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Tecnologias em transformação. Revolução digital. iPhone. Instagram.

Os termos acima mudaram definitivamente o que se conhece por fotografia. Inicialmente, é interessante entender que fotografia significa “desenhar com luz e contraste” e é, por definição, a técnica de criação de imagem por meio de exposição luminosa, fixada em uma superfície sensível. Em outros termos, o que isso tudo quer dizer é que uma foto é um instante de luz (e sombras) gravado em algum material (no filme, para a fotografia analógica, e no sensor de imagem, para a fotografia digital).

Desde sua primeira aplicação reconhecida, datada de 1826, muito já se discutiu se a fotografia seria uma arte ou apenas uma técnica fugaz que tentava igualar a estética obtida pelos pintores Renascentistas e Maneiristas séculos antes. Entre a defesa de fotógrafos e o ataque de artistas conservadores, a fotografia não apenas sobreviveu, mas prosperou e se sofisticou através de avanços tecnológicos e desenvolvimento de novas técnicas.

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“Point de vue du Gras”. Imagem da primeira fotografia permanente do mundo. Por Joseph Niépce, França, 1826.

Avance alguns anos no tempo e chegamos à era digital. Os vídeos da BOX 1824 conseguiram provar o que muitos já sabiam, com acesso às ferramentas nos tornamos multifuncionais. Logo, se um fulano gosta de jogar futebol, por exemplo, não necessariamente ele é apenas um boleiro. Esse cara pode ser um boleiro que lê Kafka, desenvolve aplicativos para tablets, desenha em pranchas de surf, edita vídeos e retoca retratos no Photoshop. Incluam um iPhone e o Instagram na equação desse cidadão e não se surpreendam se ele se credenciar como fotógrafo. Obs.: Qualquer semelhança com uma pessoa que você conhece é mera coincidência.

Bem, o objetivo aqui não é entrar na polêmica se um fotógrafo de iPhone é mais qualificado do que um zé mané com uma DSLR, e sim mostrar como a tecnologia pode nos ajudar a ser pessoas melhores (e fotógrafos mais embasados). Fotógrafo amador, curioso e entendido de programação, o designer americano Jon Arnold criou um aplicativo que ajuda pebleus a entenderem o que estão fazendo quando disparam o gatilho de uma máquina fotográfica.

Pensando em como melhorar seus próprios dotes fotográfico,s Jon desenvolveu o CameraSim, uma espécie de simulador de DSLR onde você controla as variáveis da câmera (ISO, obturador e diafragma) e do ambiente (dia ensolarado, dia nublado, ambiente com pouca luz e ambiente fechado) e testa diferentes combinações para chegar ao resultado desejado, entendendo como você chegou lá.

O aplicativo ainda está disponível somente em inglês – caso esse não seja o seu metiê, pegue as dicas da seção DSLR Explained e use o tradutor do Google – mas, além de poder testar configurações, ele explica como as variáveis funcionam.

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Por exemplo, o ISO corresponde à sensibilidade do sensor em relação a luz. Um ISO alto necessita de menos luz para a foto, mas traz uma aparência granulada; um ISO baixo deixa a foto mais nítida, mas requer maior luminosidade do ambiente.

%name %titleFotos com ISOs diferentes. A fotografia da direita foi tirada com um ISO superior. Crédito: Alexandre Trindade.

O obturador é a “cortina” por onde a luz passa antes de chegar no sensor. Uma velocidade de obturador alta significa que ele irá abrir e fechar rapidamente, o que resulta numa fotografia com aspecto congelado; já uma velocidade de obturador baixa permite mais tempo para a entrada de luz, podendo resultar em uma imagem borrada.

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O diafragma é o buraco por onde a luz passa – antes de chegar à “cortina” – e seu número é composto por uma função matemática, sobre qual nem me atreverei a explicar. Porém, na prática, um número alto resulta em maior amplitude de foco, mas reduz a quantidade de luz que passa por ele – esse número de diafragma é inversamente proporcional ao tamanho dele, caso você esteja ficando confuso – e um número baixo deixa mais luz passar, mas resulta no foco de apenas um plano.

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Falando em grosso modo, o que você tem que fazer para tirar uma fotografia decente é combinar essas 3 variáveis para que o fotômetro – figura ilustrativa abaixo – chegue no centro ou próximo dele.

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Interpretação de um fotômetro. Crédito: Blog Alma da Imagem.

Mas, antes que eu seja crucificado por algum profissional que ler esse texto e achar alguma falha ou inverdade, me adianto a dizer que essas são apenas 3 variáveis de uma equação muito mais complexa que envolve dedicação e estudo para aperfeiçoar. Na verdade, acho que aperfeiçoar também não seria a palavra certa, pois não existe uma foto perfeita, existe a que você quer fazer naquele momento.

Lembre-se que uma câmera é como um olho – o olho também tem mecanismos de focagem, adequação a claridade (pupila) e tudo mais – a única diferença é que a câmera grava a imagem pela qual você se interessou, é o único momento inteiramente estático do universo. É o momento em que os elementos do presente são eternizados em uma forma física, pois todo o resto está em movimento, mesmo quando parece parado.

Texto por Lucas Zuch.

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