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Surf N Turf – O Filme

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Não é fácil incubar um filme de surf nos dias de hoje. Se você está filmando um surfista famoso em um pico minimamente conhecido, a chance de um outro cinegrafista registrar a mesma manobra, baixar o clipe pelo wi-fi da câmera e postar no Instagram usando seu pacote 4G é bem alta. E aí, aquela session que você tinha editado na cabeça já não tem o mesmo frescor.

E aí, o que fazer? Alimentar a fogueira dos feeds ou engolir o ímpeto e segurar a imagem? Dilemas do filmmaker moderno.

Mas, vez por outra a paciência vence e arte impera. Se dedicar a um filme atualmente, algo que não seja apenas um webclip, requer algo de artesão. Durante os últimos 14 meses o filmmaker gaúcho, radicado na Califórnia, Kaléu Wildner guardou na segurança de seus HDs as melhores imagens da temporada de surfistas que passavam por seu quintal. Unindo-se a Guilherme Ramos, da CELA Projects, para a parte visual, conceberam o Surf N Turf, com pré-estreias itinerantes em San Diego, Rio de Janeiro e Porto Alegre. No próximo dia 19/6, é a vez da capital gaúcha receber o filme, no Espaço Maestro.

Conversamos um pouco com Kaléu e Guilherme para saber mais sobre o projeto.

Surfari: Como foi concebida a ideia do Surf N’ Turf e quanto tempo se passou desde o primeiro REC?

O SURF N TURF começou em um brainstorm feito por mim e pela minha namorada, quando estávamos tentando achar um nome para um filme que fosse retratar o surf aqui no sul da Califórnia. SURF N TURF é um tipo de comida da culinária mexicana que mescla carne+camarão, muito bem aceita e apreciada pela cultura californiana. Algumas coisas em comum entre México e Califórnia, cactos, deserto e altas ondas, depois de muitas ideias bem criativas, nasceu o TURF. Comecei a salvar muitas boas imagens desde o inverno de 2015, muitas delas acabaram não sendo usadas em vários outros projetos e assim eu ia salvando em uma pasta chamada “CREME”, durante todo o ano de 2015 fui acrescentando volume no “CREME” e assim fui criando uma vontade imensa de juntar tudo aquilo e transformar em algo precioso. Foi então, que no final de 2015 comecei a criar a ideia do TURF.

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Surfari: Como você equilibra, na era da informação, o ímpeto entre postar uma sessão e segurar o material para um projeto de prazo maior?

Quando eu comecei nesse segmento, tinha muita vontade de produzir coisas instantâneas e estar sempre com algum material constantemente nas mídias, até por estar sempre envolvido com o surf isso era algo mais fácil para mim. Hoje estou bastante envolvido em outros projetos na área de produção e filmagens que vão além do surf, foi então que decidi começar a guardar conteúdos de qualidade pra gerar um material mais específico e que tivesse uma grandeza maior do que apenas um webclip.


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Surfari: Como se dá a relação entre o filmmaker e o surfista profissional? Como fazer para ter caras do calibre de Gabriel Medina, Kolohe Andino e Filipe Toledo no seu filme?

Quando você está no lugar certo e na hora certa, você às vezes tem a oportunidade de produzir um conteúdo de grande qualidade. Morando na Califórnia, tive a chance de estar mais próximo de grandes cenários do surf e também mais perto dos melhores surfistas, por eles estarem indo e vindo diversas vezes durante o ano. O Filipe e o Kolohe residem em San Clemente e estão por aqui grande parte do tempo, também sou muito amigo do Matheus Toledo (irmão do Filipe) que abriu algumas portas para que pudéssemos produzir juntos. Já com o Gabriel [Medina] estávamos produzindo um comercial para uma grande multinacional do ramo automotivo (Mitsubishi) e aproveitamos para render algumas cenas para o SURF N TURF.

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Surfari: Quais os desafios de produção, filmagem, edição, financiamento e distribuição que os espectadores do filme não sabem que os envolvidos passaram para entregar isso pro mundo?

Existe um grande trabalho que é feito muito além da filmagem, edição e direção de um filme. Neste projeto eu tive o prazer de poder trabalhar com amigos e excelentes profissionais, caso da CELA Projects, no Brasil. Tudo foi planejado de uma maneira efetiva e a longa distância, não tivemos nenhuma reunião física, o trabalho foi executado via Facetime/Skype e e-mails, e praticamente tudo saiu como planejado. A GSD Productions aqui na Califórnia também me concedeu um grande suporte na distribuição do filme. Acredito que o maior desafio depois que a peça final esta criada, é qual o destino que isso irá tomar na hora da distribuição e metas a serem atingidas.

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Surfari: Com tanta disputa entre ótimos conteúdos na internet, que elementos precisam ser trabalhados para obter sucesso com um filme?

Kaléu: Criatividade e qualidade são fundamentais para chamar a minha atenção na internet hoje em dia, mas o tema e personagens também influenciam bastante na escolha do internauta. Tu pode ficar horas do teu dia na frente do computador ou celular entretido em diversos conteúdos e segmentos, mas creio que isso vai ser influenciado pela tua vontade naquele momento e outros diversos fatores.

Guilherme: Em primeiro plano vejo a linguagem visual por inteiro como carro chefe, seguido de conteúdo de expressão compreensível e curioso, por fim, o direcionamento da mensagem que será passada, para sua devida atmosfera de públicos.

Pré-Estreia na VOID Barra (RJ)

Pré-Estreia na VOID Barra (RJ)

Surfari: Que tipo de reconhecimento vocês almejam com o filme e quais ideias já estão tramando para projetos futuros?

Kaléu: Estamos buscando mostrar o nosso olhar em diversos festivais de filmes de surf internacionais e algumas premières exclusivas com nossos personagens interagindo com o público alvo. Projetos futuros estão por vir com certeza, a parceria entre Kaléu Wildner Films e CELA foi fundamental e incrível para este projeto. E esse é só o primeiro.

Guilherme: O reconhecimento vem de formas e lados distintos. Acredito que um pouquinho de cada forma e lados neste momento será o resultado satisfatório que buscamos para esse primeiro projeto. Parceiros envolvidos no projeto empolgados, público vidrado na tela e sorrisos no rosto é o nosso goal de hoje. Os próximos virão, podemos dizer que very very soon.

 

Entrevista e intro: Lucas Zuch

 

Soundtrack do Filme:

Down the Sea – Wannabe Jalva (Poa Local)

Courtney Barnett – History Eraser (Aus Local)

Melt – Wannabe Jalva (Poa Local)

Turn Tables – Self Provoked ( Cali local)

The Salty Dukes – Gringo Especial ( Cali local)

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