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O campeonato de surf (um pouco) diferente

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

2012 Da Hui Backdoor Shootout Day2 Highlights from Prickett Films on Vimeo.

Imagine uma tarde com os amigos. Imagine que você está num lugar paradisíaco. Imagine que você está observando possivelmente as mais bonitas ondas do mundo. Mesmo que você nunca tenha subido em uma prancha, essas hipotéticas situações são capazes de trazer um sorriso ao seu rosto. Ainda que seja aquele esboço de contração muscular em um dos hemisférios da face. O surf e, em especial, o ambiente onde ele é praticado unem estímulos estéticos tão belos e intensos que mesmo se você descrevesse esse fenômeno a um cego ele, muito provavelmente, iria esboçar aquele sorriso suave que citei.

Apesar de o surf ter se desenvolvido ao redor da indústria esportiva, como é comum em quase todos esportes, não vejo que a maior graça ou plasticidade venha dos campeonatos por ela patrocinados. Não seria tolo de ignorar que o circuito mundial de surf, bem como qualquer outra liga ou campeonato, inclui a nata dos surfistas de alta performance e quando esse grupinho se encontra com as melhores ondulações do globo, como aconteceu em Teahupoo em 2011, bem… as coisas ficam mais excitantes.

Ainda assim, sou um pouco cabeça dura para entender o que atrai tanta gente aos campeonatos. Divido minha opinião com a de Phil Edwards, que quando entrevistado para a revista Surfer em 1964 disse que “nunca considerou o surf um esporte particularmente competitivo” e que ele “não entendia qual era o grande lance da competição”. Diversos são os argumentos a favor e contra a competitividade neste esporte, mas um que nunca sai de linha quando entro novamente em minha batalha mental sobre a apreciação ou indiferença por campeonatos é: como quantificar algo que é subjetivo?

É como se um cabeleireiro cobrasse pela harmonia de um penteado ou um advogado por interpretação teatral num tribunal. Você não irá conseguir o sorriso do cego se explicar a ele a beleza de um campeonato.

Ainda assim, navegando pelo infinito oceano de conteúdos relacionados ao surf, encontrei um vídeo com os melhores momentos de um dia de competição do Da Hui Backdoor Shootout. Esse torneio tem pontuação e regras bem diferentes das convencionais etapas do World Tour da Association of Surfing Professionals (ASP). Embora as ondas ainda sejam pontuadas, os surfistas tem mais tempo na água e não precisam usar as camisetas de lycra que tanto simbolizam… um campeonato. Estão, assim, bem mais perto da imaginação e do sorriso do início.

 

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Banzai Pipeline. Foto: Cestari/ASP.

Texto por Lucas Zuch.

Referência: WARSHAW, Matt. The History of Surfing. San Francisco: Chronicle Books, 2010.

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