Surfari | Porto Alegre, a capital do skate surfstyle – Dirty & Frowzy Porto Alegre, a capital do skate surfstyle – Dirty & Frowzy | Surfari

Porto Alegre, a capital do skate surfstyle – Dirty & Frowzy

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Há quem diga que a força motriz por trás do alto número de surfistas que vivem em Porto Alegre é a própria ausência de mar na cidade. Esta causa, também acabou por gerar uma cultura de surfistas com comportamentos muito peculiares: artistas cantam que querem pegar onda no Rio Guaíba, jovens surfam no esgoto e viram notícia mundial e uma pista de skate acaba se tornando a principal onda da cidade.

A pista do parque Marinha do Brasil foi inaugurada em 1977 e tem um desenho único. Um snake que desce por cerca de 150 metros e vai aumentando em altura e distância entre as paredes. Como o revestimento lá não é dos melhores, o mais indicado é andar com rodas de gel acima dos 60 mm e shapes grandes, longs e semi-longs. Essa combinação de fatores proporciona um palco para o que pode-se chamar de skate surfstyle e, de fato, as manobras e os movimentos executados são muito similares. Mas as semelhanças vão além da prática do esporte em si. No Marinha você também pode encontrar:

  • Preferência, rabeada e localismo
  • Skatistas com apelidos de Irons, ou Marzo
  • Uma sessão da pista chamada Cacimba do Padre
  • Uma sessão da pista (sinistra) chamada Pipeline

 

Douglas Alvarez, que já havia mostrado seu trabalho no Mimpi Film Fest, é a pessoa mais indicada para ilustrar este lugar que chega a ser folclórico. Ele nos conta como começou a série de vídeos Dirty & Frowzy, o projeto que retrata a pista do Marinha com a visão mais pura possível, a visão local. Leia entrevista e entenda a alma por trás dos vídeos. 

%name %title

Backside Attack, Eduardo Dall’Oglio no Dirty&Frowzy V

%name %title

Stalefish grab de Antonio Gelpi, no Dirty & Frowzy part I

%name %title

Pedro Gelpi rasgando na Dogtown dos Pampas. Frame do Dirty & Frowzy part I

%name %title

No famoso “pipe”, um carving desgarrando a rabeta, no Dirty&Frowzy V

Primeiro, o que significa Dirty & Frowzy?

O nome retrata a sujeira e o depredado estado que se encontra a pista, o rio e a cidade. Um contraste entre o belo e o feio, o velho e o novo e assim por diante, dualidades presentes sempre na rotina da Capital. Retratar uma nova geração, com novos pensamentos e visão do que realmente é o Skate, foi o meu objetivo com esse filme. Tirar do anonimato, dar caras novas à cena, foi a minha missão e contudo linkar elementos presentes no Parque.

Elementos estes, como moradores de rua, poluição, carros, transito e ao mesmo tempo a suavidade dos movimentos para trazer a tona essa realidade através do Dirty&Frowzy

Como foi o processo de produção do Dirty & Frowzy? Da ideia até o produto final.

Não é a primeira vez que retrato em vídeo essa cultura do skate instalada no Parque Marinha, mas com certeza foi a primeira vez que eu me dediquei meses a isso. Tudo começou com um pedido de demissão do meu antigo trabalho numa agência de publicidade. Assim que abri mão desse mundo de correria e horários muitas portas se abriram, e com o dinheiro que recebi comprei a minha câmera. Em primeira mão comecei a fazer umas filmagens sem muita pretensão mas assim que a edição começou a fluir comecei a perceber que poderia fazer algo grande, como sempre havia desejado. Tudo aconteceu muito ao natural, em nenhum momento escrevi um roteiro ou o que deveria ser dito, queria transmitir algo verdadeiro, algo espontâneo como o dia-a-dia de cada um que frequenta o parque. E assim foi, cada sessão foi filmada em uma única tarde ou uma única manhã.

Dirty&Frowzy – Part I from Doug Alvares on Vimeo.

A sessão que foi mais ”programada” foi a de Felipe Koerbs – Part II, no qual combinamos um dia antes quais ângulos iríamos pegar, como iríamos fazer isso e que ferramentas iríamos usar. Criei um cabo de extensão para pegá-lo mais de perto com um ângulo bem aberto o que aproximou bem a imagem de alguns ”carvings”. Outra sessão que levou uma técnica mais apurada na captação foi a que me ”auto-filmei” o que no final das contas acabou custando meu tripé.

Dirty&Frowzy – Part II from Doug Alvares on Vimeo.

Quais suas principais inspirações na produção audivisual?

Sempre fui fanático por vídeos, muitas e muitas madrugadas adentro assistindo materiais postados no Vimeo sobre skate, surf e outros temas. Tenho como ícones nesse meio caras como Taylor Steele, Riley Blakeway, Kai Neville, entre outros. Porém, minha inspiração mesmo foi a necessidade que a galera do Marinha tinha de expressar –  em um material de qualidade – a sua visão de skate.

Dirty&Frowzy – Part III from Doug Alvares on Vimeo.

Como é o ambiente da pista do Parque Marinha do Brasil?

É um dos lugares de Porto Alegre com a visão mais previlegiada do pôr-do-sol no Guaíba, fica muito próximo do rio, o que traz uma sensação de praia e bem estar. No entanto, definir o ambiente do Parque Marinha é algo complicado, uma verdadeira incógnita. Existe um coletivo muito forte que une gerações de diversas idades na pista, uma mentalidade que é passada de geração em geração, funciona como uma válvula de escape para quem mora na cidade, curte surfar mas não tem onda. Muita gente acaba aderindo às paredes de concreto em busca de um movimento semelhante aos executados na água. Esse estilo de andar chamado surfstyle – surfskate na gringa – evoluiu muito nos últimos anos. Acredito que a grande presença de vídeos de surf na web fez com que a galerinha mais nova fosse se fissurando e copiando tudo aquilo para aplicar no skate, elevando sempre mais e mais o nível.

Dirty & Frowzy Part V from Doug Alvares on Vimeo.

Acredito que este filme traga mais adeptos a essa modalidade, pois a capital gaucha é repleta de gente que passa a semana presa a escritórios e a rotina da cidade e se joga pro litoral no final de semana. Durante a semana também é possível fazer a cabeça e tirar a fissura. O Marinha é um lugar que deve ser explorado por todos, com muito respeito, preservação e segurança acima de tudo.

___________________________

Se você for lá e ver alguém estolando de backside como se fosse pegar um tubo, não julgue pois a imaginação faz parte do folclore.” It’s all about the feeling”

Veja mais Dirty & Frowzy em: https://vimeo.com/dougalvares

Entrevista e introdução: Eduardo Linhares

Instagram