Surfari | Mimpi Film Fest: Visão onírica sobre um sonho compartilhado Mimpi Film Fest: Visão onírica sobre um sonho compartilhado | Surfari

Mimpi Film Fest: Visão onírica sobre um sonho compartilhado

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Tudo começou em 2012. Tudo, mas o que é o tudo quando não há nada? E como esse tudo pode ser formado tão rápido?

Captura de Tela 2014-09-16 às 17.21.34

Na realidade, já havia algo. Células, microrganismos, clusters. Reuniões de pessoas e iniciativas que sustentam desde sempre um esporte/estilo de vida – defina como quiser. Então, houve a formação desse tudo. Um festival que proporcionou a união de todos. Ou a união de todos que se manifestou em um festival – defina como quiser. MIMPI Film Fest.

Um festival de filmes de surf e skate. Há quem pense nesse momento, ‘tá chamando isso de ‘tudo’, esse cara deve ter se drogado antes de escrever o texto’. Ledo engano. Vou tentar explicar o quão importante esse festival é pra sua vida. Mesmo que nunca tenha ido à praia, mesmo que nunca tenha pisado num skate, mesmo que nunca tenha assistido a um vídeo.

%name %title

Falávamos sobre organismos isolados. Sim, eles sempre fizeram parte do surf e do skate. São grupos compostos por indivíduos com interesses comuns dentro de determinado nicho. Fotografia, manobras, arte, viagens, galera que faz a trip e não surfa. Em suma, reunião de pessoas. Essas redes, geralmente, tem pouca ou nenhuma ligação com outros organismos fora de sua área de interesse. Os motivos pra isso variam desde a distância geográfica, a classe social, os valores, até o olhar torto na balada.

%name %title

Reduzindo novamente o pensamento à menor escala das causas, essa falta de conexão provavelmente vem do nosso ingênuo imaginar de que as coisas pelas quais nos interessamos, são mais interessantes do que as demais. No final do texto passo a referência* de um pensador que nos coloca em nosso lugar, em termos de observar quão pequeno somos.

Adiante. A humanidade historicamente evoluiu quando houve a conexão de mais indivíduos com características complementares. A moça que colhia as frutas, com o carpinteiro que construía a armazenagem, com o senhor que dominava a pecuária e assim por diante. Referências, tolerância, insights. Essas coisas não acontecem por acaso. Elas precisam ser estimuladas. Não existe inovação sem um ambiente feroz e dinâmico.

Estava tentando manter o suspense, mas como estamos na era da informação (e quanto mais veloz, melhor) vou cortar o engodo literário e entregar o que prometi. Afinal, o festival é a reunião dos organismos. Onde se criam as fagulhas da conexão. Um festival é o espaço que consegue reunir a pessoa que gosta de pagode e a que gosta de rock. A que gosta de comida vegetariana e a que dá um dedo por uma fatia de bacon.

No surf e no skate, o princípio é o mesmo. No caso do MIMPI, o esquema reúne o soul-searching-veggie-monoquilha e o punk-rock-aerial-mother-fucker, colocando todos pra tomar uma cerveja e conversar. Se eles não querem conversar, bom, pelo menos eles estão no mesmo ambiente, e se toleram. Esportes que são mais do que apenas esportes, como é o caso do surf e do skate, precisam disso para sair da bolha das referências únicas e auto afirmadas como as melhores. As diferentes vertentes precisam colidir.

6

Aqui na firma, a gente costuma dizer que o surf é uma metáfora da vida, e nesse sentido o festival seria o momento do encontro, o local onde diferentes nações fazem um intercâmbio e saem de lá melhores, com mais fé, mais confiança, mais contatos, mais criatividade, mais espaço, mais mercado, mais oportunidades. Tudo é soma em um festival, nada é subtração. E formando pessoas mais completas, enriquecemos essa convenção que chamamos de mundo, reflexo que vai impactar na vida de todos nós, em maior ou menor escala.

E assim, novamente, o surf (leia-se junto o skate) dá a volta no sistema e mostra que o mundo seria um lugar melhor se todos pegassem onda. Valeu MIMPI (idealizadores, organizadores, participantes, patrocinadores, espectadores, observadores e demais envolvidos), por existir e promover a catarse da evolução. Alguém que tinha que fazer isso.

*Referência de um cara que sabe relativizar nossa real importância: Mario Sergio Cortella – Você Sabe com Quem Está Falando?

Texto por Lucas Zuch.

Instagram