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Nova experiência #2

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Nos últimos tempos tenho lido um livro que se chama “The History of Surfing” do escritor californiano Matt Warshaw. É um daqueles livros de 500 páginas com muitas passagens, fotos e ilustrações, sem dúvida, algo para se expor na mesa da sala, deixando-o ao alcance de algum amigo mais curioso. Resolvi lê-lo do início ao fim e, como não poderia deixar de ser, uma grande parcela dele é situado nos tempos em que os surfistas usavam apenas longboards, pranchas infinitamente mais pesadas e menos manobráveis do que as atuais.

A natureza humana tende sempre a evoluir e foi, também,  o que aconteceu com as pranchas de surf. Sem as inovações provenientes da cabeça de gênios como Bob McTavish, Simon Anderson e Al Merrick, certamente ainda estaríamos léguas distantes de conseguir surfar qualquer ondulação possível e imaginável e mesmo Kelly Slater talvez permanecesse apenas um bom surfista da Flórida, nunca ascendendo ao patamar de celebridade mundial.

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Ainda assim, esse tipo de prancha sempre despertou em mim alguma curiosidade. Inicialmente, quando era apenas um fedelho perambulando entre a areia e o mar, fiz umas aulas de surf numa viagem da família e, numa dessas gigantes, fiquei pela primeira vez propriamente de pé. Mais tarde, quando refletia sobre o design das pranchas atuais, me perguntava porque demorou tanto tempo para “serrarem” o bico dos longboards e iniciarem a Shortboard RevolutionCreio que isso ocorre pois, uma vez que você vê as coisas depois de sua concepção 0 seu cérebro leva sua percepção daquele ponto adiante – por exemplo, minha geração já nasceu com telefone, fax e microondas, não estou acostumado a pensar em como eram as coisas antes dissoNo entanto, os longboards me intrigavam.

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No Natal de 2010, convenci minha família a dividirmos e dar de presente para o meu pai um longboard. Prometi que o daria tantas “aulas” quanto fossem necessárias – algo que já aconteceu algumas vezes e que pretendo escrever sobre muito em breve – para ver se ele incorporava aquilo como um hobbie. Como não podia deixar de ser, após o nosso programa curricular eu pegava a embarcação – que mede quase o dobro da minha prancha do dia-a-dia – e me lançava mar adentro para testar e descobrir como manejar o brinquedo.

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Para minha grata surpresa, fiquei abestalhado com a quantidade de prazer e diversão que são extraídos desses modelos tão diferentes dos que eu já estava acostumado. Poucas remadas são suficientes para te colocar em movimento, a sensação de estar bem acima da linha da água e, o principal, salvar os dias em que as ondas estão abaixo da mediocridade me fizeram reformular meus conceitos sobre esses modelos. Ainda tenho, evidentemente, uma infinidade de movimentos e reflexos que quero aprimorar em cima das minhas pranchas, por assim dizer, normais. No entanto, confesso que o desafio de colocar os dedos dos pés além do bico desse mamute se revelou tão estimulante quanto a primeira vez que acertei uma rasgada com a minha pranchinha.

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Nunca fui uma pessoa particularmente preconceituosa em relação à design de pranchas, mas havia bastante tempo em que não botava meus pés em algo dessa magnitude. Esteticamente, pode não ser tão bonito carregar um trambolho que mede o dobro do seu tamanho quanto é carregar aquela pranchinha, fininha, bonitinha, dos sonhos, mas, ainda assim, garanto que a amplitude do sorriso que aparece na sua cara quando desliza com suavidade e rapidez por lugares da onda que não conhecia é reveladora. Enfim, é preciso conhecer o passado para projetar o futuro.

P.S.: O gorro usado nas fotos não tinha o intuito de compor o figurino, mas sim proteger um corte provocado pela quilha de uma prancha minha. Uma outra experiência que um dia pode também render um post.

Fotos por Gabriela Sant’Anna Moreira.

Texto por Lucas Zuch.

Locação: Praia dos Ingleses, Florianópolis, SC.

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