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Reconhecendo o Surf – Prólogo

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Com vocês, o episódio 0 do Reconhecendo o Surf na íntegra. Aproveita e leia o texto inspirado do nosso editor abaixo. Mais informações em reconhecendosurf.com

Tem uma coisa que começa antes da coisa em si.

O encolhimento da matéria antes da expansão.

O tensionamento da mola pra ela projetar.

A gente fez bem essas duas coisas, figurativamente. Tipo um treinamento físico antes de uma maratona.

Figurativamente, foi isso que fizemos antes de dar partida no Reconhecendo o Surf. Esse projeto verão (sem fim) começou 6 anos atrás, quando meu TCC deu origem ao desejo de fazer um grande levantamento sobre o surf no Brasil.

Aquele olhar desconfiado da orientadora denunciava a gravidade do desejo. Mas o foco no 10 era tão paradoxal que, o “bem, vamos nessa” foi inevitável para a professora Liliane Rohde. Esse trabalho culminou no 10 e, coincidindo com surgimento do Surfari, se transformou em um vídeo.

O Surfari nasceu pra enriquecer a cultura – por mais amplo que isso pareça e seja um papo pra outro momento – então nada mais alinhado ao objetivo do que organizar informação, um bom storytelling e, mundo, receba esta arte. O primeiro capítulo da nossa história (ou seria estória??) foi compartilhado por milhares de pessoas e assistido um par de milhão de vezes. E serviu de base pra mais trabalhos, foi apresentado em reuniões de pauta de micro a mega empresas, entrou no conteúdo de palestras motivacionais e pitchs de elevador. Esse último, talvez tenha sido apenas verdade se o elevador enguiçasse e ficasse 7 minutos parado. Mas… elevador não tem 3G. Então, esquece.

Bueno, partindo do princípio que de 2012 pra cá o cenário de surf nacional mudou drasticamente, precisávamos aprender quase tudo de novo sobre esse tema tão familiar, no entanto selvagemente mutante. Já tive várias teorias sobre o que move o mundo, mas recentemente me ocorreu que a humanidade é movida em grande parte pela curiosidade. É a curiosidade que te faz tirar a bunda da cadeira pra ver, ouvir e sentir melhor a origem daquele barulho ou daquela luz lá fora. E foi a curiosidade que nos fez retomar esse projeto.

O Reconhecendo o Surf é uma parcela significativa do que compõe o DNA do Surfari. A ideia de viajar por aí filmando lugares, pessoas e eventos, escrever sobre isso, viajando e surfando parece até um conto de fadas para a maioria dos terráqueos. E é. Mas envolve um depósito de carga energética que justifica a lírica estonteante desse sonho. Vou puxar como referência uma visão pessoal que os habitantes do planeta Surfari passaram até esse texto ser escrito.

My friend, we’ve been busy. Para encurtar, saímos da ressaca do SurFest (um evento 10x maior, mais complexo e mais arriscado do que o maior que já havíamos feito) e tínhamos, chuleando, um mês para botar na rua a fundação de uma obra. Obra ampla. Escavação, viga e o escambau. Tô tentando encurtar, mas a memória vem em atropelo e os dedos respondem. Fizemos um crowdfunding.

Pra essa receita, você precisa de 01 causa bem azeitada, 01 vídeo bem temperado, 01 orçamento esmiuçado, 06 apresentações adoçadas para patrocinadores diferentes, 8 ou 7 textos puxados no embasamento, 15 drops de embaixadores e 20 recompensas à gosto. E essa é a parte básica da receita, porque você vai ter que empacotar e vender essa fornada para amigxs, para parentes, para parentes dxs amigxs e para amigxs dxs parentes. E pra uma porção de gente que você nem conhece mas já considera pacas.

Isso é um trabalho de formiguinha bem difícil e delicado de fazer, afinal, o dinheiro tá curto e por mais nobre que seja o motivo[1], é dinheiro que você está pedindo. Além disso, você tem que criar espaço pra que marcas vejam valor no conteúdo que você está produzindo, sem que a qualidade e profundidade do conteúdo seja contaminado pelo espírito comercial de qualquer uma das partes. Então, é preciso encontrar um delicado equilíbrio entre a arte pura e a viabilidade financeira de viajar de carro pelo Brasil por três meses. Fomos bem recebidos tanto por público quanto por crítica. Quanto por marcas. Estamos bem próximos de atingir um ponto que permite a entrega do conteúdo e dos eventos. Um pouquinho mais afastado do ponto em que a gente lucra, e dá um salto de ponta no vil metal opressor, feito o Tio Patinhas.

Brincadeiras à parte, a gente tem um formato muito enxuto para a missão em que a gente se meteu. No front de batalha estão 2 lanceiros, na engenharia estão 2 guerreiros, na provisão 1 paraquedista e na logística 1 combatente. A dupla do front pilota, agenda entrevista, filma, aplica roteiro, faz imagem de composição, posta no snapchat, socializa, registra os contatos, arranja onde comer e dormir, faz diário de campo, faz o log dos cartões, bota tudo pra carregar, cria os posts pra rede social e coloca o despertador pra repetir tudo no dia seguinte. A base recebe o material, edita, trata a cor, o áudio, finaliza, faz estratégia, posta, arranja disseminadores do conteúdo, faz assessoria de imprensa, dá follow na galera do crowdfunding, faz atendimento dos patrocinadores, cria cronograma de postagem, paga as contas, cuida do e-commerce, cria outros projetos editoriais e audiovisuais e mantém o carrossel dos eventos funcionando. Obrigado por chegar até aqui. Você teve um panorama do que o Surfari faz.

Se algum momento dessa narrativa passou pela cabeça a menor fagulha de uma queixa, me avisa. É sério, preciso rever aquela aula sobre tom. Embarcamos no projeto mais docarajodelaputamadre que já fizemos. Estamos dando os primeiros passos nesse exoesqueleto chamado Reconhecendo o Surf, e estamos vendo que essa será a mais bela dança das nossas vidas. Até que venha a próxima. Mas lembra que, figurativamente falando: It’s all about the dance.

Continua.

[1] Obs.: Há, de fato, a compra de uma recompensa

Patrocínio: Corona, Mitsubishi e galera do crowdfunding
Apoio: Mormaii, GoFlow, Trópico, Powerlight Surfboards, Ogro Surfboards, TBS Surfboards e Nutrimate

Texto: Lucas Zuch

 

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