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Namorada de Surfista – Los Roques II

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Namorada de Surfista – Los Roques narra a viagem do casal Gabriela Moreira e Lucas Zuch para o Caribe Venezuelano, um paraíso de águas azuis e calmas. De fato, as praias do arquipélago escolhido por Gabriela têm um mar tão calmo, que quase enlouqueceu o fissurado Lucas ao saber que embarcariam para suas primeiras férias sem ondas, surf e todo o “pacote” que uma autêntica surftrip proporciona. Em uma série de 4 episódios, Gabriela e Lucas relatam o roteiro da viagem, a pesquisa do destino e como fizeram para encontrar o equilíbrio turístico e a satisfação dos interesses de ambos.

O roteiro completo com dicas, cotações, preços e tudo mais você pode acessar nesse link: Roteiro viagem para Los Roques, Venezuela.

Gabriela:

Rumo a Los Roques, já sabíamos que o nosso aviãozinho era bem “inho”, mas ao vivo ele parecia um bonsai com asas. Oito passageiros, piloto e co-piloto. Capacidade máxima. Despressurização completamente inexistente, voamos de janela aberta para ventilar. Quarenta minutos depois de decolar, nossos olhos conheceram o paraíso.

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Nenhuma foto faz jus a real beleza de Los Roques. De repente no meio do mar escuro surge um dégradé de azul e verde em meio às ilhotas. Fiquei hipnotizada. A pista de pouso é basicamente no mar, se o piloto errar meio segundo, já era. Gran Roque é a ilha principal. A gente vai caminhando pelo chão de areia, em meio as casinhas, que são simples mas muito bem cuidadas, cheias de flores coloridas na sacada e bem pintadinhas. Todas as pessoas te saúdam a todo o momento. Ao redor das casinhas coloridas e floridas, fica aquele mar de 50 tons de azul. Quem chega em Los Roques sabe que, algum dia, vai ter que voltar.

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Chegamos na pousada “Casa de Sol” às 11 horas da manhã. O dono, que é também administrador, gerente, faxineiro, cozinheiro e tesoureiro, estava na porta com uma cerveja geladita, se refrescando. Recebemos um boas vindas e de brinde, uma cervejinha também. A ilha é tudo de bom. Pequena, rústica e muito, muito charmosa. A economia é totalmente dependente do turismo. Quem não tem pousada, faz passeios, aluga máscaras e pé de pato ou faz mergulho. O José, dono da pousada, deixava a nossa cava pronta todas as manhãs. A cava é uma caixa térmica com o kit sobrevivência do dia na praia. Ele coloca tudo que se pode esperar: 2 litros de água, 6 latas de cerveja, 1 caixa de suco, Coca-Cola, ice tea, sanduíches, ruffles, um chocolatinho e dois potinhos com o almoço que todo dia é um surpresa.

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O José e a Sol nos acordavam de manhã quando o café já está na mesa. Omelete, arepa (comida típica, parece um bolinho de polenta cozida ou frita), geleias, sucos, café com leite. Falando em Sol e José, eles são sensacionais. A estrutura da pousada é super simples, apesar de ser um luxo perto de muito lugar que já ficamos. Mas eles fazem com que os hóspedes se sintam completamente em casa. Cada noite tem um banquete melhor do que o outro, o cara cozinha muito, não tem como se controlar. Delícia pura. Tudo isso incluso na nossa diária de 40 dólares por persona (preços variam de acordo com temporada, inflação e instabilidade política). Voltei para o Brasil más gorda que una tortugona. Ficávamos lá, olhando pro mar azul e esperando nos chamarem pro passeio do dia, que fora previamente escolhido com o José e combinado com a agência de turismo por ele. Os passeios variam de 130 a 400 bolívares – 3 a 9 dólares (Eu sou ryyyccaa!!!).

Depois da janta, já estávamos quase sempre virados em dois restos mortais de seres humanos, mas o clima da Venezuela propicia a criação de novas amizades a todo instante. Rapidamente montamos nosso grupo de amigos, que depois de nadar o dia inteiro naquela água maravilhosa, ainda tentava manter os pés no chão e os olhos abertos para tomar um Mojito no barzinho da beira da praia.

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Conversando com um casal venezuelano, descobrimos que a nossa alegria é a tristeza deles. Os venezuelanos tem acesso limitado ao dólar. O jeito é comprar dos turistas no mercado negro. Isso faz o nosso dólar valer 8x mais do que se fosse trocado no câmbio oficial. E nos deixa muito, muito ricos. O custo-benefício dessa viagem é o nosso recorde mundial. Com mil dólares trocados no cambio paralelo temos em torno de 46 mil bolívares. O salário mínimo deles é 4 mil bolívares. Tudo ótimo até aqui, amigos brasileiros. Afinal, a anta gorda do Chávez fez com que Los Roques se tornasse uma pechincha para os turistas e um passeio inatingível para 90% dos venezuelanos, que não tem acesso ao seu próprio paraíso. Viva o socialismo.

Basicamente, a rotina em Los Roques se resume a passar um dia em cada ilha. Os barqueiros deixam os turistas na praia, com guarda sol, cadeira e cava. A gente só precisa sentar. Queria ficar em Los Roques até o ano de 2050.

Lucas:

Ao mesmo tempo que tenho muitos amigos surfistas, também sou rodeado por família e grandes amigos não-surfistas, por isso, consigo entender que explicar a magia do surf e sua importância na vida das pessoas muitas vezes é um exercício infrutífero. Mais ou menos como explicar cores a um cego, sabe? Bom, cortando o bla bla bla, dessa vez as duas coisas que eu mais gosto de fazer (surfar e viajar) não iriam formar um par. Foi um tanto angustiante pensar nisso, e ainda mais ver a completa euforia com que a Gabi planejava cada passo da nossa viagem, sem poder compartilhar genuinamente daquele entusiasmo. Quanto mais nos aproximávamos da partida, mais alegre ela ficava e mais insípido eu me sentia.

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Sabia que iríamos para um lugar de beleza ímpar e água quente, que seria apenas relax, sem stress com pranchas, pagamento de taxa para companhia aérea, obrigação de acordar cedo, ter que caçar swell etc, mas no fim eu me pegava pensando que era uma viagem… de férias. Férias. Apenas. Isso soava para mim como uma viagem preguiçosa, em que eu teria que apenas manter ativos meus instintos de sobrevivência, o resto se desenrolaria automaticamente. Essa era a situação em que eu me encontrava até pisar em Los Roques.

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Abençoados são os seres humanos por dotarem de imensa adaptabilidade. Não tendo mais como contornar a situação, quando entrei no avião decidi encarar aquilo como uma nova experiência e algo que faria me dar ainda mais valor ao surf. Afinal de contas, a vida é algo que acontece entre uma sessão e outra, por isso adicionar elementos interessantes e exóticos a essa construção é indispensável na formação de uma pessoa completa. Muito bonito em teoria, mas resolvi tentar aplicar isso e esquecer que no fundo do meu inconsciente estava o sonho de simplesmente esbarrar em uma onda que ninguém nunca havia encontrado em pleno Caribe Venezuelano. Em outras palavras, resolvi “abraçar o diabo”. Por incrível que pareça, foi bem mais fácil do que eu pensava.

 

 

Artigos:
Parte 1: surfari-tv.com/namorada-de-surfista-los-roques

Parte 3: surfari-tv.com/namorada-de-surfista-los-roques-iii

Parte 4: surfari-tv.com/namorada-de-surfista-los-roques-iv

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