Surfari | Surfari Entrevista: Deriva Surfari Entrevista: Deriva | Surfari

Surfari Entrevista: Deriva

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Você sempre começa alguma coisa pensando onde um dia vai chegar, ou em objetivos que você deseja atingir. Ambicioso ou não, você tem um plano. Os desejos possuem algumas ramificações de um indivíduo pra outro mas em geral flutuam numa gama espectral de trabalhar com o que se gosta, ganhar um dinheiro razoável, ser uma referência e curtir a vida adoidado. Aos poucos você vê que talvez a vida planifique esses desejos em um gráfico de vetores em que o dinheiro é inversamente proporcional aos demais. Mas aí você resolve tocar o foda-se e decide que os outros três objetivos são suficientes para pautar sua vida, e então ninguém sabe se é por curtir a vida adoidado que você trabalha com o que gosta e vira uma referência, ou se trabalha com o que gosta, se torna uma referência e aí curte a vida… O que parece é que essa engrenagem funciona pra quem dá um peitasso no mundo e diz que vai criar algo porque teve a visão. É o caso de Guilherme Rosa, 30 anos, designer gráfico e ilustrador, Tomas Hermes, 28 anos, surfista profissional, filmmaker e editor de conteúdo e Pablo Aguiar, 31 anos, filmmaker, amigos de longa data e parceiros na criação de um dos melhores sites de surf do Brasil, do continente, do mundo. Há anos produzindo conteúdo de qualidade no surf, e encontrando maneiras alternativas de sobreviver pra que sua visão do esporte não fosse deturpada, eles perceberam que tinham a faca (os meios de produção) e o queijo (os surfistas profissionais e amigos) na mão, e que ninguém produzia aquilo que eles queriam ver. Nessa entrevista que os três criadores deram ao Surfari, num formato de perguntas iguais para todos inspirado em uma matéria que fizeram para a DerivaMag, dá pra perceber que engrenagem dos objetivos está girando.

deriva-mag-surfari

SURFARI: Vocês são insistentes hein?! Mesmo sabendo que esse mercado não dá muita grana, se juntaram pra criar conteúdo, como e por que surgiu essa união mais recente?

TOMAS: Acreditamos que, como na região norte do estado (SC) tem uma galera muito sinistra em criar e produzir, todos nós (Pablo, Tomas, e Guilherme), fomos influenciados por essa galera.  Há tempos sentimos uma carência de conteúdo no Brasil, ligada ao estilo que vida do surf, ligado às comunidades de designers, à produção, à fotografia.

GUILHERME: A nossa galera já fez e ainda faz muita coisa porque realmente gosta! O financeiro nunca foi o objetivo principal. Vimos que tinha uma lacuna no mercado e juntando o Tomas que tá sempre correndo etapas no tour e conhece a galera toda, o Pablo que tem um trampo sinistro em produção de vídeo e também conhece todo mundo e eu que trampo com design, a gente percebeu que tava com a faca e o queijo na mão, foi só organizarmos as ideias e demos início ao projeto.

PABLO: Acho que a palavra carência resume isso, sentíamos muita falta de ver algo novo e não algo que todo mundo rebloga nos sites. É difícil criar algo com sua cara e identidade, e levamos isso muito à sério no Deriva. Muitas pessoas não sabiam editar direito o nosso conteúdo, então pensamos: “pra que passar pros outros o que a gente sabe fazer também?”, botamos a mão na massa e surgiu o Deriva que é esse role da galera que está querendo produzir junto com a gente.

SURFARI: Como vocês enxergam as oportunidades de mercado e a dinâmica de trabalho estando (mesmo que apenas fisicamente) fora do eixo Rio-SP? 

GUILHERME: Acredito que o Deriva entrou numa brecha de mercado sim, fizemos algo que não existia, pelo menos aqui no Brasil. Mas não foi nada planejado, apenas rolou. A gente sentiu uma necessidade pessoal e botamos o plano em prática. E, no final das contas, acho que essa nossa vontade, de ter um conteúdo com linguagem própria, era também o que outras pessoas estavam sentindo falta. Hoje em dia é muito tranquilo trabalhar e ter um negócio, mesmo estando longe de um grande centro. O mundo está praticamente todo conectado, galera tá 24hs plugada no celular ou num pc, então isso facilita muito a comunicação e o jeito com que nos comunicamos. Nesse aspecto eu não vejo desvantagem estar fora do eixo Rio-SP. A internet ta aí pra quase todos e se tu faz um trabalho bem feito, não importa onde você esteja mais cedo ou mais tarde esse trabalho vai gerar um retorno.

TOMAS: Se fôssemos tentar enxergar as oportunidades de mercado no Brasil, o Deriva nunca teria saído do papel…

PABLO: A maior vantagem de estar nesse eixo é pra ficar enchendo o saco da galera que está lá, é poder apresentar um trabalho direto na mesa da pessoa, mas com a internet temos feito tudo daqui. Não sei dizer ao certo o quão melhor seria ter um espaço físico nesse eixo, mas no momento nem cogitamos estar nesse espaço dos grandes tubarões.

Yago Dora . argentina . foto tomas hermes

SURFARI: Cita aí um diretor de cinema que e um pintor que são referências pra vocês.

TOMAS: Falando de cinema “um diretor” é Quentin Tarantino, falando em filmes de surf o trabalho do Joe G. é sempre referência.

GUILHERME: Um cara que eu acho foda no cinema é Clint Eastwood, já pintor é difícil falar, mas diria Van Gogh.

PABLO: Gaspar Noé, Tarantino e pintor sei lá eu curto bastante arte de rua Basquiat, Os Gêmeos, Banksy, Shepard Fairey e por aí vai…

SURFARI: Quais os planos pra marca Deriva, falando em termos offline (produtos, eventos, ideias).

TOMAS: O plano é deixar rolar, nossas cabeças não param de pensar em ideia novas, offline, online… a ideia no momento é buscar, criar e disseminar conteúdo…

GUILHERME: Ideia é o que não falta. Mas não ficamos pensando muito no futuro, vamos fazendo nosso trabalho conforme as oportunidades aparecem.

jr faria . hawaii . foto tomas hermes

SURFARI: Qual seria a session dos sonhos (local, surfista, conceito, equipamento)?

GUILHERME: Qualquer lugar com boas ondas, bons amigos, cerveja e pouco crowd.

PABLO: A que a gente mais conseguisse se divertir, o surf é isso, diversão.

SURFARI: Falando de maneira mais ampla, se um dia o Deriva acordasse com R$ 1 bilhão na conta, pra que lado vocês levariam a história?

TOMAS: Meu Deus, iria sair muita brutalidade, rsrs! O número de parceiros, videomakers, fotógrafos e criadores no geral iria ser muito grande!!! E, com certeza, o lado principal continuaria sendo o surf, de onde o Deriva surgiu, e é de onde vem as nossas inspirações  “o Pablo, iria fazer vários filmes por ano, e as festas dessas premières iriam ser absurdas!”

GUILHERME: Ia ser foda! Acho que de primeira eu iria dar a ideia de fazer uma surftrip com vários amigos… gastar um pouco dessa grana com a galera!! Depois, criaríamos vários projetos dentro da plataforma Deriva. Webséries, campeonatos, produtos, festas, etc. Conseguiríamos pelo menos testar várias ideias, sem precisar de um patrocinador. Enfim, acho que iria dar um gás animal nas coisas mas mantendo o foco inicial que é o surf e a nossa linguagem.

PABLO: Acho que a primeira coisa seria não perder toda essa essência, que isso nem um bilhão paga. Manter o Deriva como ele realmente é, só que iríamos conseguir viabilizar muitas coisas, o leque iria se abrir muito mais, enfim seria não perder o foco, e sim melhorar a coisa toda.

Felipi e Alejo . ferry . Australia . foto tomas hermes

Surfari: Enquanto esse R$ 1 bi não aparece, quais os próximos passos?

GUILHERME: Enquanto não entra essa grana toda, vamos seguindo nosso trabalho. Temo alguns projetos pela frente, ideias não faltam… Mas preferimos focar no presente, pé no chão e deixar rolar e ver o que o futuro nos espera.

PABLO: Trabalhar com amor, fazer o que gostamos, esses são os passos que tentamos manter todos os dias.

Acompanhe mais sobre o Deriva nos canais: Site, Facebook, InstagramVimeo

Instagram