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Surfando uma onda que não existe

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Nos últimos tempos, em que eu fui entendendo a mecânica da expressão na internet e a importância de expor ideias próprias e concisas, consegui observar o papel que o Surfari ganhou na minha vida. Aqui as ideias são sempre próprias, sejam as nossas ou as das pessoas que aqui expõem seu trabalho. Talvez seja uma frase de um autor que desconheço ou um conhecimento que se formou em meu sistema nervoso, mas acredito que uma ideia própria vale muito mais que mil citações.

Por isso nos últimos tempos temos encorajado nossos amigos a expor o que pensam, sentem, sabem, viveram, anseiam ou seja-lá-o-que-for. Quando recebemos o artigo do publicitário, surfista e dublê de “Crocodilo Dundee” Eduardo Linhares foi com brilho nos olhos que lemos. Linhares resumiu em pouco menos de 500 palavras um insight muito preciso e com uma analogia muito clara sobre o surf e a existência. Aproveitem a leitura!

Surfando uma onda que não existe, por Eduardo Linhares:

Uma das coisas que mais valorizo ao trabalhar em uma empresa é a proximidade com diferentes pessoas  na relação entre colegas de trabalho. O convívio facilita muito a troca de informação, conhecimento, valores, costumes etc.

Ontem, no horário de trabalho, minha colega interrompeu a todos para dividir uma citação de um certo livro, (quando ela levantou e pediu a palavra, achei que viria uma passagem bíblica, mas me surpreendi), que dizia o seguinte:

“Quanto às viagens, é preciso notar que dependendo de quem a faz, o simples estar indo é, em si mesmo, um experiência de fruição. Em nada semelhante aos aterafados executivos que, no avião, laptop no colo, se concentram no trabalho. Para eles, o avião serve apenas como meio de transporte. Nietzsche se irritava com os turistas: “Eles sobem as montanhas como animais, estúpidos e suados: esqueceu-se de dizer a eles que há vistas maravilhosas no caminho que sobe”. Também Guimarães Rosa, que disse algo parecido com “a coisa não está nem na partida e nem na chegada. Está na travessia”.

Palavras sábias e que fizeram muito sentido. A mensagem ficou se rebatendo nos meus pensamentos em busca de exemplos concretos. Então, ao ver algumas fotos à noite, consegui fazer uma relação interessante do surfe com a passagem do livro. O que me fez perceber os principais motivos da minha paixão pelo surfe.

O exemplo é uma surftrip. A viagem é planejada pensando na meta de pegar A MELHOR ONDA, mas muitas vezes a felicidade, o aprendizado e as memórias estão na cruzada. As fotos abaixo, falam mais do que as palavras:

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A cruzada pelo deserto chileno durante a busca.

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Caminhada entre amigos depois de buscar (e não encontrar) a melhor onda na Praia Vermelha – SC.

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Praia Vermelha – SC.

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Vivendo sozinho para ficar mais perto, por mais tempo, buscando a onda.

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Contato com pessoas locais na Ásia.

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Apreciando um visual digno de fundo de tela do Windows, durante uma nova cruzada.

E então o surfista chega a um local com potencial para boas ondas. Surfa, se diverte, mas já pensa em um próximo destino, pois acredita que pode pegar uma onda melhor e mais perfeita. Ele é um eterno insatisfeito, mas um insatisfeito feliz. Moral da história, A MELHOR ONDA  não existe, o que existe é constante busca por ela.

As suas metas existem? Elas são físicas? Cuidado, para que quando atingi-las, tenha algo novo em mente para continuar em busca!

Ah… e o livro se chama Variações sobre o prazer, de Rubem Alves. Raquel Scodro (a leitora) se refere a ele como um alimento diário. Pelo o que ouvi falar da obra até agora, descreveria o livro como um catalisador de boas reflexões.

Post original.
Introdução por Lucas Zuch.

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