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Roberta Borges e a Arte do Acaso

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Se você era um entusiasta da extinta e saudosa The Surfer’s Journal Brasil, talvez tenha lido essa matéria naquelas páginas bem impressas e de gramatura imponente. Esse foi o primeiro artigo escrito para a revista pelo nosso editor, Lucas Zuch, que antes fazia parte da equipe de tradutores. Depois dessa matéria Lucas seguiu traduzindo e publicando alguns textos menores até emplacar a publicação de uma grande matéria na penúltima edição da TSJ, que re-postaremos semana que vem. Fique agora com um pouco da história de Roberta Borges, primeira campeã brasileira de surf e competente fotógrafa.

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A arte de entender as chamadas do acaso. Difícil de assimilar, mas eventos fortuitos da vida são controláveis por nós tanto quanto o rolar dos dados em uma mesa de jogo. Tão assustador quanto isso possa parecer, a nós cabe apenas comportar-se de forma a fomentar novos caminhos ou fechar-se para eles. Roberta Borges é uma dessas pessoas que preferiu sorrir para as oportunidades.

 

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Ainda nos saudosos anos 70, quando Roberta teve o primeiro contato com o surf, na praia da Guarita (RS), viu na atividade o passaporte para um mundo de diversão que, até então, desconhecia. As coisas aconteceram rápido, e quando competiu pela primeira vez, no OP Pro de 84, em Florianópolis, já sagrou-se vice-campeã. Atônito com a performance da novata, o então dono da Sundek no Brasil, fechou um contrato de patrocínio com a jovem ainda salgada e de pés na areia.

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No ano seguinte, já mais preparada, Roberta foi para Ubatuba (SP). Ignorando a pressão, foi empilhando baterias e novamente chegou à final. Mesmo com um mar grande e revolto, Roberta foi coroada a primeira campeã brasileira de surf. Em breve, teria o passaporte carimbado pela alfândega inglesa, como representante do Brasil no mundial amador de 1986.

Roberta Borges (segunda da esq. para a dir.) com as companheiras de surf feminino no Circuito Renner. Foto: Arquivo Pessoal R.B.

Roberta Borges (segunda da esq. para a dir.) com as companheiras de surf feminino no Circuito Renner Foto: Arquivo Pessoal R.B.

Apesar desse currículo, foi ao abrir outra porta que a vida de Roberta Borges mais uma vez teve uma importante virada. Desde que tomou gosto pelo surf, ela registrava tudo que via quando estava na praia. Vivendo a quase 200 km de distância do litoral, essa era mais uma forma de manter a nostalgia viva do que qualquer outra coisa. Com Amaro Damasceno, pai de sua melhor amiga, como incentivador e um laboratório de fotografia à disposição no colégio onde estudava, a fotografia se transformava numa espécie de surftrip urbana. O hobbie evoluiu, e quando percebeu que haveria que optar por um caminho mais convencional ou dar murro em ponta de faca com o surf, a fotografia tornou-se profissão.

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Roberta Borges disputando o campeonato Sundek Classic, 1986. Foto: Arquivo Pessoal R.B.

Através de muito trabalho e bons relacionamentos com profissionais do esporte, da arquitetura e do campo, Roberta fez desse triunvirato seu principal campo de atuação. Mas essa onda não era suficiente para Roberta. Depois de alguns anos colaborando com revistas como Casa Vogue, Fluir, Almasurf, Trip/Tpm, Sul Sports, entre outras, ela decidiu que era hora de fazer o que realmente gostava, que estivesse mais de acordo com sua essência.

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Abrindo a porta para mais um acaso da vida, encontrou em um curso de especialização aquele que seria seu maior mentor fotográfico, o renomado fotógrafo Manuel da Costa. Roberta relata com boas lembranças que através de Manuel, aprendeu a construir uma composição fotográfica, para depois desconstruí-la e imprimir sua identidade em um retrato. Segundo ela, a estética, o equilíbrio e a composição de uma imagem marcante só conseguem ser atingidas através da soma de um entendimento profundo das ferramentas técnicas e do relacionamento pessoal, e até sentimental, com o objeto retratado.

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Depois de renovar sua paixão pela fotografia e solidificar sua confiança como fotógrafa artística, Roberta teve mais um indício de que estava no caminho certo ao relegar trabalhos comerciais e dedicar-se à ‘fine art’, em 2010 ganhou o Prêmio Brasil Fotografia, na categoria Revelação, dentre mais de 24.000 inscritos. Atualmente, Roberta dedica-se a criação de imagens que expressem seus sentimentos e revelem um lado pouco explorado de um ‘modelo’ que conhece tanto: o mar. Ao ver sua empolgação com a nova fase, não se engane, o acaso em nada substitui trabalho e dedicação.

Mais sobre a vida e o trabalho de Roberta em: www.robertaborges.com.br

 

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