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Morgan Maassen: a busca pela sensibilidade

O processo criativo de um artista é um trabalho realizado com amor, no qual, esse momento é o instante em que a obra de arte passa a ganhar vida na mente e nas mãos daquele que é o criador. Um percurso árduo e que muitas vezes é capaz de promover um desencanto profundo na alma daquele que tenta extrair aquilo que está incrustado nas reentrâncias da sua compreensão.

Morgan Maassen, fotógrafo de surf californiano é um desses artistas que vivem a todo instante imersos no trabalho feito com amor, responsável pela vida concebida. Suas fotografias, principalmente as desenvolvidas em preto e branco, retratam fielmente a busca pelo sensível. Uma delicadeza encontrada no surf, no contato com o oceano e com a imensidão que ele representa.

Em entrevista ao Lente Salina – O mundo dos fotógrafos de Surf – Morgan Maassen relata um pouco da suas experiências nessa profissão, sua história como pessoa e sua concepção de mundo.

Morgan, conte-nos um pouco sobre você. Quem é a pessoa por trás da profissão de fotógrafo? Sua origem, história de vida.

Motion Reel from Morgan Maassen on Vimeo.

Meu nome é Morgan Maassen, tenho 23 anos e sou fotógrafo de Santa Bárbara, Califórnia. Viajar é uma das coisas que mais me preenchem como ser humano e hoje estou buscando desenvolver a minha arte através da fotografia e dos filmes.

Como e quando se iniciou sua história com o surf?

Eu me apaixonei pelo surf aos sete anos de idade. Meu pai me apresentou esse esporte e a partir dali eu sempre busquei estar próximo ao mar e deslizando pela ondulações com diferentes tipos de pranchas: longboards, prachinhas… Além disso, busco sempre praticar bodysurfing.

O que essa profissão pode lhe trazer em termos de conhecimento sobre culturas?

Com certeza eu aprendi muito sobre a riqueza cultural do mundo através da fotografia. Algo que você, por exemplo, não pode aprender durante os seus anos escolares. Conhecer pessoas, lugares e hábitos é algo que a profissão lhe proporciona. Eu aprendi mais em uma semana de fotografia do que todo tempo que passei na frente de um “quadro negro” (risos).

Em sua visão, quais as dificuldades em ser um fotógrafo de surf?

Como é uma profissão que depende da natureza, ela se torna muito complicada. Lidar com situações de fortes ventos, chuvas e outros fenômenos climáticos sempre nos coloca em situações difíceis. Além disso, por mais belo que sejam os lugares, viajar para cantos remotos é algo muito cansativo e o excesso de viagem lhe cansa. Enfrentar mares turbulentos é um fator de stress inerente a profissão.

Conte-nos sobre a fotografia vencedora do concurso da Red Bull Illume.

Esse concurso é realizado a cada três anos e tudo teve início em 2007. Esse ano (2013), a premiação foi em Hong Kong, e para mim realmente foi algo muito bacana participar, pois vi trabalhos fantásticos e fotógrafos do mundo todo com talento de sobra. A minha fotografia premiada foi um momento de sorte. Estava na água em Tavarua, Fiji, e enquanto alguns surfistas esperavam ondas, surgiu uma iluminação incrível na água. A transparência do local lhe proporciona uma visibilidade muito boa. Realmente eu tive muita sorte nessa fotografia… foi um momento muito especial.

O que você diria para um brasileiro que deseja seguir a carreira de fotógrafo profissional?

Seja você brasileiro ou não, para seguir o caminho de fotógrafo de surf é preciso trabalhar de maneira muito forte, o máximo possível. Fotografar todos os dias, conhecer muitos surfistas e pessoas ligadas à indústria do surf. Sempre busque fazer o seu melhor a cada dia de trabalho.

Qual a sua visão sobre os fotógrafos brasileiros e o Brasil?

O Brasil é um dos lugares mais bonitos que pude conhecer, com uma riqueza de cores realmente incríveis. Tenho um sentimento muito positivo sobre o país. Em relação aos fotógrafos brasileiros, eu não os conheço muito, mas já tive problemas com alguns durante as minhas viagens. Houve falta de respeito e outras coisas chatas, mas não gosto de generalizar. Porém, acredito que quando você está em um lugar que não é o seu, você deve ter respeito pelo espaço das outras pessoas.

Para conhecer melhor o trabalho do fotógrafo acesse – Site.

Texto de abertura e entrevista por Myron Paterson.

 

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