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Surfari apresenta: Mark Daniel

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Ao nascer em algum hospital de Porto Alegre no ano de 1988, ele foi agraciado com um cartão de visitas um tanto quanto diferenciado. “Ele vai se chamar Mark Daniel” À partir desta frase o destino do garoto nunca mais foi o mesmo, afinal, um cara com um nome tão artístico nunca poderia ter uma vida convencional. Você consegue imaginar um empregado do almoxarifado sendo chamado de Mark Daniel? Claro que não!

Fato que com o passar do tempo a sensibilidade artística de Mark ultrapassou qualquer expectativa gerada ao redor de seu nome. O garoto estabeleceu um novo patamar nas produções audiovisuais relacionadas ao surf no Sul do Brasil e logo ganhou reconhecimento nacional. Hoje Mark viaja junto com a nova geração do surf brasileiro e representa muito bem um novo modelo de equipe que envolve o surf profissional. O Surfari está feliz em apresentar mais um nome de peso no time de ativadores. Confira a entrevista e conheça mais sobre ele e seu trabalho!

Conta um pouco da tua história no surf (skate e outros esportes podem fazer parte do relato) e como ocorreu a transição para as lentes.
Minha história no surf começou muito cedo. Tenho uma família grande, uma irmã e três irmãos, e todos surfam. Como sou o mais novo da casa, desde que me conheço por gente (e olha que faz tempo hein) tenho muito presente na memória meus irmãos indo surfar com os amigos e eu fugindo de casa correndo de fralda atrás deles. Então o surf e o skate sempre foram um caminho natural pra mim, devido a todo esse ambiente que fui criado.

 

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Mark mostrando que também sabe atuar do lado de lá das lentes. Fonte: Arquivo pessoal

 

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Mais um exemplo da sua performance dentro d’água, desta vez no México. Foto: Arquivo pessoal

 

Agora a transição para as lentes nem eu sei direito como aconteceu. Mas foi mais ou menos como as coisas acontecem na minha vida. Um belo dia estava sentado em casa, olhando algum filme de surf, e pensei “Cara eu consigo fazer isso tbm” Aí comecei a me interessar por fotografia e filme e quando ia pra praia levava a câmera e ficava revezando com os amigos. Do nada, conheci o Vini Fornari que mesmo sem eu nunca ter produzido nada acreditou em mim e fizemos umas viagens e produzimos um pouco, juntamente com o Nelson Pinto.

 

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Um dos primeiros projetos de sucesso de Mark Daniel. “Tales from the desert” estreiou em Fevereiro de 2011

 

E a partir disso, digamos que as portas do mundo do surf se abriram pra mim. Mercadologicamente (existe isso?) falando, o mundo do surf é uma porta estreita e ela sempre tenta fechar na sua cara. Dá pra contar nos dedos (dois ou três já basta) quem realmente se dão bem. Mas independente de qualquer obstáculo, é muito gratificante viver momentos incríveis com alguns amigos que você vai levar pro resto da vida, provavelmente vai contar isso pros teus filhos e netos e eles vão achar que é mentira! Sem falar no crescimento absurdo que viajar nos proporciona. Hoje, me considero um ser humano muito melhor do que seria se tivesse cursado uma faculdade de economia, por exemplo, e estivesse sentado no escritório analisando os gráficos da bolsa. Esse amadurecimento não tem preço. É aquele velho clichê, mas é a mais pura verdade.

 

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À trabalho na Indonesia. Fonte: Arquivo pessoal

 

Hoje em dia, com acesso mais fácil aos meio de produção muita gente produz conteúdo (e diversas vezes coisas muito boas), como tu procura diferenciar o teu trabalho do oceano digital de conteúdo surf?

 Sinceramente, eu não fico preocupado pensando em maneiras de como diferenciar meu trabalho dos outros. Vejo muita coisa por ai, algumas acho legal, outras não. No final das contas, eu produzo coisas que eu gostaria de assistir. Não to preocupado se as pessoas vão curtir isso ou aquilo, ou vão gostar da música. Não sei se é egoísmo ou individualismo, mas na minha cabeça é assim que funciona. Faço coisas que eu gosto.

 

 

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Frames do deserto chileno. Fonte: Arquivo Pessoal

 

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Fonte: Arquivo Pessoal

 

Na tua opinião, o quanto pesa no resultado (ou talvez no alcance) de uma produção a tecnologia e qualidade do equipamento usado? Fala um pouco dos equipamentos que você usa:

 Os equipamentos podem fazer uma grande diferença na qualidade de uma produção. Mas o sucesso não está diretamente ligado a isso. Tanto que os filmes que mais gostei na minha vida não foram super-produções. O grande problema é que se tu estiver trabalhando com o melhor equipamento disponível por exemplo, a expectativa em cima vai ser muito grande. E todos sabem que quando se cria muita expectativa é difícil de tu conseguir fazer jus a todo hype que foi criado. O surf tem vários exemplos disso. Então acho que o segredo do sucesso, pra qualquer coisa na verdade, é fazer tudo com amor. Botar o coração mesmo e realmente acreditar naquilo que tu estás fazendo. Independentemente se você está filmando com uma RED Epic ou com um Sony miniDV que teu pai gravava teus aniversários no século passado.

 

Quais são as tuas fontes de inspiração? No surf e, principalmente, fora desse universo.

 No meio do surf sempre gostei do Kai Neville. Desde que ele trabalhava na ASL já gostava do trabalho do cara e sabia que ele poderia fazer algo que ninguém imaginava. Foi o que ele fez com o Modern Collective. Aqui no Brasil sempre gostei muito do trabalho do Pablo Aguiar, ele foi uma grande inspiração pra começar a se mexer e fazer as coisas acontecerem. Existem vários que admiro e aprecio, tanto aqui como lá fora. São muitos nomes pra dizer. Fora do surf sempre gostei muito de tudo que envolva moda. Acompanho mesmo e tento interagir nesse meio. E sempre gostei muito de cinema também, nada de enlatados hollywoodianos. E um pouco de literatura, como Bukowski, George Orwell, Gabriel Garcia Marques, Jack Kerouac, etc.. Quanto mais inspirações de fora tu conseguir trazer, melhor.

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Mark Daniel atuando um pouco fora da “zona de conforto”. Fonte. Arquivo Pessoal

 

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Um dos melhores frames de Mark, com certeza. Fonte: Arquivo pessoal

 

 

Se tu fosse isolado num lugar e pudesse escolher apenas 2 filmes (um de surf e outro de qualquer gênero) para assistir durante um mês, quais seriam eles?

De surf acho que seria o Modern Collective ou até quem sabe o Thicker Than Water. Dois filmes bem distintos. E fora do surf, acho que fico em dúvida entre 2001 uma Odisséia no Espaço ou Forrest Gump. Dois filmes bem diferentes também. Mas os dois filmes são longos e tem vários detalhes que tem que assistir várias vezes pra pegar. O 2001 tem muita simbologia, precisaria de um livro pra auxiliar no entendimento.

 

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2001: Uma Odisseia no Espaço. FIlme clássico de Staley Kubrick

 

 

Qual o surfista e onda tu gostaria de registrar caso tivesse um orçamento ilimitado?

Essa é difícil. Com um orçamento ilimitado, dá pra inventar muita coisa. Sei lá se iria fechar a praia de Trestles e botar o Dane Reynolds sozinho surfando. Ou se iria pra um lugar completamente inóspito e inédito. Nem é bom ter um orçamento ilimitado, acho que um limite é preciso pra estabelecer os objetivos e se planejar melhor heheh

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Lugares inóspitos como este no México, na companhia do jovem talento Yago Dora. Foto: Leandro “Grilo” Dora

 

O que está nos planos de Mark Daniel para o futuro próximo?

Meu futuro próximo é simples, quero continuar fazendo o que estou fazendo. No momento (Novembro de 2012) estou a caminho do Hawaii. Lá vamos dar os primeiros passos de uma jornada, junto com o Nelson Pinto e o Ricardo dos Santos. Vamos começar a alçar voos maiores (hmmmm voa borboleta!) Estamos com varias ideias e no inicio do ano que vem as coisas vão começar a sair do papel e das nossas cabeças. É basicamente isso.

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“God save the queen” Mark registra a rainha da série em mares havaianos. Na temporada 2012-13 o cinegrafista acompanhou Ricardo dos Santos, Yago Dora entre outros surfistas. Fonte: Instagram Mark Daniel

 

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“Don’t look back” Outro frame, desta vez de imagens captadas na Namíbia. Fonte: Arquivo Pessoal

 

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Mark e seu equipamento na beira da praia da Indonésia Fonte: Arquivo pessoal

 

Seja bem vindo Mark Daniel

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Introdução: Duda Linhares

Entrevista: Duda Linhares e Lucas Zuch

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