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As multifacetas do artista Íthaka

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

O surf moderno e a arte sempre estiveram ligados. É até difícil conseguir segregar o que é surf e o que é arte. Possivelmente, uma das primeiras aplicações artísticas do esporte apareceu no livro do americano Charles Warren Stoddard, Summer Cruising in the South Seas de 1874. Isto ocorreu quase um século depois do descobrimento do surf moderno por James Cook, em 1778. Durante esse período, nativos havaianos, praticamente nus, deslizavam em ondas e compunham pinturas que tinham a função de retratar a paisagem e os costumes da sociedade em que haviam desembarcado os “piratas” do Império Britânico.

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Havaianos surfando livremente, autor e data desconhecidos.

Apesar do fato de a confecção de uma prancha caracterizar um ofício, uma expressão de arte através do trabalho manual – o que legitimaria o surf como expressão artística desde a sua invenção – John Severson, surfista-artista-jornalista-cineasta californiano, é creditado como o inventor da surf art. Desde o início dos anos 1950, Severson pintava paisagens relacionadas ao surf em madeira e criava cartoons com a mesma inspiração. Após graduar-se em Artes Plásticas, Severson trabalhou como designer para diversas marcas, principalmente de surf, e criou a primeira publicação especializada do esporte, a revista Surfer.

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Seal Beach Locals, 1956, John Severson.

Entretanto, como dito no início, não é possível separar arte e surf. Já dizia o folheto de uma exposição de arte em Nova York, surf são “arcos pintados sem pincel numa tela em constante mudança”.

O americano de origem grega Íthaka Pappayannis tem esse credo. Surfista desde os 12 anos, quando viu gente passeando dentro de cilindros d’água em Honolua Bay, Íthaka estava sempre desenhando e pintando figuras e paisagens relacionadas ao esporte. Um dia, quando tinha 16 anos, encontrou uma prancha quebrada e resolveu soltar a criatividade. Além de pintá-la, usou um serrote para fazer algumas mudanças e criou uma escultura. A partir de então sua arte transferiu-se para essa nova tela.

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Íthaka e a série “The Reconstructions” feitas em 1994.

Íthaka iniciou em 1989 o projeto The Reincarnation of a Surfboard (Pranchas Reencarnadas) que permanece vivo e sem ponto final até hoje. Como se suas esculturas não fossem impressionantes o suficiente, o mundo em que viveu fez de Íthaka um dos indivíduos mais multimídia que ainda respiram. Crescido em Los Angeles, ele interagiu com pessoas de culturas e camadas sociais tão distintas que apenas uma grande metrópole pode proporcionar. Inspirado pela diversidade em que estava imerso Íthaka descobriu o mundo e foi adicionando novas camadas de cultura ao seu repertório, tendo vivido em países como Japão, Grécia, Portugal e Brasil, onde permanece até hoje.

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“Rainha Askawaya” – 2012.

Nesse tempo, o artista continuo a se destacar em outras vertentes de expressão. Enquanto vivia em Portugal, teve a série Fishdaddy Chronicles publicada em diversas revistas, continuou com as esculturas de pranchas, fez exposições de fotos em galerias, apresentou um programa nacional de rádio e gravou dois discos, sendo indicado a nove categorias no Grammy português. O trabalho como fotógrafo comercial já foi contratado por artistas musicais, agências de comunicação e empresas. Mas foi a musicalidade e o timbre que se destacaram tanto a ponto de serem relacionados a nomes como Everlast, Michael Franti e, até mesmo, ao falecido Tupac Shakur, além de compor a trilha de alguns filmes.

Esses feitos impressionantes não fazem de Íthaka um extraterrestre, sua filosofia de vida é resumida na seguinte declaração: “Não é todo meu trabalho que tem uma mensagem. O que tento dizer é para não se viver a vida da maneira como a mídia, sua família etc. julgam normais. Não existe normal. Viva à sua maneira. Experimente todas as possibilidades e seja o mais feliz possível. Não tenha medo de sentir dor. Ela também faz parte da jornada. Não tenha pressa para alcançar seus objetivos financeiros. Ande devagar, explore as ‘ruas pequenas’, cheire as flores e, principalmente, conheça a si mesmo”.

Numa breve licença poética, o Surfari permite-se apropriar da definição de Íthaka como nosso próprio ethos. Seja feliz. No matter what.

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Íthaka com “Chaves da Vida”. Foto: Paula Oudman.

Em breve apresentaremos mais conteúdo envolvendo o Íthaka. O contato foi estabelecido, apenas a ansiedade em apresentar esse ícone foi maior.

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Texto e pesquisa por Lucas Zuch.

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