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Red Bull Skate Generation (Pt. I)

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Quando fomos convidados para cobrir o Red Bull Skate Generation, não sabíamos exatamente onde estávamos nos metendo. Já tínhamos ouvido falar sobre o evento, claro, principalmente pelo nome de Pedro Barros estar envolvido. Mas isso era quase tudo que sabíamos. Quando ouvimos os nomes dos legends que iriam estar presentes, bem como o elevado número de skatistas gringos, percebemos que talvez a dimensão do lance fosse um pouco maior do inicialmente imagináramos. De fato, só conseguimos entender o que estava se passando quando pisamos a primeira vez no bowl do Rio Tavares, em Florianópolis. Era apenas o treino dos amadores e já presenciamos as melhores performances de skate ao vivo das nossas vidas. A plateia se amontoava num barranco acima do bowl criando um clima de arena, com a única diferença sendo que além de sangue, eles queriam ver manobras.

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A arena criada no bowl do Rio Tavares Mother Fuckers.

Tomamos uns momentos para continuar entendendo sobre o que tudo aquilo se tratava e como honraríamos nossa credencial de imprensa em meio aos melhores fotógrafos e repórteres do skate nacional. O primeiro passo foi assumir que fomos criados no surf, e apesar do skate ser um derivado do esporte dos reis, ele é muito diferente. Em todos os sentidos. Tente acompanhar com um zoom decente a volta de um skatista profissional pela primeira vez. Até a décima quinta tentativa é provável que você tenha perdido o timing em mais de 80% das manobras. Mas tudo bem, estávamos nos acostumando com isso. A próxima etapa era entender como toda essa galera estava reunida numa pista particular, em uma quebrada de estrada de chão do Rio Tavares, no meio de Florianópolis.

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Mídia skate nacional registrando cada movimento.

Já conhecíamos o Christian Hosoi e um pouco de sua história, então saber que ele estaria lá engrandecia bastante o status do evento, mas no auge da nossa ignorância nos perguntávamos: who the fuck is Omar Hassan?! Esse era apenas um dos nomes consagrados que chegavam para destroçar o bowl e do qual nunca tínhamos ouvido falar antes. Basicamente, esse e outros caras que você já deve ter escolhido no Tony Hawk Pro Skater, como Rune Glifberg, estavam lá pela importância que Pedro Barros e sua turma têm atualmente no skate mundial e pelo formato do evento, que enfatiza a curtição do esporte em sua essência.

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Legends Christian Hosoi e Eddie “El Gato” Elguera observando o futuro do skate detonando o RTMF bowl.

Embora seja um campeonato, o mote do RBSG é misturar diferentes gerações de skatistas e trazer para o público o que essa confusão de estilos e abordagens tem de melhor. Funciona assim, quatro categorias (Amador, Profissional, Pro Master e Pro Legend) disputam uma etapa classificatória entre si, e os seis primeiros de cada categoria se qualificam para a formação de times. A seguir, os primeiros colocados na eliminatória formam o primeiro time, os segundos colocados formam o time número dois, e assim, sucessivamente até a sexta equipe. A batalha dos times, o ponto alto do evento, estava marcada para o domingo (14/04), às 13:00hs. Um excelente dia de sol presenteou os espectadores, os skatistas e os organizadores do evento. Admito que foi difícil se concentrar em trabalhar vendo os principais nomes do skate mundial andar tão de perto. À essa altura, já estávamos por dentro da competição e do estilo dos principais skatistas. Estilo, por sinal, foi algo que não faltou na final. Caras como Eddie Elguera, Sergie Ventura, Léo Kakinho, Sandro Dias e, lógico, Pedro Barros esbanjavam atitude e radicalidade em suas voltas.

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Sandro “Mineirinho” Dias mostrando que, apesar dos 38 anos, ainda tem muito o que ensinar para a molecada.

O catarinense de 18 anos demonstrou o porquê de todo hype à sua volta e, simplesmente, comandou o espetáculo. Nem Christian Hosoi que – para aqueles que vêm do surf entenderem – é uma espécie de Rob Machado misturado com Christian Fletcher teve chance. Tentar descrever o que é ver esse moleque ao vivo nunca faria jus à realidade. É agressividade, estilo, fluidez, velocidade, tudo comprimido em um corpo em movimento, é ver como um bowl deveria ser utilizado. Suas voltas eletrizavam as mais de 1.000 pessoas que se amontoavam na “arena”, fazendo a animação beirar uma histeria coletiva.

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O dono da festa, Pedro Barros, inspirando todas as gerações de skatistas.

Ao final, todos os times foram agraciados com um belo troféu, um pedaço do mesmo coping block que constitui o bowl do RTMF, e o clima de reunião de amigos se estendeu até a festa de encerramento. Muito mais do que disputar um campeonato ou uma premiação, entendemos que essas lendas todas estavam lá era para celebrar o skate, rever velhos amigos e observar o que vem aí no futuro. Quanto a nós, aprendemos lá que com organização, profissionalismo e muita paixão é possível tornar qualquer sonho realidade. Até mesmo ter uma pista de skate na própria casa e convidar os ídolos para dar uma volta nela.

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A celebração de todas as gerações.

Texto por Lucas Zuch.

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