Surfari | O expedicionário M. Torres. O expedicionário M. Torres. | Surfari

O expedicionário M. Torres.

Texto escrito por M. Torres expedicionário da Lemurian Expedition – I.

“Sou um cara pra frente, sonhador, o tipo que tem fé na vida, na humanidade. E essa característica maior que se impõe sobre minha personalidade nasceu comigo, ou pelo menos se desenvolveu quando eu era ainda muito menino.

Recordo-me de quando fui viver com meu pai no Rio de Janeiro, do deleite que eram os banhos de mar domingueiros na praia de Piratininga em Niterói, sempre em seu colo.

– Olha a onda filho!

Essa frase ainda ressoa em certos momentos. Felicidade! Ou dos finais de semana em Saquarema com os tios Geraldo “Pirulito” e Sérgio. Eram os anos oitenta eclodindo com toda sua poesia, musicalidade e estilo. Costumávamos catar “Tatuís” na areia molhada e gelada da praia de Itaúna, para belas fritadas regadas à manteiga, farofa e guaraná. Ainda sinto o perfume da maresia impregnado pelos ventos gélidos de sul e sou assombrado pela imponência daquelas enormes ondas, mar revolto de fortes correntes.

Do Rio à Bahia, minha Baía de Todos os Santos, minha linda Itaparica, minha Berlinque de longas bancadas multicoloridas em corais e biodiversidade. O olhar sempre concentrado nas pontas das praias, como se buscasse desvendar o desconhecido.

Também fui menino de roça, do interior, de Nazaré das Farinhas, do rio dos Remédios, e por ele trafeguei em canoas, pescando siris com “gereré” e desfrutando com toda intensidade, uma infância livre. Por trilhas e matagais coletei cajus, jambos e siriguelas, que além de saciarem minha fome, geraram alguma lucratividade na feira-livre da cidade.

Trafeguei pelas ruas goianas, ainda de barro, do Parque Amazonas. Construí brinquedos, bati figurinhas, rodei piões, empinei e fabriquei pipas, fui “craque” com bolinhas de gude nas mãos. Joguei bola, lavei carros, vendi picolé, capinei terrenos, tive uma infância intensa e a adolescência não poderia ser diferente.

De volta a minha Bahia querida, conheci meu grande amigo Fátimo, parceiro nas ondas do Guaibim e da vida. Novos sonhos, novo mundo e voltei a viver em Salvador onde passei a projetar o futuro. Fui competidor profissional de Bodyboarding e por este lindo esporte andei devaneando, criando, compondo e principalmente, sonhando. Veio a Escola Gênesis, onde aprendi a arte de ensinar, a fundação da Federação de Bodyboarding do estado da Bahia e os atletas de alto-rendimento, encabeçados por Uri Valadão, com quem compartilhei belos quinze anos de parceria coroados com o título mundial de Bodyboarding profissional em 2008, nas Ilhas Canárias. Um incomensurável aprendizado nos campos da disciplina e persistência.

Em paralelo a tudo isso, a literatura sempre se fez presente. Da infantil, “Meu pé de laranja lima”, “Menino do dedo verde” e “Coleção Vagalume”, captaneada por “Tonico e Carniça”. Juvenil e adulto, “O velho e o mar”, “A ilha do tesouro”, “Robson Crusoé”, à fantástica obra mundial voltada para os contos sobre sociedades tribais espalhadas por todos os continentes, arquipélagos e ilhas oceânicas.

Reverencio todos os grandes navegadores que tanto me influenciaram, Sheackleton, Amundsen e Scott, incansáveis heróis da conquista dos polos, Thor Heyerdahl com sua apaixonante narrativa em “A Expedição Kontiki”, dentre tantos outros menos famosos que me emprestaram seus sonhos através dos seus simples e maravilhosos relatos. Não posso esquecer do grande Amyr Klink, poderoso navegador solitário, tão corajoso e perspicaz!

E naturalmente entusiasmado por tamanha excitação, me iniciei em pequenas expedições. Caminhando em solitário pelas praias baianas descobri muito sobre mim e a cada dia trilhado, ampliei meus horizontes. De mochila e com pouco dinheiro, me aventurei pelos caminhos da América do Sul e finquei na Cordilheira dos Andes minha bandeira, sonhos maiores e muita vontade de continuar, de viver intensamente. Foi lá também onde descobri o verdadeiro valor da família, da paternidade e do casamento. Em paisagens lunares, nevadas, em meio a resquícios de antigas civilizações, senti com toda a intensidade a presença de Jade, Lua e Thaty, minhas meninas, às quais dedicarei para sempre todas as minhas conquistas.

Portanto, deitado na praia estou, olhos cerrados, marejados, aquecidos ao sol, multicores em tons de fogo transitam de um lado para o outro. Uma brisa balouça meus cabelos e o perfume, adivinhem só…”

Fotos arquivos pessoais M. Torres.
Para conhecer mais sobre a Lemurian Expedition – I acessem: Fanpage e Site Oficial.

Instagram