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Surfari apresenta: Junior Faria

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Não quero maldizer a indústria do surf, seus atletas e stakeholders, afinal, também faço parte dela, mas quando ouvi rumores de o Junior Faria tivera seu contrato rescindido com a empresa que o patrocinava, fiquei perplexo. Não somos exatamente reconhecidos pela sagacidade intelectual e, tampouco, pela liberdade criativa (principalmente no campo esportivo), e lá estava um manifestante dessa vertente sendo deixado de lado por seu apoiador. Não faço ideia do motivo e muito menos dos termos desse contrato, por isso sem julgamentos aqui, mas foi nesse movimento que percebemos que Junior teria algum tempo extra para se dedicar a explorar sua vertente criativa, e assim, o convidamos para se tornar Ativador do Surfari

Esperamos que o espaço democrático e de livre pensamento seja uma plataforma de lançamento para as ideias, pensamentos e divagações deste criativo surfista-cronista-fotógrafo-artista.

Seja bem vindo ao time! 

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Como foi o seu início no surf e quando percebeu que sua vida evoluiria à volta do oceano? (tanto em termos de influenciadores – parentes ou ídolos – e relação com o esporte e outras atividades esportivas)

Comecei a pegar onda por influência do meu pai que gostava de surfar nos finais de semana, nasci e cresci no Guarujá (estado de SP) portanto é natural pra mim estar perto do mar. Minha vida é ligada ao oceano por essa proximidade que eu tenho com o mar desde que nasci, tem gente que passou a infância jogando bolinha de gude, futebol, empinando pipa… Eu passei a maior parte dessa fase da vida no mar e na praia. Acho que isso explica bastante coisa.

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Junior acampando próximo as ondas. Fonte: Julioadler.blogspot

 

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Junior Faria totalmente comprometido, Fernando de Noronha. Foto: Hang Loose Pro Contest

 

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Junior Faria celebrando sua vitória no WQS South to South no Farol de Santa Marta (2010) Fonte; Craud.net

 

Explique um pouco de como começou a se envolver com a escrita, a fotografia e outras expressões artísticas além do surf propriamente dito..

Certa vez fui pro Marrocos numa surf trip e o Edu Stryjer, editor da revista Hardcore na época, pediu pra eu escrever a matéria sobre aquela viagem. Até então só escrevia dissertações, redações de escola ou coisas do tipo. Depois disso escrevia um texto ou outro pro meu blog mas nada muito sério. Levei essa coisa de escrever a sério depois do generoso convite do Steven Allain, atual editor-chefe da revista Hardcore, para uma coluna mensal na revista. Estou há mais de três anos com o “Frames” saindo mensalmente na HC e tenho tratado com muita atenção e carinho essa forma de expressão. Já a fotografia é algo que gostava de fazer pra documentar os lugares que conhecia viajando pra pegar onda, fui fisgado de verdade quando um amigo e artista de mão cheia chamado Tom Toledo, me apresentou às câmeras analógicas, em especial a tal Holga 110. Fiquei encantado e desde então procuro conhecer mais e mais sobre essa arte intrigante que é escrever com luz.

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“Eu Mesmo Faria” Um filme sobre as lembranças de estrada de Junior Faria e amigos. Fonte: gruposal.com.br

Fale um pouco sobre os seus sentimentos em relação à “ditadura da tri-quilha” e o preconceito da maioria dos surfistas em relação a equipamentos alternativos.. conte como foi a reação das pessoas à sua volta quando começou a experimentar designs..

Não acho que é uma ditadura. A thruster é o design de prancha mais eficiente e versátil que conseguimos criar até hoje, é natural que seja a configuração predominante pela sua indiscutível eficiência. No meu caso, eu gosto de experimentar outros desenhos, outras configurações e formas diferentes de pegar ondas. Algumas pessoas reagiram de forma engraçada quando comecei, muito cedo, a explorar outros tipos de equipamento. Mas isso não durou muito tempo e hoje dificilmente alguém “pega no meu pé”.

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Foto: Ricardo Borghi

 

 

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Fonte: ecoobservatorio.blogspot 

 

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Fonte: Siebert Surfboards

 

Como você vê as marcas e a cena surf brasileira em relação ao caminho que surf percorre em lugares como Califórnia e Austrália (em termos de experimentação, arte e expressão.. por exemplo, tu achas que chegaremos naquele nível de cultura?)

Bom, como diria o Julio Adler: “esse é um assunto um tanto melancólico.” A cena de surf no Brasil é muito nova quando comparada a outras potências mundiais. Estamos engatinhando quando comparados aos Havaí, Austrália e Estados Unidos. Estou falando da cultura de surf como um todo, não só performance e competição. Já nos firmamos como uma potência no cenário competitivo e certamente vamos evoluir ainda mais. Mas vamos evoluir à nossa maneira, dentro das possibilidades da nossa educação, da nossa economia e da nossa realidade. O Brasil é um país completamente diferente culturalmente dos lugares em que o surf se desenvolveu com facilidade, só isso já serve como um alerta para os mais puristas. Muitas variáveis entram em jogo nesse assunto e na maioria delas o lado negativo pesa mais pro nosso lado, portanto eu acredito que o surf brasileiro precisa, acima de tudo, aceitar sua própria identidade e trabalhar para amadurecer culturalmente antes de se preocupar com evolução.

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Fonte: Fotosurf – Cestari

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Fonte: Arquivo pessoal

 

Introdução e entrevista: Lucas Zuch

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