brasileiros que vão fora de temporada pro Uruguay são diferentes, respeitosos, que vão passar frio num mar gelado pra surfar uma onda, pra fazer uma viagem. Não é o tipo de surfista que vai no verão com a prancha e fica no pico só pra falar que é surfista. Quem é viajado já sabe, todos nós somos “haoles” fora da nossa terra. É questão de respeito, onda tem pra tudo mundo. O mais bonito do surf é isso, conhecer lugares, cultura e pessoas diferentes.

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O que podemos esperar do Mauricio Zina no futuro próximo?

Muitas viagens, fotos,contrastes, cores, brancos e pretos, água e mais água.

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Desafio Surfari Uruguay é uma realização do Surfari, que conta com o patrocínio da Mormaii e apoio da Art in SurfBlenders EyewearCalicultural IntercâmbioOgio e Ogro Surfboards.

Entrevista Lucas Zuch

Introdução Amanda Oshida

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