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Kaléu Wildner

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Uma coisa que  anima a redação do Surfari é procurar vídeos, fotos e referências de lugares exóticos, olhares elaborados e coisas diferentes do que encontramos quando saímos às ruas de nossa cidade. Essa dose de paisagens ou culturas incomuns geralmente chega, através da internet, embalada em língua estrangeira e produzida por uma equipe grande em contato com uma marca maior ainda. Quando nossos sentidos são estimulados por algo que encanta e que não foi feito por alguém que não fala português, isso não apenas nos alegra, mas nos orgulha imensamente. Foi assim, com doses de surpresa e admiração, que acompanhamos o trabalho do brasileiro, e gaúcho por coincidência, Kaléu Wildner em suas mais recentes peripécias artísticas pela Indonésia e ilhas Maldivas.

Acompanhando alguns freesurfers como Elohe Ali, João Paulo (JP) Azevedo e Jean da Silva, Kaléu, 26 anos, equipou a mochila com câmeras, algumas lentes, uns pares de bermudas e muita disposição, pegou a estrada e produziu e registrou tudo que podia em três meses de jornada pelo oceano Índico. Kaléu, que nasceu e cresceu em Porto Alegre (RS), formou-se em design gráfico e desenvolvimento em web, investe seu tempo e energia atualmente se desdobrando em múltiplas funções to make ends meet – como diriam os Beatles – e para seguir na busca dos sonhos e objetivos. Ao que parece, para Kaléu, sonhos e objetivos estão cada vez mais relacionados. Confira o que conta o filmmaker sobre a sua trajetória.

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– O que fazia antes das filmagens; como você começou a se interessar pela captação de imagens?

Eu trabalhava com design na parte de criação, sempre tive um olhar diferenciado para fotografia. Me chamava muito a atenção o modo de poder mostrar aquilo que você está vendo para outras pessoas de uma maneira diferente. Minha primeira experiência [com captação de imagens] foi numa surftrip para o Peru, com grandes amigos e, também, os surfistas profissionais Alan Saulo e Bruno Moraes. Eu já gostava de fazer algumas edições com as minhas próprias imagens de surf e eles me convidaram para tomar conta da câmera e produzir os vídeos dessa viagem. A partir daí não parei mais, comecei a tomar gosto por ficar ali na praia, filmando tudo que envolve todo esse hábito do surf…

D. Point from Kaléu Wildner on Vimeo.

– Você teve algum treinamento formal ou a coisa começou no faça você mesmo e foi evoluindo? Fale um pouco desse caminho…

Quando voltei dessa viagem, decidi que iria começar a trabalhar com filmagens. Tínhamos um arsenal de imagens captadas e queríamos lançar um filme para divulgar o trabalho do Alan e do Bruno. Fomos para o Peru, Equador e Chile arrecadar mídia para os seus patrocinadores, e foi então que eu e o Kako Lopes – que tinha os equipamentos na época – iniciamos o trabalho como uma produtora de filmes, assim nasceu a Jacked Movies. Trabalhamos em diversas áreas como moda, comerciais, esportes e o surf. Nesse meio tempo comecei a ir atrás de fontes para me especializar nas edições e filmagens, participei de cursos e oficinas que me ensinaram bastante, conversei com pessoas que já trabalhavam nessa área que me ensinaram muitas coisas, com certeza. Assim, fui aprendendo cada dia mais, estou sempre vendo filmes novos, músicas e imagens que são a minha fonte de inspiração para esse trabalho. As ferramentas que foram usadas nas primeiras filmagens não eram tão boas se comparado ao que tenho usando hoje em dia, e com o know-how adquirido posso considerar que agora as coisas já estão profissionais.

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– Com o campo de jogo nivelado para produtores novatos e experientes como você tenta diferenciar o seu trabalho do resto?

Hoje em dia com a acessibilidade que muitas pessoas tem para comprar um equipamento de qualidade e captar boas imagens, creio que o diferencial esteja no perfil, na criatividade e na experiência de cada um que está nesse meio. Com certeza o equipamento também faz uma grande diferença, mas você ainda pode fazer um bom trabalho com muita criatividade e dedicação.

Bali Bagus from Kaléu Wildner on Vimeo.

– Quais são as maiores dificuldades para se obter bons resultados (quais os perrengues que você passa que as pessoas que assistem o vídeo não percebem)? 

Nossaaa!! São diários! Quando você está filmando surf, todo mundo acha que é a maior barbada ficar na praia, mas não é assim toda essa maravilha. Você fica no mínimo de 2 a 4 horas por sessão, de pé, em baixo de um sol forte e ainda não pode se desconcentrar, pois se perder a melhor onda do atleta que você está filmando ele vai ficar maluco!! Você não pode tremer a imagem também, pois aquele aéreo gigante que o surfista acertou tremido não serve para nada. Além disso, é necessário cuidado e responsabilidade com os equipamentos, excesso de bagagem, e por aí vai… mas tudo isso compensa quando você chega em um lugar legal. E se o mar estiver perfeito também não tem problema!

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– Conte um pouco sobre como foram as suas viagens mais recentes e os projetos executados…

A oportunidade surgiu graças a um atleta chamado Elohe Ali Alvarez, de Florianópolis (SC). No fim do ano passado (2011) ele me convidou para viajar com ele e ser o seu filmmaker em um projeto de retorno de mídia para os seus patrocinadores. Com o auxílio de seu manager esportivo, o Rodrigo Moreira da Rocha, eles escolheram as melhores locações para obter as imagens que precisávamos. Ficou decidido que iríamos para a Indonésia e para as Maldivas. Foi uma experiência maravilhosa, sempre tive o sonho de conhecer e de surfar na Indonésia, e sabia que seria uma grande oportunidade para colher altas imagens para o Elohe, e também para o filme dele que vamos lançar no fim do ano. O filme vai se chamar “Lonely Boy”, e é baseado na história de um garoto que viaja atrás das melhores ondas do planeta.

Terima Kasih from Kaléu Wildner on Vimeo.

– O que está nos seus planos para os próximos anos?

Até o final deste ano estarei trabalhando com o Elohe pelos lugares onde ele escolher, captando suas imagens e colhendo alguns materiais pra mim também. Quero lançar um filme próprio daqui a um ano, por isso estou guardando um material diferente e com outros ótimos surfistas também. Quando não estou viajando tenho feito alguns trabalhos paralelos, como comercias e outras produções. Tenho um website onde divulgo todos trabalhos que tenho feito, que é o Jacked Movies.

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Para as atualizações sobre o trabalho de Kaléu, você pode consultar:

Facebook Kaléu Wildner.

Vimeo Jacked Movies.

Introdução e entrevista por Lucas Zuch.

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