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Sonhos despidos: Lemurian Expedition – I

Sonho? Sim. Esta é a palavra que define a Lemurian Expedition – I.

Embora, a palavra sonho seja usual, poucos saberão o seu verdadeiro sentido e significado. É fácil encontrar por aí pessoas dizendo: “vou realizar meus sonhos”. Porém, não é muito comum encontrar aqueles que um dia viveram, passaram e podem nos contar um sonho realizado. A verdade é que num mundo de atividades frenéticas, nossos supostos sonhos acabam se misturando com as necessidades de sobrevivência, o status social e a conquista de bens materiais. Pare rapidamente para uma reflexão e veja se “os seus sonhos” estão associados ao tripé: necessidade, status e bens materiais. Talvez, se eles não estiverem, você possa compreender o significado e o sentido da palavra sonho.

Ao me aventurar na definição de uma palavra tão utilizada,  parto para o risco de peito aberto, mas prossigo na certeza daquilo em que acredito. Acreditar é um verbo que se constitui por meio de crenças e eu creio que a Lemurian Expedition – I é um sonho despido do nosso tripé social, aquele que muitas vezes amargam as nossas vidas e limitam as nossas mentes em traços retilíneos e curtos.

Essa expedição é traçada em caminhos. Caminhos que tornarão dois amigos em aventureiros de outrora. Márcio Torres e Hamilton Souza, os expedicionários do Lemurian Expedition – I, sairão da eterna Bahia ao Rio de Janeiro, em dois caiaques oceânicos que carregarão a alma do Deus Tiki e a evolução espiritual dos Lemurianos. O conhecimento de nossos traços culturais, preenchidos pelas nossas ancestralidades e responsáveis por criarem a nossa identidade como povo, é o caminho pelo qual eles irão navegar.

Os oceanos eram vistos pelos povos antigos como grandes estradas que ligavam mundos diversos nas suas belezas naturais e culturais sendo ao mesmo tempo singulares e semelhantes. A imensidão azul nunca foi um obstáculo, mas sim um elo de ligação. A cada remada, M. Torres e Hamilton Souza, irão vivenciar as estradas salgadas que ligam dois dos estados brasileiros com maior carga cultural e de acontecimentos históricos que formaram o povo brasileiro.

As transgressões e regressões marinhas deixaram traços geológicos que mostram caminhos percorridos pelos antigos mares. Torres, em sua busca pelo conhecimento de povos e culturas antigas, na fotografia seguinte, pisa em uma terra que um dia foi submersa, e talvez navegada por aqueles que ele busca compreender mais profundamente, a Chapada Diamantina. Ao lado oposto, nessa mesma foto, Hamilton contempla um horizonte diferente com um olhar firme de um navegador que coordena o leme através do seu timão e sente as correntes marinhas e os ventos oceânicos em sua face. Esta, a Chapada Diamantina, é uma terra antiga. Tão antiga quanto os oceanos e mares que Torres e Hamilton irão deslizar entre os 1.800 km de extensão que separam a Bahia do Rio de Janeiro. Apontando as proas de seus caiaques oceânicos em direções preenchidas por culturas ao longo do espaço e do tempo… guiados pelos seus sonhos despidos de traços curtos e retilíneos.

Texto Myron Paterson.

Fotos de Erick Tedy e Valcélio Corr.

Para conhecer mais sobre a Lemurian Expedition – I acessem: Funpage e Site Oficial.

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