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Surfari entrevista: Danielle Fonseca

Surfari
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Esses dias abri o e-mail de contato do Surfari e para minha grata surpresa, vi que tínhamos 3 novas mensagens nos apresentando seus trabalhos. Pouco para um grande veículo de comunicação, mas o bastante para colocar um sorriso no rosto do humilde editor que lhe dirige. Dentre eles estava um original, denso e inteligente trailer de um filme que buscava desvendar a mística sobre o ato de deslizar em ondas. Tínhamos que saber mais sobre a mente por trás do projeto.

Abaixo, tomei a licença, de copiar a biografia do site pessoal de Danielle Fonseca, a artista por trás do filme ‘A Vaga’ e outras criativas intervenções artísticas.

Danielle Fonseca nasceu em 1975, vive e trabalha em Belém. Sua poética é composta a partir de elementos da literatura, da música e da paisagemFoi artista convidada para a exposição “Abre-Alas” na Galeria A Gentil Carioca (2008), no Rio de Janeiro. Participou da exposição coletiva “Swimming Pool, mergulho de olhos abertos” na Galeria Graça Landeira (2008) em Belém do Pará. Em 2009, participou da exposição Coletiva “Aluga-se”, na Galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro. Foi Selecionada no Salão de Artes de Jataí em Goiás e convidada para a exposição “FotoAtiva Pará – Cartografias Contemporâneas” no SESC, São Paulo, e participou do “FOTORIO 2009”, no espaço Oi Futuro, Rio de Janeiro.

Como foi sua introdução à arte? Quem foram teus incentivadores e principais referências?

Comecei por volta de 1995 em Belém, onde nasci, vivo e trabalho, e desde então tenho participado de exposições, salões de arte, projetos etc. Em agosto farei uma individual. Minhas referências vão desde os poetas Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari, músicos como John Cage, também admiro muito artistas como a Brigida Baltar, Mira Schendel, e os grande artistas das ondas Gerry Lopez e Rico de Souza. Minha família sempre me incentivou muito nas artes.

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O que mais te fascina no surf? Conta um pouco como foi essa aproximação com o esporte/estilo de vida?

O surf é uma paixão de longa data, comecei na década de 80 com aquele famoso boom do esporte, que acabou chegando até Belém (risos). Mas isso muito teoricamente, principalmente, porque em Belém não tem praia, a mais próxima com condições de ondas (e de água doce) fica a cerca de 1h30 da capital, o que acho que contribui até hoje para esse fascínio da busca da onda, da praia dos sonhos. Aqui na Amazônia estou cercada por águas exuberantes. Surf deveria fazer parte de nosso estilo de vida, naturalmente. Uma das coisas que mais me fascina no surf é o fato de serem três “corpos” em movimento, surfista, prancha e onda. E ao mesmo tempo um equilíbrio perfeito entre essas forças. Ver o Gerry Lopez surfar é tão bom quanto ir a um museu de arte, a força contemplativa é a mesma.

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No que consiste o projeto “A Vaga”? (Conta um pouco dos bastidores, como foi a concepção, execução, objetivos etc).

‘A Vaga’ é um média metragem de 35′ que fiz a partir da pesquisa “As Ondas: Um encontro de escorrego entre arte e surf”, projeto que foi contemplado com a Bolsa de Pesquisa, Experimentação e Criação do Instituto de Artes do Pará em 2010. Foi a primeira vez que decidi falar sobre essa minha paixão pelo surf através das artes visuais, escrevi um roteiro depois de ter lido o fabuloso texto do filósofo Daniel Lins “Deleuze : O surfista da imanência”, todo aquele significado, aquela relação milenar do surf com a arte e a filosofia (até mais) foi clareado quando li o texto. Daí comecei uma série de entrevistas com artistas, filósofos, surfistas e a captar imagens no Rio de Janeiro e Belém. Além disso, recebi imagens de convidados que estavam na Indonésia, como o poeta Felipe Stefani, da Monja Isshin de Porto Alegre, e do surfista, filósofo e editor da Revista Francesa Surf Session Gibus de Soultrait que entrevistei através de Skype. Para a edição do filme contei com a participação dos artistas Lucas Gouvêa e Keyla Sobral, que também assina a codireção. Esse filme tem sido uma grande surpresa pra mim, um presente.

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Conte um pouco da cena artística de Belém e como você faz para se manter produzindo e criando.

Belém vive um grande momento nas artes visuais, há grandes artistas por aqui e uma ascensão muito importante, que pontua como um grande celeiro de pensamento, produção cultural, musical, e fotográfico (esse muito tradicional). Ainda não vivo somente da produção com artes visuais, mas tenho isso como objetivo.

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Quais são seus projetos recentes ou que estão para acontecer?

Recentemente venho trabalhando com os desdobramentos da pesquisa com o surf, construindo pranchas de madeira madeira – as tradicionais e ancestrais com madeiras de reflorestamento daqui – chamo de esculturas de usar. Mas, o mais interessante é levá-las para museus e galerias, onde tradicionalmente elas não estariam e mostrar o caráter contemporâneo delas, como objeto ou escultura. Há também uma série de autorretratos intitulada “Um retrato da artista quando surfista” que participa do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Estou preparando uma exposição individual que acontecerá em agosto na Kamara Kó Galeria onde reunirei parte recente da minha produção.

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Comentários?

Gostaria de encerrar com uma história verídica: Num determinado momento de sua vida, o filósofo francês Gilles Deleuze, passou a receber cartas que falavam a respeito de sua famosa Teoria das Dobras. Em uma delas, um surfista (Gibus de Soultrait) escreveu a Deleuze: “Estamos sempre nos insinuando nas dobras da natureza. Para nós, a natureza é um conjunto de dobras móveis. Nós nos insinuamos na dobra da onda, habitar a dobra da onda é a nossa tarefa”.

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Introdução e entrevista por Lucas Zuch.

 

 

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