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Namorada de Surfista – Los Roques I

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Namorada de Surfista – Los Roques narra a viagem do casal Gabriela Moreira e Lucas Zuch para o Caribe Venezuelano, um paraíso de águas azuis e calmas. De fato, as praias do arquipélago escolhido por Gabriela têm um mar tão calmo, que quase enlouqueceu o fissurado Lucas ao saber que embarcariam para suas primeiras férias sem ondas, surf e todo o “pacote” que uma autêntica surftrip proporciona. Em uma série de 4 episódios, Gabriela e Lucas relatam o roteiro da viagem, a pesquisa do destino e como fizeram para encontrar o equilíbrio turístico e a satisfação dos interesses de ambos.

O roteiro completo com dicas, cotações, preços e tudo mais você pode acessar nesse link: Roteiro viagem para Los Roques, Venezuela.

Gabriela:

No cruel mundo das namoradas de surfistas, o que acaba norteando as minhas férias são, invariavelmente, as ondas. Este, foi o ano do basta. Não que a gente não goste de ver o namorado feliz, relaxado e realizado. Como boas namoradas, esse é, inclusive, o nosso objetivo. Mas às vezes o caminho para o paraíso diverge da direção das benditas ou malditas olas. Pensando sempre que o equilíbrio é a melhor escolha, eu e o Lucas temos a seguinte combinação: nos anos pares quem escolhe o destino é ele, enquanto que nos anos ímpares a escolha é absolutamente minha. Ou deveria ser. Até hoje, ou o ano era par, ou ele acabou interferindo no meu destino. Ok, foram boas escolhas, que geraram ótimas lembranças. Mas esse foi o meu ano e aqui começam os desafios.

Quando expliquei que no Arquipélago de Los Roques, localizado na linda Venezuela, não existiam ondas um beiço cresceu, duas narinas dilataram e os meus ouvidos escutaram várias sugestões que iriam, fatalmente, terminar direcionando um novo destino para o meu ano ímpar. Me mantive firme e passei a sentir o entusiasmo quase nulo do meu querido namorado surfista. Mesmo assim, embarcamos rumo a Caracas no dia 23 de outubro de 2013.

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Como de costume, nossas viagens começam sempre de madrugada. Deve ser culpa das passagens promocionais, que nos roubam algumas horinhas de sono, mas compensam proporcionando muito mais infraestrutura no destino final. O dinheiro, definitivamente, não é indispensável para a felicidade. Mas para chegar até Los Roques ele é. E aqui, para conseguir ser infeliz, haja depressão! E como é lindo ver ele se multiplicando no câmbio para os bolívares. Quase faz com que lágrimas escorram dos meus olhos. Câmbio paralelo, te quiero, mi amor. Mas, comecemos pelo começo:

Não sei o que acontece, mas o mundo conspira a nosso favor nas férias. Olhando pela janela do voo, durante um daqueles devaneios momentâneos, em que calculamos o risco de sobreviver a uma queda de avião e o tempo que levariam para nos encontrar, me perguntei que mato era aquele abaixo de nós. Escutamos uma resposta do além. Era o Símon, dizendo “Estamos chegando no caribe”. A palavra “caribe” fez meu coração palpitar com um suposto acidente tão glamoroso. O Símon era o nosso vizinho de voo, sentado na poltrona da frente. Viramos best-friends-foverer-até-que-a-viagem-nos-separe. Ele é um venezuelano que mora em Florianópolis há alguns anos, cheio de dicas sobre Caracas e com muita disposição para ajudar. Confesso, cá entre nós, que como boa brasileira, quase suspeitei de tanto “fazer o bem sem olhar a quem”. Cogitei um sequestro relâmpago, assalto a mão armada ou cocaína infiltrada na minha mala. Pode ser um indício de síndrome do pânico. Pobre Símon, tão querido.

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Estávamos levemente apreensivos em relação a Caracas. Mas a Venezuela é tão gostosinha, que fica impossível resistir. Nosso querido Cristopher Columbus chegou lá em 1498 com aquele mesmo papinho conhecido de que achava que era outro lugar. O cara nunca sabia em que lugar do mundo ele estava. Pra mim o safado se fingia de banana pra curtir as coisas boas da vida. A Venezuela é uma delas. Os descobridores deram de cara com os nativos morando em palafitas. Depois de terem bebido todas na viagem, resolveram fazer uma piadinha com os moradores do lugar, batizando-o de “Venezuela”, ou “A pequena Veneza”- uma brincadeirinha sarcástica para comparar as palafitas com o luxo da cidade de Veneza, construída sobre a água. A coisa pegou e hoje cá estamos nós, falando da pequena Veneza.

O trânsito é uma loucura, assim como em todos os países latinos que visitei. Incluo o Brasil nessa lista. O que deixa tudo mais caótico é que a gasolina é de graça. Sim. Para completar o tanque de um caminhonetão, é preciso desembolsar em torno de 3 bolívares, que equivalem a 11 centavos de real. Alguma coisa boa para o povo nosso defunto Chavito tinha que fazer, né?

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Ao chegar no aeroporto, deixamos o Símon nos guiar. Aproveitamos a aparência e o sotaque Venezuelano dele para trocar dinheiro, negociar as passagens do teco-teco para Los Roques, descobrir quais táxis eram seguros e entrar em contato com o hotel. Um anjo.

Caracas, como toda capital sul americana, tem um contraste sócio econômico bem visível. A parte rica é linda, super charmosa. Amei Caracas. Me lembrou aquelas ruas residenciais de Buenos Aires bem arborizadas, de calçadas largas e prédios antigos luxuosos. Ao final do dia, paramos em um café bem legal para conversar, depois de Símon nos mostrar o lado mais legal da cidade, como o teleférico e alguns restaurantes. Sorte na vida.

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Lucas:

Desde que comecei a surfar, por volta dos 11 anos de idade, todas as viagens que fiz tiveram o surf como objetivo central. Bem, na verdade, desde que comecei a surfar toda a minha vida tem como estímulo principal encontrar um lugar, momento ou oportunidade de surfar. Parece um pouco banal para quem não surfa, mas essa é a “loucura” do surf, ele influencia em uma extensão tão grande a sua vida que acaba por definir a sua personalidade, elencar as suas prioridades e selecionar as pessoas com quem você se relaciona. Resumindo isso tudo em uma frase do autor Allan Weinsbecker – quando perguntado por um amigo se deveria dedicar-se a aprender a surfar – “be careful, it (o surf) can change EVERYTHING”.

Pois bem, me deparando com o auge da minha performance surfística após uma passagem de 20 dias pela Califórnia, em Janeiro de 2013, não conseguia parar de maquinar qual seria minha próxima viagem e o que iria encontrar nela. Após esta breve introdução sobre minhas aspirações de vida, creio ser possível imaginar a minha cara de paisagem quando a Gabi, minha namorada não-surfista-mas-super-incentivadora-e-companheira, disse que havia escolhido como destino de nossa viagem anual o arquipélago de Los Roques, na Venezuela. Admito não ser um aluno nota 10 em geografia, mas meus conhecimentos eram suficientes para concluir que a) Venezuela não é um país mundialmente conhecido por suas ondas e b) nunca ter ouvido falar de Los Roques em alguma revista ou bate papo de surfistas indicava a falta de vocação para o surf no local. Foi uma notícia difícil.

 

Artigos:

Parte 2: surfari-tv.com/namorada-de-surfista-los-roques-ii

Parte 3: surfari-tv.com/namorada-de-surfista-los-roques-iii

Parte 4: surfari-tv.com/namorada-de-surfista-los-roques-iv

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