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Seth de Roulet: o criativo é para poucos mortais.

Gostaria de confessar o meu ”desapontamento” relacionado as fotografias de surf. Um bom observador que respira e contempla as fotografias verá que os ângulos são quase idênticos e as imagens quase gêmeas siamesas.

Não estou querendo dizer que os fotógrafos de surf são incompetentes, ou que suas fotografias não possuam belezas e aberturas corretas de diafragma. Porém, uma fotografia de surf somente se destaca, nos dias de hoje,  pelo momento oportuno do seu registro ou pela história singular que ela relata. Nesse sentido, sou influenciado pelo pensamento do fotógrafo Peter Taras, na última edição do TSJB 02.4, quando diz: “vamos fazer errado“. Bem, eu entro em acordo com o Peter Taras, pois estou necessitando observar novas ideias e construções no mundo do surf. Se você está imerso em uma angústia similar a minha, acalme-se! Eu lhe apresento Seth de Roulet.

Há um certo tempo  tive a oportunidade de conhecer, via web, o trabalho do Seth e o prazer simples de poder entrevista-lo. Seth de Roulet é oriundo da frenética e capitalista Nova Iorque. Atualmente ele habita o incomensurável mundo do surf na terra da bandeira do Urso, mais conhecida como Califórnia.  O de Roulet inspirou os meus olhos por sua capacidade em demonstrar novas perspectivas nas imagens que apresentam e representam o nosso tão aclamado e amado Surf.

Roulet parece querer romper as famosas fotografias com caras de gêmeas siamesas e assim vai permeando o caminho árduo na busca por novas formas de visualizar as ondas, os surfistas e todos os ingredientes de uma boa praia.

Confira a entrevista com o fotógrafo Seth de Roulet com suas opiniões sobre o mundo da fotografia de Surf e um pouco da sua história de vida.

Como e quando se iniciou a sua história com o Surf?

O surf não me encontrou até eu ter 18 anos. Eu estava na faculdade de fotografia e um dos meus grandes amigos e fotógrafos, Joshua Curry, passou a surfar e tornou-se um grande surfista. Josh realmente é um grande surfista que encara ondas grandes e é capaz de realizar um Hang Ten em uma onda de 10 pés. Ele foi o responsável por me ensinar a surfar todos os tipos de pranchas… Como me adaptar e obter uma linha de respeito. Porém, o mais importante foi que ele me mostrou que o Surf pode abrir grandes caminhos na vida.

Explique-me melhor como a fotografia entrou na sua vida e quando você resolveu se tornar um fotógrafo.

Eu sempre quis ser um atleta profissional, mas depois de algumas lesões graves, eu tive que repensar os meus objetivos de vida. A única coisa que amava, além de ser um atleta, era a fotografia. Então, eu resolvi estudar fotografia e tentar uma vida nessa profissão.

O que essa profissão pode trazer em termos de conhecer novas culturas?

A minha câmera me levou para o mundo todo. Ela me inspirou e desafiou-me a amar todas as formas de vida. Para citar um exemplo, quando eu estava viajando pelo continente africano, passei três dias em uma aldeia Masai, onde mataram uma cabra e comeram um rim bem na minha frente. Para eles aquele ação era somente mais um abate, mas para mim foi uma experiência que jamais serei capaz de esquecer.

Na sua opinião, quais as dificuldades em ser um fotógrafo de Surf? Sendo um fotógrafo americano.

A coisa mais complicada em ser um fotógrafo de surf é ser original. Houve muitas ângulos feitos das ondas e surfistas e assim as fotografias estão começando a se tornar muito repetitivas. Acho que ser original, separa o bom do ruim. Na nossa era digital, eu não acredito que importa de onde você seja, pois a fotografia é algo global.
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Você acredita que a fotografia voltada para o surf é valorizada?

Enquanto houver surf, sempre haverá o imaginário. Haverá sempre uma necessidade em documentar o surf. Enquanto a fotografia, eu acho que as fotos voltadas para esse ramo são as mais complicadas e difíceis em relação aos outro ramos dessa arte. Fotógrafos de outros ramos não têm que trabalhar em ambientes tão implacáveis colocando suas vidas em risco para contar uma viagem ou registrar uma onda.

Você viajou para muitos lugares por mundo. Oceania, Ásia, Europa, América do Sul. O que você poderia nos dizer sobre as riquezas culturais desses lugares. O que há de diferente entre eles?

Cada cultura possui as suas vibrações e ritmos. Você apenas tem que encontrar o ritmo certo e em seguida você irá se sentir em casa. Para mim as diferenças não podem ser colocadas em palavras, elas tem que ser sentidas. Porque as experiências para cada pessoa é diferente.
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O que você diria para um brasileiro que quer ser um fotógrafo profissional?

Trabalhe duro e tenha respeito. Fotógrafos jovens de surf tendem a ser muito ansiosos, pois a fotografia digital se tornou algo muito simples e fácil. Não se preocupe em ganhar dinheiro e sair por aí publicando. Fotografe para você, trabalhe duro para aperfeiçoar e o sucesso irá chegar.
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Qual a sua opinião sobre os fotógrafos brasileiros e o país?

Infelizmente, eu não tive muitas oportunidade de conhecer fotógrafos brasileiro e conhecer o Brasil, mas mal posso esperar para conhecer esse país. Uma coisa que peço aos meus colegas que são bem viajados é a indicação de lugares para viajar. O Brasil sempre está na parte superior da lista.

Entrevista e texto por Myron Paterson.

Para conhecer melhor o trabalho do fotógrafo acesse o seu site.

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