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Surf na Gravidez

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Quem não se espanta, admira ou sonha em ser uma das mulheres grávidas que vemos com suas pranchas na água, juntando a graciosidade que toma conta desse momento da vida com a nossa paixão pelo surf?

Algumas surfistas como a longboarder Thiara Basso, Neymara Carvalho, bodyboarder que competiu até os cinco meses de gravidez (e nessa fase chegou a ganhar uma etapa do Campeonato Brasileiro de Bodyboarding) e Bethany Hamilton, o mais recente exemplo de uma grávida no surf, encararam a prancha durante a gestação e relatam ter sido a melhor terapia possível.

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(Imagem Cris Brosso | Foto: Fernanda Dellomo)

Continuar surfando durante a gravidez pode ser encantador, porém o que isto realmente implica para a mãe e para o bebê em questão de cuidados físicos? Para tratar esse assunto com responsabilidade e orientação ao invés de “apenas” um incentivo, fomos conversar com quem já passou por essa experiência durante a gravidez e com uma profissional da área médica, Cris Brosso e Sara Casagrande, Dra. em clínica geral e neurologia.

Longarina:  Ao saber da gravidez, quais mudanças surgiram em relação à prática do surf?

Cris Brosso: Com a gravidez passei a me arriscar menos no surf, entrando apenas em mares pequenos (em torno de de 0,5m), e evitava ficar próxima do crowd. Acho que foi minha primeira virada de chave sobre passar a me preocupar mais com meu filho e menos com minha vontade própria, passei a fazer um surf menos agressivo, com movimentos mais contidos.

Longarina:  Qual foi a opinião médica e das pessoas a sua volta?

Cris Brosso: Meus pais me achavam maluca e minha médica me aconselhou a não surfar me alertando dos riscos imaginados como: ter a prancha batendo em mim,  não poder apoiar a barriga na prancha e também ficar mais ofegante.

Bethany Hamilton

Bethany Hamilton

Longarina:  O que você adaptou para continuar no surf?

Cris Brosso: Entrar em ondas pequenas e a posição na prancha … passei a remar apoiando os joelhos, o peito e o quadril para cima sem encostar a barriga na prancha… surfava apenas com a fish, que me dava mais mobilidade que o long e mais remada dp que a pranchinha.

Longarina: Até quantos meses você surfou?

Cris Brosso: Até os 7 meses. Surfei normalmente nos dois primeiros meses da gravidez (pois não sabia que estava grávida!), entrando inclusive na Paúba (pico do litoral norte de São Paulo com ondas rápidas e pesadas). Quando descobri no final do 2° mês que estava grávida entrei no repouso e não fiz nenhum exercício, diminuí o ritmo pois estava com o útero ‘muito baixo’ podendo, segundo minha médica, ter sido causado por um possível excesso de esforço físico. Fiquei de repouso até o 4° mês, quando a minha gravidez já estava fora de risco, o bebê estava bem e eu saudável.

Nesse período sem surfar e longe do mar, engordei muito e vi minha ansiedade aumentar junto com o stress. Voltei a surfar no 4°mês, assumi a responsabilidade e minha decisão junto com a consciência que já tinha sobre meu corpo e meus limites no esporte, estava segura para isto. Eu sabia que o surf faria bem para mim e para meu filho, então surfei até o 7° mês, o que me ajudou bastante a controlar e recuperar meu peso esperado durante a gravidez e a minha ansiedade… dentro do mar me sentia muito melhor e com certeza meu filho também.

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Bethany Hamilton

Longarina: No que o surf te ajudou na gestação?

Cris Brosso: Dentro d’água eu me sentia relaxada, livre e feliz… não tive nenhum problema na gestação nem mesmo enjôos… sei que isso varia para cada organismo e gestante, mas se eu puder atribuir esse bem estar à algo, a relação com o surf provavelmente foi direta.

Conforme a barriga ia crescendo surfar ficava mais difícil, aumento o cansaço e a dificuldade de entrar na onda, afinal, eu já estava muito mais pesada. Então foi a hora de deixar a prancha e substituir o surf pelo ‘bodysurfing’ em forma de ‘jacaré’! E essa foi minha terapia na água até o final da gravidez.

Noah nasceu saudável e tranquilo, já esperado depois de mandar um shaka dentro da barriga da mãe.

 

A prática esportiva durante a gravidez é altamente recomendada, com os devidos cuidados e acompanhamento médico. Essa fase deve ser encarada com naturalidade. Muitas vezes mulheres que antes da gravidez não praticavam nenhuma atividade física e passaram a praticar durante seus nove meses, relatam o surgimento do novo hábito que levarão para o resto da vida. Quanto aos esportes de prancha, numa análise de risco, entre os mais ‘agressivos’ que exigem a interrupção total da prática, o surf não fica entre os piores mas também não é o mais leve.

Os impactos devem ser considerados e cada caso deve ser avaliado com atenção e a sinceridade consigo mesma, seu auto conhecimento, responsabilidade e segurança de si, devem ser analisados com profissionais da saúde. Muitas atletas continuam suas práticas durante a gestação, assim como muitas surfistas habituadas ao ‘surf de final de semana’, tudo vai de bom senso, cuidado e reconhecimento de seus limites e momento.” (Dra. Sara Casagrande)

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Surfar durante a gestação é lindo, mas lembramos que não existe um único lado. Não está nesta matéria a resposta para: “É bom ou não, surfar durante a gravidez”, mas sim a mensagem de: Se conheça, sinta seu corpo, sinta sua segurança, ouça mais de um especialista e consulte o bom senso para tomar decisões conscientes que lhes farão bem, seja para continuar ou não em sua prática esportiva (com cautela).

Texto por Longarina

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