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Sergio Bryksa, o Fotógrafo Aventureiro

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Se nos dispuséssemos a fazer alguns perfis estereotípicos dos surfistas – coisa que é, frequentemente, feita por apressados desconhecedores dessa atividade – provavelmente encontraríamos o argentino Sergio Bryksa, 32, orbitanto próximo ao de cavaleiro errante. Nascido e criado em um verdejante vilarejo nas cercanias de Buenos Aires, Sergio, de início, não havia sido agraciado com uma existência tão íntima e próxima ao oceano. Fazia expedições para algumas praias banhadas pelo Plata, mas, embora tivesse vontade, as condições não eram as ideais para praticar e evoluir no surf. Aos 26 anos, quando havia concluído o curso de Direito e iniciava a carreira de terno e gravata, Sergio começou, simultaneamente, a colocar o pé na estrada.

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Sergio no Grand Canyon, Arizona, em 2010. Foto: Arquivo Pessoal S.B.

Brasil (três vezes), UruguaiPeru (cinco vezes!) e Equador foram as pistas de treinamento para o novo nômade. Mas foi em 2010, prestes a completar 30 anos, foi que Sergio decidiu embarcar numa jornada pouco convencional, um caminho que muitas pessoas imaginam em sonhos distantes mas nunca, de fato, se propõem a cumprir. Bryksa partiu para San Francisco, nos EUA, comprou uma caminhonete e rumou ao sul seguindo o próprio nariz como bússola. Após passar por México, Guatemala, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica, chegou à formosa Santa Catalina, no Panamá, Sergio – em suas próprias palavras – se enamoró do lugar e viveu ali pelos próximos seis meses. Lá especializou-se na fotografia aquática, um campo da atividade que já estudava e desenvolvia como hobbie desdes os tempos de Buenos Aires, e fez da praia seu novo escritório. A seguir Sergio Bryksa apresenta um pouco de seu olhar e pensamento sobre a vida na América.

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Sergio prestes a começar um dia de trabalho. Foto: Arquivo Pessoal S.B.

– Como foi o teu caminho até chegar a Santa Catalina e o que te motivou a viajar?

Antes de me exilar da cidade para buscar o surf, enquanto trabalhava em tribunais como advogado, estudava fotografia, fazia diferentes cursos e oficinas, buscava lições nos livros por conta própria e ia conversando e trocando experiências com outros fotógrafos. Nessa época comecei a trabalhar como fotógrafo freelance. Então, em 2010, decidi que começaria uma viagem na Califórnia, em San Francisco, percorrendo o que pudesse da costa do Pacífico. Não encontrei uma só praia da qual não tenha gostado, mas conheci algumas ondas muito especiais para fotografar, como Puerto Escondido e Rio Nexpa, no México; Las Flores e Km 59, em El Salvador; Maderas e Aserradores, na Nicarágua e Roca Bruja, Marbella, Mar Azul, Playa Hermosa e Pan Dulce, na Costa Rica. Fui percorrendo esse caminho durante quase um ano, quando cheguei à Santa Catalina, no Panamá, e fiquei morando lá por seis meses. É um lugar ao qual me apaixonei, tanto pela onda quanto pelos paisagens. 

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– Você já fotografava quando começou a viajar ou isso foi uma extensão de suas atividades? 

Desde que comecei a surfar, por volta dos 10, 12 anos de idade, quando tentava pegar ondas com uma espécie de planonda perto da casa dos meus pais em Parque Luro, Mar del Plata, a fotografia me interessou muito. Em 2010, comecei a trabalhar com equipamento profissional na Califórnia. Sempre pude conhecer muita gente no caminho, então aprendi muito com a experiência e conselhos de outros profissionais. 

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Qual é o papel do surf na tua vida, tanto profissional como pessoal?

O surf é um dos amores da minha vida e poder trabalha com isso é perfeito! A verdade é que sou imensamente agradecido pela vida que tenho, poder trabalhar na praia e com o foco no surf me faz sentir bem o tempo todo. Trocar o terno e a gravata pela bermuda e pela câmera foi totalmente positivo… outro estilo de vida completamente diferente. Atualmente, posso trabalhar sem a necessidade de estar em cidades grandes, algo que sempre preferi, já que me sinto mais relaxado. Eu gosto da cidade, mas para ir às vezes somente…

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– Que equipamento você usa atualmente? Se dedica a pós-produção das imagens?=

Atualmente uso uma câmera Canon 7D, tanto para fotografar dentro d’água quanto da praia. Uso uma lente fisheye Tokina e caixa estanque para as fotos aquáticas e uma lente Canon 400mm para imagens de fora. Recentemente tenho melhorado a edição das fotos, não era uma prioridade no meu início, mas agora sinto que necessito disso e gosto de fazê-lo. Você pode conseguir imagens que vão além da visão natural sem perder a essência.

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– Quais são os seus planos para os próximos anos?

Bem, cada dia se aprende algo novo, penso em seguir viajando e fotografando. Entre os próximos destinos que eu gostaria de conhecer, os mais desejados são Indonésia e Hawaii. Também estou pensando na possibilidade de ir ao Brasil para trabalhar e estudar mais e, assim, seguir evoluindo já que aí existe um alto nível de surf e profissionalismo. 

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Você pode encontrar mais sobre o trabalho de Sergio Bryksa aqui.

Introdução, entrevista e tradução por Lucas Zuch.

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O entrevistador e o entrevistado no momento em que se conheceram. Santa Catalina, 2011. Foto: S.B.

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