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Surfari entrevista Felipe Pereira | Jovem o suficiente

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Quantos sonhos você já conseguiu realizar? A rotina, as responsabilidades do dia a dia e a correria podem dificultar ou até mesmo impedir essa busca. Por mais que as exigências da vida adulta possam envolver a maioria das pessoas, nem todos se deixaram levar.

Felipe Sant’Ana Pereira decidiu correr atrás do seu sonho de criança: viajar pelo mundo. No seu roteiro incluía um amigo de infância, que não pode participar dessa aventura. Felipe foi, então, sozinho, em busca da fonte da juventude, que encontrou na alma das diferentes crianças que entrevistou durante a sua jornada. As histórias, experiências e vivências dessa aventura transformaram-se no livro “Jovem o suficiente”. O Surfari entrevistou Felipe para conhecer a origem dessa ideia.

O livro é um projeto independente para ajudar basta acessar o link – > Jovem o suficiente

 

O que te levou a realizar esse sonho de criança?

O choque. Sempre tive mais que a ideia: desde cedo eu planejava, com meu melhor amigo, a viagem. E planejava a fundo, escolhendo lugares que queríamos conhecer, trajetos que queríamos percorrer e maneiras pelas quais juntaríamos o dinheiro necessário. O plano foi tomando forma, ao menos pra mim. Foi aí que percebi que, para meu melhor amigo, o sonho não passaria de… um sonho. Muitos que conviviam comigo já se afundavam em compromissos e rotinas sobre os quais não tinham controle. Faltava-lhes tempo. Estavam envelhecendo. E aí eu senti esse choque. Ou partia na hora, sozinho mesmo, ou corria o risco de me enveredar por esse mesmo caminho.

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Como surgiu a ideia de contar essa história a partir da visão das crianças?
Quando percebi que o que me faltava era juventude, foi natural ir atrás da sua fonte, as crianças. Sempre gostei de fotografar elas. Suas reações são as mais puras possíveis, e suas respostas, as mais sinceras. Certa vez, perguntei a um menina, na América Central, se ela tinha vontade de ser adulta. Ela respondeu que não. E por que? Porque aí as sandálias que ela estava calçando, feitas pela mãe, não serviriam mais. Não faz sentido?
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Como foi a tua receptividade com elas? Sempre fui muito bem recebido. Salvo alguns lugares mais acostumados a turistas, principalmente na Europa Ocidental, eram geralmente elas que se aproximavam, curiosas pra saber de onde vinha aquele menino maltrapilho, com uma mochila nas costas, e um sorriso no rosto. A comunicação que era complicada, no começo, mas sempre aparecia alguém disposto a ajudar, mesmo que fosse com gestos, e eu sempre tive algum truque na manga. Dica: sempre leve bolinhas de malabares nas suas viagens.
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Depois do lançamento do livro, quais são os teus futuros projetos?Continuo escrevendo sobre viagens e cultura, quase ininterruptamente, para alguns portais. Tem um romance que já rascunhei todo, e estou começando a delinear melhor. No mais, tenho mexido muito com fotografia, especialmente retratos e modelos. Em breve quero terminar uma série que envolve máscaras e cenários urbanos, para montar uma exposição.
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Tu vai contar a história só através do livro ou tem outras ideias?Acho que seria injusto dizer que a história está sendo contada só através do livro. Muita gente acompanhou minha viagem pelas fotos que eu colocava na internet. Depois, muitos ouviram causos pelos quais passei, pessoalmente. Agora, a galera viu o vídeo de divulgação e acompanha o projeto de financiamento coletivo, como se essa campanha fosse outra história em cima da história original. A experiência do financiamento coletivo é multimídia. De qualquer jeito, por enquanto, o foco é fazer com que a história escrita atinja e inspire o máximo de pessoas. Uma vez que o projeto for concluído, quem sabe não migramos pra outros formatos?
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Qual foi a maior dificuldade que tu encontrou durante essa jornada? 

Tive que passar por uma cirurgia num hospital soviético, fui acordado no meio da noite pra me afastar de uma zona de bombardeio, cheguei perto de ir dessa pra uma melhor algumas vezes, mas… nada se compara à saudade dos meus pais, da minha irmã, e do futebolzinho semanal com os amigos.

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Qual a tua relação com o surf? Surfar em diferentes países estava no roteiro da tua viagem?Surfo desde a adolescência, e daria tudo pra ter começado mais cedo. A Indonésia sempre foi o único lugar que eu não abriria mão de conhecer durante a viagem. Até chegar lá, fiquei sem surfar por quase um ano. Quando cheguei, também… não queria mais sair da água. Passei um mês diante de uma esquerda perfeita, e surfei um terço do tempo sozinho. O melhor é que eu tenho certeza de que existem milhares de outras ondas assim por aquelas bandas. Aproveitando o embalo, voei para a América Central, onde também surfei também em La Punta, do lado de Puerto Escondido; Playa Madera, na Nicarágua; Pavones, na Costa Rica; e Bocas del Toro, no Panamá. Mas nenhuma dessas ondas se compara ao que vi na Indonésia.
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Introdução e entrevista por Amanda Oshida

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