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Roxy Pro Biarritz: Polêmica no Surf Feminino

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Quando assistimos pela primeira vez o teaser produzido pela Roxy para a etapa francesa do circuito mundial feminino de surf, ficamos um pouco chocados. De forma alguma foi a primeira vez que vimos um vídeo com tanta ênfase nos atributos físicos do corpo feminino quanto nas próprias manobras, tampouco seria a última, só havia uma diferença: não havia manobras. Ainda no intuito de não influenciar a discussão com nossos próprios pré-conceitos (nossa visão está a caminho), convidamos as leitoras do Surfari a darem sua opinião sobre o filme.

Reproduzimos a versão de cada uma delas separadamente.

Carla Borella

Roxy, que *#@$& é essa?

Essa foi a reação de muitas mulheres quando assistiram ao trailer da Roxy, promovendo o campeonato de Biarritz. Bem, foi a minha reação pelo menos, e de mais algumas centenas.

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Inicia o vídeo: uma mulher seminua rola nos lençóis, levanta-se e vai tomar banho, água caindo pelo corpo nu. Ela veste uma roupa, mexe no celular, entra no seu Jeep e vai pra praia. Foco no short jeans, visto de costas. O vídeo termina com a surfista remando no mar, de costas para a câmera. Na tela, entra texto e logotipo do campeonato mundial de surfe feminino que vai acontecer em julho. Sério Roxy, que @$%#^ foi essa?

Não sou contra ter um toque de sensualidade em propaganda de marca feminina, pois as mulheres são sensuais por natureza, e isso é lindo. Mas é preciso saber a medida certa. As marcas não podem esquecer que essas meninas são atletas, acima de tudo, treinam forte o ano todo para ter a melhor performance nos campeonatos. Este sim é o trabalho delas, e é assim que elas inspiram tantas outras.

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E aí chegamos ao fato mais importante dessa discussão toda: as surfistas profissionais são idolatradas, almejadas por milhares de garotinhas que sonham em ter esse estilo de vida. Para elas, o surfe é a maneira de se manter forte, saudável, de fortalecer a autoconfiança e a segurança. E, por isso, este ambiente não pode ser contaminado pelo excesso de sensualidade.

Não tem como negar, as marcas fazem o calendário anual de surfe acontecer, são elas que bancam o treinamento dos atletas, as viagens e os eventos. São elas que ainda pagam inserção em página dupla pra você ter sua revista preferida em casa. Mas enquanto essas mesmas marcas continuarem a explorar a imagem de suas atletas de forma sexista e machista, o surf feminino vai continuar bem longe de conquistar a seriedade que gostaríamos.

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Stephanie Gilmore, a garota misteriosa do vídeo fazendo o que sabe fazer melhor.

Texto escrito no dia 03/07/2013, por Carla Borella.

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