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Sábado de sol

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No último dia 9 junho, em meio a um feriado religioso, uma potente ondulação – quadrante S/SE – atingiu a costa brasileira. Como de costume, em situações desse tipo, no ápice do swell o litoral do Rio Grande do Sul – muito exposto, sem barreiras ou obstáculos naturais – apresentou condições difíceis de serem aproveitadas. Para dizer o mínimo, a intensa remada e a incessante corrente requeriam esforços sobrehumanos para sequer chegar às ondas. De fato, a condição requeria motores. Em colaboração com o Surfari, o surfista Nícolas Bavaresco expõe seu olhar sobre essa manhã gelada.

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As diversas faces de um swell. Fotos: Arquivo Pessoal N. B.

Sábado. 8 horas da manhã. Mais ou menos 4 graus. Pranchas no rack, mate cevado, cadela no carro, begamotas na sacola e as gurias à postos. Assim como na quinta (feriado de Corpus Christi) e na sexta-feira, saí de Rondinha rumo a Torres, litoral norte gaúcho. Torcia para que o mar tivesse aumentado ao menos um pouco, ou que as pequenas direitas, meio irregulares, se mantivessem na praia da Cal.

Chegando na Cal, vi séries com ondas de um metro e meio fechando rapidamente, sem uma alma viva no outside. A corrente de sul era visivelmente forte. Imediatamente minhas esperanças estavam mais ao norte, no Meio do Rio. Tocamos rápido para lá, direto para o estado vizinho. Para nossa total surpresa havia direitas enormes e quebrando bem para fora! Olhando de longe não via ninguém e já tinha até abortado o surf.

Tow In Session – Passo de Torres (SC) from Surfari on Vimeo.

Pensava no que fazer quando vi surgir um ponto preto puxando outro. Apertei os olhos e consegui distinguir um Jet-Ski puxando um “BRNI” (Big Rider Não Identificado)! A série veio e o maluco pegou uma direita com uns dois metros, meio que fechando. Surfou legal e por um longo tempo. Tempo suficiente para me pilhar de ficar por lá.

A essa altura, avisei a galera no carro, pegamos as câmeras, mate, a cadela e fomos até o farol do Passo de Torres/SC. Sentamos por ali e ficamos assistindo, atentos a tudo. Rafaela Isse, minha namorada, e minha prima Elisa Loureiro se encarregaram de registrar a sessão. Eu e meu primo Gustavo L. tratamos de não perder uma onda. Dois jets na água, dois surfistas e três botos. Foram umas cinco ou seis ondas surfadas, até que uns três ou quatro guerreiros tentaram o surf na remada.

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O rescaldo após a onda. Foto: Arquivo Pessoal N.B.

O canal do Mampituba fez sua parte e largou a moçada na boca do surf. Só precisavam conseguir passar a rebentação que estava lá atrás, além dos molhes.  Logo que eles passaram os molhes ficou visível a forte corrente de sul. O primeiro que chegou pegou o intervalo entre as séries e conseguiu varar. A tarefa agora era se manter no outside pra tentar pegar ao menos uma daquelas direitas. Dois outros seguiam, mas deram o azar de chegar na rebentação ao mesmo tempo em que a série começava a bombar. Ela não perdoou. Bastou umas ondas na cabeça junto com a forte corrente para levar os audaciosos pra longe do pico. O outro surfista que tinha conseguido varar, seguia enfrentando os elementos e tentando chegar ao longe, onde quebravam as ondas.

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Foto: Arquivo Pessoal N.B.

Nem o primeiro, nem os dois outros surfistas que vi tentar, conseguiram pegar alguma daquelas bombas na remada. Realmente, parecia ser impossível. Mas valeu pela valentia e coragem de ao menos tentar. Parabéns!

Não consegui surfar naquele dia, mesmo assim foi muito bom contemplar aquele sábado ensolarado, com séries enormes, surfistas casca grossa e os botos dando as caras, ou melhor, as barbatanas. E melhor ainda, tudo em ótima companhia.

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Galera no Farol do Passo de Torres (SC). Foto: Arquivo Pessoal N.B.

Após esse dia excelente, o domingo chegou e nos presenteou com um mar irado. Longas direitas escorriam na praia da Cal, a essa altura bem mais amigáveis. Apesar da remadeira as ondas estavam ótimas, enfim, só diversão. Mais um feriadão na bagagem, com boas histórias, bergamotas, frio e altas ondas. Life is good.

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O autor aproveitando condições mais favoráveis no domingo. Foto: Arquivo Pessoal N.B.

O Surfari agradece a colaboração de Nícolas e a disposição em contar sua história. Se você tem interesse em dividir uma aventura, mande um e-mail para contato@surfari-tv.com.

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