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Surfari entrevista Filhas do Mar

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Filhas do Mar. Um grupo de surfistas que nasceu da vontade de ser mais do que apenas um grupo de surfistas, criaram uma família unida pelo oceano, mas uma família só de mulheres. Aulas de surf, oficinas de arte e dança, palestras e ações de conscientização ambiental são alguns dos movimentos que essas amantes do surf desenvolveram para incentivar o surf feminino. O Surfari entrevistou Claudia Gianesse, idealizadora e a primeira filha do mar, para saber um pouco mais sobre o movimento.

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Surfari: Agora vocês são um grupo de surfistas, mas como surgiu esse interesse individual pelo esporte? E a partir disso como surgiu a ideia de criar as Filhas do Mar?

Eu sou do interior de São Paulo, de Campinas, e eu pude ver uma realidade social muito difícil, onde a violência e as drogas fazem parte do dia a dia das meninas e mulheres da cidade grande. Quando terminei o colégio fui morar em Maresias, onde aprendi a surfar, e onde conheci o pai da minha filha Lethícia, o Pigmeu. Ele é shaper e cresceu com as feras do surf em Santos, então aprendi a trabalhar com pranchas, em campeonatos de surf, durante muitos anos fiz parafinas, informativos e também escrevia para uma coluna de surf do Jornal Local.

Nós morávamos em Santos e, em 2000, nos mudamos para Garopaba. Em São Paulo é comum ver cinco ou seis meninas surfando juntas no dia a dia. Como eu sempre surfava sozinha entre muitos homens aqui em Garopaba resolvi agitar e dei início às atividades das Garotas no Mar, aqui no Sul. A ideia era formar uma associação de surf feminino e durante um ano realizamos 2 eventos e muitas sessions de freesurf, íamos em uma Kombi para a praia da Ferrugem e do Silveira surfar, éramos um grupo misto com iniciantes e veteranas, a partir daí sempre nos encontrávamos para surfar.

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Quantas fazem parte do grupo? São todas amigas? Aceitam qualquer menina que se interessar?

Eu conheci a Camila na aula de dança do ventre, no Studio Mahari. Ela surfava de bodyboard e então começamos a surfar juntas, convidei ela para fazer uma festa na praia e tudo fluiu muito bem. As parcerias surgiram, Ingrid Decker se apaixonou pela festa e agitou logo uma surf trip para Ubatuba e nos apresentou a Manuella Brasil, depois chegaram Carol Schio, bióloga, e a Bruna.

O grupo muda constantemente e é exclusivo para mulheres, o objetivo principal é integrar e fortalecer cada vez mais o surf feminino, promover a cultura do surf e a união entre as surfistas. Independente do estilo ou nível técnico visa a confraternização, a troca de experiências, de técnicas de surf e a produção de imagens.

A paixão pelo mar, pelas ondas e pelo surf nos reuniu em astral, vibração e ideais, com uma sintonia tão perfeita que deixou o Universo inteiro em sincronia.

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O que vocês fazem para incentivar o surf feminino? Têm ações específicas?

Realizamos o Festival Filhas do  Mar que conta com aulas de surf, gincanas, oficinas de yoga, tecidos acrobáticos, dança, capoeira, slackline e limpeza da praia, além de exposições de arte que expressem o lifestyle do surf feminino.

Trabalhamos com a educação ambiental, procurando incluir a surfista como parte essencial na conservação dos oceanos. Também fazemos campeonatos de surf para impulsionar a categoria feminina no surf, e para animar o festival contamos com bandas aos vivo.

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E o nome, como e porque ele as define?

Filhas do Mar define nosso lifestyle, tendo em vista o amor, o respeito que sentimos pelos oceanos e por toda a natureza. Quando estamos surfando é como se estivéssemos em casa em família. Nos sentimos parte do mar.

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As Filhas do Mar tiveram ou têm alguma referência/inspiração?

As referências e inspiração para criação do grupo com certeza foram todas as sensações e aprendizados que vivemos quando estamos no mar, e também a vontade de transmitir a gratidão por ter a oportunidade de viver nessa vibe positiva e mais ainda dedico meu surf as meninas e mulheres que não podem surfar por algum motivo.

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Além do surf quais outras atividades fazem parte da rotina das Filhas do Mar?

A maioria das meninas pratica yoga, pilates, corrida, stand up paddle, natação, dança, aulas de música.

Quais os planos futuros para o grupo?

Fazer uma escolinha de surf com o objetivo de promover a educação, o desenvolvimento pessoal e a integração social, através do esporte, bem como formar e manter uma equipe permanente de atletas femininas, que representem o Município de Garopaba em eventos esportivos.

Aulas semanais focando na preparação física com prática de natação, yoga, apneia e exercícios aeróbicos. Aulas de surf com professores capacitados, instruções sobre segurança no mar, aulas e ações de educação ambiental, além de orientação feminina (saúde, sexualidade, beleza, etc.);

Avaliaremos as alunas por meio de uma agenda com anotações da performance das atletas ao longo das aulas, acompanhamento por meio de imagens (vídeos e fotos), surf-treinos e campeonatos. Desta forma, viemos por meio deste projeto buscar explorar todos os nossos potenciais na fomentação, promoção e divulgação do surf como estilo de vida, tornando esse esporte uma importante ferramenta de conscientização e transformação socioambiental.

Para saber mais sobre os projetos acesse a página das  Filhas do Mar.

 

Entrevista e introdução por Amanda Oshida

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