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Surfari apresenta: Iki Escopelli

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Vamos ser sinceros. A maioria das pessoas que estão lendo este post, prefeririam estar na Australia nesse momento.

Como os transportes públicos ainda não chegam até lá o que nos resta é imaginar. Uma outra solução é ficar ligado no Surfari e acompanhar as postagens do novo ativador, Luiz Henrique Escopelli em suas andanças na “Land of Down Under“. Ficamos muito felizes em ter Iki fazendo parte desta plataforma, que tem se tornado cada vez mais colaborativa. Conheça mais sobre o garoto na entrevista.

 

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Qual a sua idade? Onde nasceu e cresceu? Profissão (o que estuda e no que trabalha)?

Tenho 20 anos, nasci em Porto Alegre e antes de vir pra Austrália estava morando em Torres

Já trabalhei em diversas coisas desde que saí do colégio, mas minha verdadeira atividade é o surf e o jornalismo em geral. Antes de sair do Brasil fui colunista do jornal JC, de Torres, além de produzir matérias para outros veículos como o site Waves e Paipo Brasil. Atualmente edito vídeos e fotos, além de manter o blog e surfar diariamente aqui na Gold Coast.

 

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Direitas épicas em um dia comum na Gold Coast. Foto: Iki Escopelli

 

Como foi o seu início no surf? Quem foram teus incentivadores (tanto parentes quanto surfistas renomados)?

 Meus dois tios por parte de mãe foram os culpados. É interessante, porque tanto o Marco como o George, meu tio e meu padrinho, respectivamente, ajudaram a fazer do surf gaúcho o que é hoje (ou o que foi há uns 10 anos atrás, se fizer mais sentido). Quando jovens, tomaram parte na criação da ASTRI e organizaram diversos eventos amadores no RS. Já tendo surf no sangue, eles não hesitaram em me colocar em cima de uma prancha assim que comecei a caminhar na areia, e as primeiras memórias que tenho de estar surfando vêm de uns 11 anos atrás no Imbé, onde passávamos o verão. Quando fiquei mais velho, comecei a desbravar o outside. Me lembro de ondulações de dois metros de Leste quebrando lá fora, e eu com meus tios sentado esperando a série na última arrebentação. Minhas primeiras trips de surf foram para o Perú e Uruguay, sempre acompanhado por eles, e os alguns dos conselhos que já recebi sobre a vida e as ondas vieram de ambos. 

 Quando fiquei mais velho, comecei a procurar ondas por mim mesmo. Eu acho que a grande luz no meu caminho foi ter perseguido o surf além do final de semana. Dediquei todo meu tempo livre a estar dentro d’água. Peguei muito ônibus depois da aula na sexta ao meio dia com destino a Torres, sozinho, pra ficar no Hotel Farol e pegar ressacas de Sul sem ninguém na água. Tudo para voltar pro Colégio Unificado na segunda-feira de manhã com um sorriso no rosto. Fiz isso durante o segundo e terceiro ano do colegial e quando entrei na faculdade vi que era possível conciliar o surf e os estudos, sempre dividindo minhas semanas entre os dois. Nessa fase, minha ligação com a praia de Torres cresceu muito e hoje posso dizer que o canto dos Molhes é meu pico favorito no mundo todo.

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Iki mostrando como se sente confortável em casa. Os Molhes em Torres. Foto: Fernanda Correa

 

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Para a maioria das pessoas a grama do vizinho é mais verde. Para Iki o melhor lugar do mundo ´o quintal de casa. Foto:Iki Escopelli

 

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Também em Torres, a boca do rio Mampituba mostrando seu potencial. Foto Iki Escopelli

 

 O que significa o surf na tua vida e qual o papel que ele ocupa nela? Em que patamar você planeja alçar o surf na tua história de vida?

 O surf é tudo pra mim. É difícil explicar mas o surf define praticamente tudo o que eu faço no meu dia-a-dia e na minha vida em geral. Desde as músicas que eu escuto, as revistas que leio e os sites em que navego, até meus exercícios e atividades no tempo livre. Sem surf com certeza eu não seria quem sou hoje, e eu não gosto nem de pensar na possibilidade de não surfar.

Eu acho que o surf vem de dentro. Não existem patamares pra medir algo como isso. Envolve sentimento e técnica, razão e instinto, calma e tensão, nunca é igual ao que foi da última vez.

Gosto de pensar no surf como na vida. Se você pensar demais, vai vacar, e se surfar para os outros verem, também. Se sua mente não estiver 100% ali naquele momento, as ondas com certeza não virão pra você. No surf, como na vida, o ideal sempre é o equilibrio. Basta olhar para o horizonte e perceber que com todo o céu e toda a água a nossa volta, estamos sempre no meio, entre um e outro, metade pra dentro d’água, metade pra fora. E assim como na vida, a melhor parte do surf é que sempre há mais séries a caminho. Sempre.

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Ondas na boca do Rio Mampituba. Foto: Iki Escopelli

 

Você está vivendo atualmente na Gold Coast, na Austrália, que tem uma cena de surf totalmente oposta a que vivemos no RS. Conte um pouco sobre essas diferenças e se há algum exemplo que o RS e o Brasil poderiam copiar dessa área (já que as ondas são impossíveis de replicar).

Essa é uma questão que sempre passa pela minha cabeça quando vou surfar aqui. A diferença entre o surf no Rio Grande do Sul e o surf aqui na Gold é bem simples. Tudo vem da maneira como a sociedade vê o esporte. Como já disse em um texto bem polêmico no blog, o surf gaúcho está longe do desenvolvimento da Capital e do dinheiro. As praias ficam jogadas ao sopro do nordeste durante 9 meses por ano, sem ninguém para apreciar o surf local, ninguém para CONSUMIR o surf local. Infelizmente, para que o surf competitivo cresça, o primeiro passo é  o mercado. Uma economia que dependa da imagem de atletas para sobreviver, na qual marcas disputem pelos surfistas como os clubes de futebol disputam pelos nossos jogadores. 

 O turismo e o mercado aqui na Gold Coast dependem do surf. As academias, escolas de inglês, shoppings, restaurantes…todos vendem seus produtos usando um marketing relacionado ao esporte. As associações de surf das praias daqui possuem “surfclubes” equipados com bar, instrutores, salva-vidas e muito mais, proporcionando atividades variadas à população e assim gerando verba para campeonatos e investimentos em seus atletas. 

 Mas pra isso funcionar, antes é preciso ter uma população com condições de pagar por aulas de surf, por refeições e roupas caras, fazendo a grana girar. Do que viveria um surfclube em Tramandaí fora da temporada de verão? Quem procuraria aulas de surf no inverno? Quem iria se hospedar no albergue do clube no meio de Agosto, com o vento Sul soprando a mil e nada pra fazer na cidade? Nada de cinemas, bibliotecas modernas, vida noturna, shows, academias chiquezinhas, parques bonitinhos ou patricinhas desfilando de bikini pela rua..

 Por isso, é impossível o Rio Grande do Sul se tornar uma Gold Coast tão cedo. Para que as idéias implementadas aqui funcionem aí, é preciso que as praias cresçam muito mais, ou que uma piscina de ondas de qualidade seja construída na Capital do estado, para que os locais das praias possam migrar pra onde não há mar mas há visibilidade. Enquanto as famílias de classe A e B não superarem a distancia de 100km até o litoral, os atletas não terão chance. Escolas de qualidade, clubes (GNU, AAAB, Leopoldina, etc…), shoppings, faculdades, oportunidade de trabalho e crescimento pessoal em frente às ondas. Levar as mordomias e a qualidade de vida até o mar. Essa é a única solução.

 

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Commodore, companheiro de muitos surfistas que já viajaram para Austrália. Foto: Iki Escopelli

 

 

Fale um pouco sobre como surgiu o Por Trás do Pico e quais os teus planos para o futuro próximo.

O portrasdopico surgiu do nada, logo quando comecei a viajar atrás de ondas pela América do Sul, há uns 6 anos atrás. Queria mostrar como é percorrer lugares diferentes dos que conhecemos no Brasil, sempre guiado pelo surf, seja competindo nos WQS, como no Perú e em El Salvador, ou só pelo freesurf. Comecei a escrever e postar algumas fotos e a coisa toda foi evoluindo. Agora antes de sair de Porto Alegre lancei junto com um amigo o curta CONCRETE SURFING, que deu origem ao canal de TV da marca. Hoje em dia o portrasdopico trata-se de um blog que mistura fotos, vídeos e textos que retratam minhas andanças por aí e algumas coisas mais.

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“Ontem de manhã tinha umas ondas aqui na frente de casa. North Burleigh 6:13am.” Foto: Iki Escopelli

 

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Introdução: Duda Linhares

Entrevista: Lucas Zuch

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