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Rápida Manifestação

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Rápida manifestação.

Dito que define um local ou fenômeno onde determinada ação é gerada por uma veloz e repentina interligação de premissas.

Relaxa, essa é só uma maneira pomposa de falar sobre a minha experiência com o Rio de Janeiro. Uma cidade de rápida manifestação, caso você ainda não tenha tido a oportunidade de conhecer.

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Mesmo que o cérebro insista em nos privar dessa noção, nossa vida é largamente baseada na conexão de experiências aleatórias. Também tive uma dificuldade de engolir esse tijolo, mas temos tão pouco controle sobre eventos fortuitos que cruzam a nossa vida que seria assustador demais acordar não sabendo se você vai dormir. Não que a situação atual do mundo não esteja bem próxima disso, mas esse não é o ponto agora.

Vou tentar explicar de maneira rápida o que aprendi com o livro ‘O Andar do Bêbado’, de Leonard Mlodinow. Andar do bêbado é como os cientistas – estas pessoas maravilhosas que tentam explicar o complexo milagre que é a nossa vida – definem a trajetória dos elétrons ao redor do núcleo de um átomo. Ele não pode ser previsto ou replicado, é aleatório. Como nós, e tudo à nossa volta, é constituído de átomos, dá pra fazer uma inferência sobre o quão fora do nosso controle é nossa vida.

 

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Essa do livro, é uma forma de entender esse negócio de rápida manifestação, a outra é se você conhece uma australiana numa festa em Bali e 5 dias depois, por total acaso, a encontra numa praia ensolarada no lado completamente oposto da ilha. E ela te explica o que é rápida manifestação.

Não que essa história seja necessariamente verídica, mas sei por experiência que a Indonésia é um país de rápida manifestação. Assim como o Rio de Janeiro, aliás, pano de fundo dessa crônica. Ou texto. Ou o que o valha.

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Bem, dizia eu, que apesar do pouco que conheço do Leme ao Pontal, minhas passagens por lá atestam que realmente o Rio provoca colisões. Rápidas. É uma onda que você surfa, uma esquina que você cruza, uma pessoa que você conhece, uma trilha que você faz, um voo que você decola. A qualquer um desses momentos você pode, sem o menor sinal de aviso, se deparar com um Y na vida. Sem tempo para escolher qual lado.

Na última sexta-feira minha experiência carioca foi tocada à brete em um caminho inesperado, não pedido, não visualizado. Aleatório.

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Estava navegando com a empresa, leia-se todos equipamentos, na lancha de amigos, quando ao cruzar de volta o Quebra-Mar da Barra da Tijuca, uma onda surpreendeu à todos e fez o barco dar de borda tal qual uma prancha gigante. Dois amigos foram parar na água, um deles abraçados em uma mochila (não-estanque) com a empresa dentro.

O padrão formado pelo lado cartesiano de nosso cérebro urge em buscar um culpado. É a primeira coisa que fazemos. Pois diante de uma possível tragédia, precisamos nos reconfortar, precisamos de abrigo. É duro perder os instrumentos de trabalho remoendo a série de detalhes que poderiam ter anulado esse fato, mas todos terem saído ilesos faz desse lamento um capricho.
‘E se eu tivesse feito isso, e se eu tivesse feito aquilo’. ‘Se aquela onda não tivesse vindo de surpresa’. Esse não é o aprendizado sobre essa experiência.

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Entendi, a partir desse episódio, que a grande busca é por uma vida, vivida de maneira intensa. E se não for em um local, então torne a sua vida um fenômeno de rápida manifestação. Abrace a vida sem medo do que a próxima a hora vai trazer.

Para as câmeras basta uma mala estanque.

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Texto por Lucas Zuch. 

Dezembro/2015.

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