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Namorada de Surfista – Los Roques IV

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Namorada de Surfista – Los Roques narra a viagem do casal Gabriela Moreira e Lucas Zuch para o Caribe Venezuelano, um paraíso de águas azuis e calmas. De fato, as praias do arquipélago escolhido por Gabriela têm um mar tão calmo, que quase enlouqueceu o fissurado Lucas ao saber que embarcariam para suas primeiras férias sem ondas, surf e todo o “pacote” que uma autêntica surftrip proporciona. Em uma série de 4 episódios, Gabriela e Lucas relatam o roteiro da viagem, a pesquisa do destino e como fizeram para encontrar o equilíbrio turístico e a satisfação dos interesses de ambos.

O roteiro completo com dicas, cotações, preços e tudo mais você pode acessar nesse link: Roteiro viagem para Los Roques, Venezuela.

Gabriela:

Mas e o meu namorado surfista e seu zero entusiasmo? O contato mais próximo que ele teve com uma tabla nessas férias foi no dia em que ficou frente a frente com uma prancha de stand up. Mesmo assim, passou dia após dia, com um sorriso de orelha a orelha. Dançou com a vassoura no aniversário da Sol. Fez amizade com todos os roqueños da ilha. Criou uma página da pousada no Facebook, para divulgar a Casa de Sol. Se deliciou nos jantares servidos pelo José. Gritou na torcida pela Sol no dia em que a ilha parou para ver uma competição gastronômica entre as pousadas, na praça. Segurou lagosta de 3kgs. Viu baiacu inflando. Nadou com arraias, tartarugas, estrelas do mar, tubarão e ostras. Conheceu vários peixes diferentes que o Chichi nos mostrava a noite em um livro da pousada e no outro dia in vivo no mar. E acabou resumindo a viagem da seguinte maneira: “esto és vivir, lo resto és existir”.

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Foi uma viagem cheia de sorte, do início ao fim.  Los Roques não cansa de surpreender. Nossos 10 dias passaram voando. No último passeio, o barco nem tinha parado no porto e a choradeira já começou. Foi estilo paredão do Big Brother, um escândalo. Primeiro na despedida do Chichi, que foi o responsável por basicamente 50% da alegria dos nossos passeios, nos mostrando o melhor que Los Roques tem a oferecer. E depois com o José e a Sol, que nos deram casa, ótima comida, roupa lavada, muitos sorrisos no rosto e arepas na barriga. O voo de volta para Caracas foi tão lindo quando o anterior, mas muito menos feliz. Rimos ao lembrar do slogan do Chichi pra cia aérea do teco-teco: “Chapiair, el plazer de volar con miedo”. De volta para Caracas.

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Mendigando no chão do aeroporto, paramos para refletir e conceber como verdade tudo de bom que essa viagem nos trouxe. A disponibilidade e a educação do povo venezuelano, que se esforça o tempo todo para que  o nosso tempo seja bem aproveitado. O carinho e o cuidado da Sol, o capricho da comidinha do José. A doçura do Ale todos os dias pela manhã carregando nosso cooler pra praia com um sorrisão no rosto. Os casais de amigos brasileiros com quem demos risadas infinitas. A inteligência, a sabedoria e a pureza do Chichi, que nunca conteve esforços pra nos mostrar o melhor de Los Roques. O tempo e a energia que o Símon e sua família reservaram para dois completos desconhecidos.

Obrigada Venezuela por ensinar tanto em tão pouco tempo.

O nosso “deseo” é que a Venezuela mantenha esse povo tão pobre, sempre tão rico.

–       Que és “deseo”, Chichi?

–       Deseo és quando se mira una estrela fugaz e se hace un deseo.

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Lucas:

Mais para o fim da viagem, certo dia vi dois jovens portando pranchas e indo em direção aos barcos. Senti uma leve descarga de adrenalina chegando aos meus receptores cerebrais, ponderei se devia ir perguntar onde eles iam surfar e o que esperavam encontrar. Olhei para o lado e vi a Gabi pesquisando sobre o roteiro de atividades do dia. Pensei um pouco sobre o trade off que teria que fazer entre um dia inteiro de lazer, descontração e expectativas correspondidas ou ter que me desgastar para convencer a Gabi a me acompanhar em uma sessão que provavelmente não apresentaria nada melhor do que um meio metrinho maral. Não vou entrar naquele papo interminável sobre o surf ser uma busca solitária e egoísta, apenas a minha conclusão foi, que naquele momento, não seria uma sessão que me traria mais felicidade.

Já li muita coisa sobre o que caracteriza um surfista de verdade e alguém que surfa, sobre as escolhas que definem a vida de um surfista e sobre um milhão de coisas que transformam uma pessoa comum em um surfista. É engraçado como esses tópicos são capazes de dizer muita coisa sobre quem somos para os outros, mas ao mesmo tempo podem não significar nada concreto para nós mesmos. Naquele momento, não me senti mais, nem menos surfista por ter feito uma viagem para um lugar sem ondas e, em última instância, ter virado as costas para uma possível session. Me senti satisfeito por ter encontrado felicidade em uma coisa diferente. Uma espécie de leveza por não estar aprisionado a uma coisa que me completa tanto, mas que não seria a melhor escolha naquele momento. Obrigado Gabi, por ter nos levado até Los Roques…

Mas ano que vem, é ano par!

 

Artigos:
Parte 1: surfari-tv.com/namorada-de-surfista-los-roques

Parte 2: surfari-tv.com/namorada-de-surfista-los-roques-ii

Parte 3: surfari-tv.com/namorada-de-surfista-los-roques-iii

 

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