Surfari | O Surf Muda o Mundo O Surf Muda o Mundo | Surfari

O Surf Muda o Mundo

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Eu sempre quis mudar o mundo.

Não que eu quisesse ser um novo Gandhi ou um Padre Terezo de Calcutá, nada disso.

Na verdade, eu não tenho vocação pra assistencialismo. Hmm, pude ouvir uma sirene berrando ‘crápula’ instantaneamente disparando no seu lobo frontal.

Calma. Não sou insensível, tampouco um mártir. Sou mais um na multidão de inconformados, e que se julga louco o suficiente pra tomar uma iniciativa que acredita que vai impactar o mundo.

Por muito tempo esse lance do assistencialismo me incomodou de verdade. Via algumas pessoas próximas ajudando crianças ou idosos carentes ou com deficiência, e me sentia mal por não sentir a ânsia de fazer o mesmo. Carreguei isso comigo por um bom tempo. E não é saudável andar por aí com essa bagagem.

surf-muda-o-mundo-surfari

Aos 18 anos, descobrindo que o surf muda a vida. Austrália, 2008.

Mas, a vida segue. E fui tocando a minha. Quatro anos atrás abri uma empresa junto com um grande amigo e o intuito era justamente, tornar o mundo um lugar melhor através do surf e seus valores. A gente partiu do seguinte princípio, com o surf aprendemos a viajar, conhecer novas culturas, trabalhar em subempregos, dormir ao relento, ser humilde, ajudar ao próximo etc; e se isso tinha melhorado nosso caráter, não seria difícil passar isso adiante. No papel parecia lindo, mas a garantia era nula.

Fomos criando projetos abrangentes, para que quem nunca tinha surfado na vida conseguisse se conectar, e quem já era praticante não achasse mela cueca demais.

Nosso primeiro projeto se chamou Reconhecendo o Surf, e ele trouxe um inédito compilado de informações de mercado e do estilo de vida dos surfistas. Deu certo, surfistas e não surfistas se sentiram representados, porque tiveram noção de sua importância na sociedade.

Depois disso, a gente percebeu que as pessoas que orbitavam essa cultura queriam estar juntas, olhar no olho, trocar ideias. Como acontecia antigamente, quando as tribos se reuniam para assistir aos lançamentos de filmes de surf em auditórios de colégio e cinemas de rua. Conseguimos, juntos, reconstruir essa atmosfera agradável.

Na mesma batida de impactar as pessoas positivamente com os valores do surf, fizemos, em conjunto com a Amcham (uma instituição que a rigor não tem nada a ver com esse esporte), um manifesto que relacionava empreendedorismo e surf. Novamente, esse projeto transcendeu nosso “mundinho” de água salgada e teve acesso a várias mentes, ordinárias e brilhantes. Também relacionando dois universos distintos, inventamos o ‘Surf Criollo’, uma abordagem surfística que uniu o campo e a praia, e colocou tradicionalistas e vanguardistas para pensar.

Mais recentemente, em uma iniciativa ousada, colocamos de pé um festival de praia chamado SurFest, nele homens e mulheres competiam nas mesmas categorias, sem distinção de idade, credo, cor ou amor. Conseguimos levar bebês e bisavós para passar um dia na praia celebrando a cultura surf.

Tá, muito legal, mas o que eu estou falando não é para jogar confetes no Surfari. Prepara, porque agora vai fechar o arco narrativo. Um dia, em meio a esses projetos, conversava com o Angel, um amigo e empreendedor social, e lá pelas tantas ele comentou: “cara, as pessoas acham que trabalho social é só pra pessoas carentes ou vulneráveis, mas a gente pode atuar em outra camada.” Click!

Nesse momento, fui tomado por uma sensação indescritível de paz. Foi como soltar a pesada mochila onde carregava a culpa por não me dedicar ao assistencialismo. Só então, pude entender que estava realmente fazendo a minha parte para tornar o mundo um lugar melhor, só que da minha maneira. Entendi que estávamos atuando em uma esfera diferente da pirâmide social, mas que se essas pessoas fossem melhores, criaríamos uma ciclo virtuoso que iria ligar mais elos, eu apenas iniciava em um elo (teoricamente) mais abundante.

surfari-surf-muda-mundo

Foi aí que pude me conectar realmente com a mensagem que o Danillo Spíndola mandou para o Surfari em 2014 agradecendo pela motivação que demos a ele para mudar de vida e começar seu próprio negócio de fotos aquáticas. Ou o presente de Natal que ganhamos da Daniela Fröhlich em 2015, onde ela dizia que nunca tinha surfado, mas gostava muito do Surfari porque amamos a arte e damos valor às amizades. E o relato que ouvimos da mãe do Yure Fernandes, que foi mostrando o vídeo Reconhecendo o Surf que ele a convenceu a deixa-lo se mudar de Fortaleza (CE) para Garopaba (SC) para seguir o sonho de ser surfista profissional.

Guilherme, Zuch, Duda, Déia e Paulo, equipe (quase) completa, faltando o Bolívar.

Guilherme, Zuch, Duda, Déia e Paulo, equipe (quase) completa, faltando o Bolívar.

Como costumamos dizer quando conversamos com pessoas que se entusiasmam com o que a gente faz, nós não somos melhores, nem mais inteligentes do que ninguém. Nós apenas encontramos o nosso propósito na vida e trabalhamos das 9:00 às 21:00 para que esse plano dê certo. Dar conselho é sempre uma coisa duvidosa, quase piegas, mas se tem um que a gente garante que funciona é: olha pra dentro e detecta o que te move, o que você faz com sorriso no rosto, o que te faz levantar da cama num pulo. Nessa hora, não se atenha a padrões, pode ser que a sua batida seja ser um distribuidor serial de sorrisos, um contador ou um escultor. Mas, uma vez que você detectou sua paixão, faz isso de novo, e de novo, e de novo, e de novo. Com chuva, com sol, com dor, com amor. Assim, é capaz de você mudar o mundo.

___

A gente está em meio a um projeto que acreditamos que pode causar um impacto muito positivo na sociedade, é a atualização da pesquisa Reconhecendo o Surf, se você também acredita nessa causa, investe nela junto conosco: www.catarse.me/reconhecendosurf.

___

Texto: Lucas Zuch

Instagram