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Surfari apresenta: Myron Paterson e a Lente Salina

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Myron Paterson Neto é o mais novo integrante do time de ativadores do Surfari. O estudante de Geografia, pela Universidade Federal da Bahia, e entusiasta da fotografia de surf mostrou uma disposição tão grande em suas primeiras colaborações que, assim como no caso de Guilherme Pallerosi (Madeira e Água), publicamos suas matérias antes mesmo de ter a chance de apresenta-lo. Para ficar por dentro das ideias e planos de Myron que, dentre outras coisas, é editor do blog Lente Salina confira a entrevista a seguir.

Seja bem vindo Myron!

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Como foi o seu início no surf? Quem foram os influenciadores? Quem eram os ídolos que você se espelhava?

A minha história com o surf começa aos 15 anos de idade. Meu pai constumava me levar constantemente para as praias de Salvador e todos os domingos estávamos em alguma praia tomando um banho de mar, comendo abacaxi e tomando água de coco. Antes dos meus 15 anos tive um bodyboard da Speed e gostava de ficar descendo as espumas e me divertindo como qualquer um que vai à uma praia no fim de semana.

Tudo começou aos 15 anos, pois foi próximo ao meu aniversário que falei ao meu pai que queria aprender a surfar. Como presente de aniversário, eu ganhei um bodyboard das Lojas Americanas e virei assíduo das praias de Salvador. Todos os dias da semana indo para praia, perguntando, observando e me divertindo com o fato de poder deslizar as ondas da praia do Corsário. Nessa época houve muitas histórias engraçadas. Sempre que saíamos do mar, eu e meus amigos, gastávamos todo o nosso dinheiro com cachorro quente e voltávamos a pé para casa. E olha que não era um caminho curto, uns 25 km de “paletada” em baixo de um sol nada fresco.

Vivi dos meus 15 anos aos 22 surfando de bodyboard e tive a oportunidade de conhecer caras como Guilherme Tâmega. Lembro de ver Tâmega na praia de Jaguaribe, olhei para ele e não conseguir falar um simples: “e aí?”. Tâmega na sua humildade falou comigo e eu disse que ele “surfava muito”. Como recompensa ele autografou meu bodyboard da Gênesis. No meu tempo como bodyboader, confesso que não tinha muito talento, mas convivi com grandes bodyboarders do cenário nacional e mundial como: Uri Valadão, Renê Xavier, Márcio Torres, Alexandre Milazzo, Fábio Pinheiro etc. Conviver principalmente com Valadão foi uma das experiências especiais, afinal, não é todo dia que você tem um campeão mundial ao seu lado. Até hoje, mesmo não convivendo como em outras épocas, Uri sempre lembra de mim e me trata com alegria, isso realmente me deixa muito contente.

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Ao longo dos anos fui buscando outras coisas: colégio, namoradas, universidade etc… Acabei me afastando do mundo do bodyboard e por influência de um amigo da universidade botei uma prancha no pé. A verdade é que quando pegava onda com o BB, eu sempre me amarrava em descer umas esquerdas no Drop Knee e me dava muito bem. A partir daí passei a ser um surfista. Hoje, como um cara simples e com pouco talento, me divirto em algumas ondas.

No mundo do surf tenho vários ídolos. No bodyboard o próprio tâmega, José Otávio, Valadão, Alexandre e Henrique Milazzo, Renê e Márcio Torres por seu um grande professor e amigo. Na área das três quilhas, eu realmente me inspiro em Rob Machado. Um surf clássico, linha suave, leitura de onda anormal. Na moral, acho que ele surfa mais que o Kelly Slater.

 

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Myron na onda.

Como a fotografia entrou na sua vida? E a fotografia de surf, o que te motiva a enveredar para esse lado?

A fotografia na minha vida é muito recente. A verdade é que não sou nenhum fotógrafo profissional, mas sim um amador meio confuso pelo caminho que se deve seguir nessa arte. Na UFBA, cursando Geografia, estava muito indeciso sobre o que fazer da vida. Acabei trancando o curso por um ano e comecei a estudar fotografia pelos livros e apostilas. Comprei uma máquina compacta e botei na minha cabeça que iria fotografar caras descendo em ondas. Bem, como você pode imaginar, uma compacta não é muito indicada para fotografar o surf. Acabei gastando uma grana com essa câmera, mas serviu como experiência de vida. A compacta não encaixou para fotografia de Surf, mas permitiu o meu interesse por outros ramos da fotografia.

Acho que me ligo na fotografia de surf pelo simples fato de poder registrar algo onde enxergo tanta magia e beleza. Um esporte que lhe permite um convívio maravilhoso com a natureza, uma visão diferente do mundo e principalmente ter novos amigos. Confesso que preciso me dedicar muito mais a fotografia e isso está em meus objetivos breves.

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Fotografia de Myron vencedora do Concurso Cultural da Nikon Brasil ‘Eu sou a Imagem do Brasil’. Arraial d’Ajuda, Bahia.

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Igreja Católica de Cícero Dantas, Bahia.

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Como surgiu o Lente Salina?
O Lente Salina surge por causa do Blog do Luciano Burin. Navegando pelo Google descobri o Surf & Cult e gostei muito do que estava lendo. Luciano realmente escreve textos bacanas e isso me motivou a escrever um pouco sobre o mundo do surf. Nunca vi o Luciano, mas entrei em contato com ele e perguntei como deveria seguir esse caminho do “jornalismo de surf”. A partir disso criei o Lente Salina. O LS é uma junção da fotografia e do surf, o blog surge da vontade de falar desses temas. As imagens feitas por fotógrafos são responsáveis por espalhar esse esporte pelo mundo e os profissionais que seguem o caminho desse tipo de fotografia são bastante desconhecidos, então nada melhor do quer abrir um espaço para essa classe de fotógrafos. Conhecer essas pessoas, seus trabalalhos, um pouco das suas vidas e dificuldades é realmente gratificante. Jamais pensei que com o humilde Lente Salina eu poderia ter acesso a grandes fotógrafos como Chris Burkard, Tim Nunn, Pedro Gomes e todos os outros no qual conversei. A fotografia é arte e o surf também.

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Descreva um pouco sobre a cultura de surf na Bahia.

A Bahia talvez seja um dos Estados mais ricos em cultura no mundo. Contudo, é um Estado que muitos dos profissionais são desvalorizados e não possuem o devido apoio para desenvolver o seu trabalho. Um Estado rico em termos de cultura, história, beleza paisagística, mas que apresenta um descaso triste e projetos de desenvolvimento cultural voltado para o turista.

Infelizmente, tantos os bodyboarders como os surfistas têm que procurar patrocínios e incentivos fora da Bahia. Uri Valadão, campeão do mundo na sua modalidade, não possui um incentivo adequado para o seu nível. Além disso, temos o Danilo Couto, uns dos maiores big riders do mundo que buscou sua vida fora do Brasil e reaparece no Farol de Itapuã quando quebra uns 4 metros. É uma realidade triste, como na maioria do Brasil. Porém, aqui há ondas de qualidade e atletas de alto nível que mesmo com essas dificuldades mostram a sua capacidade. Agora, o incentivo para o esporte é ZERO.
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Quais são seus próximos projetos?
Existem muitas ideias. Todavia, eu pretendo terminar o meu curso de Geografia e me tornar um Geógrafo. Além disso, no final do ano vou prestar um vestibular para ingressar em uma universidade para cursar Jornalismo e evoluir muito mais essa minha vontade de escrever sobre o surf. Pretendo fortalecer o Lente Salina e torná-lo um veículo forte e exclusivo para os fotógrafos de surf, seus trabalhos, histórias e tudo mais. Estou pensando nesse projeto veementemente. Existem outros mais e que em breve todos ficarão sabendo.
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Entrevista por Lucas Zuch.

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