Surfari | Independência dos elementos Independência dos elementos | Surfari

Independência dos elementos

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

onda artificial. Que surfista nunca imaginou contar com uma onda perfeita, no tamanho e formato certo para o seu surf, com acesso irrestrito independente da condição do vento, do tempo e da própria ondulação? Independente até mesmo do litoral, como os skatistas, que tem a parede de concreto, ali estática, à sua disposição a todo e qualquer momento. Infinita. Muitas vezes financiadas até pelo Estado, a diversão dos skatistas pode ser erguida até com o próprio trabalho. Ah, se fosse tão fácil assim. Como disse, nosso esporte não depende apenas da própria vontade e equipamento. Depende do alinhamento de diversos elementos da natureza alheios ao nosso controle. Mas e se existisse?!

%name %title

Ondas infinitas. Fotos: Paulo Corbetta; FNI/Liquid Times

Há algumas pessoas que já transpuseram a barreira da imaginação e vêm materializando esse desejo latente de um público cada vez maior. A Enciclopédia do Surf, de Matt Warshaw, conta que a primeira iniciativa para recriar o ambiente oceânico de forma controlada foi instalada no Japão ainda em 1966, numa estrutura batizada de Surf-a-Torium. Desde então, a ideia fascina engenheiros, surfistas e empresários. Muitas pessoas da indústria afirmam que seria o próximo passo para legitimar o surf como esporte, seja trazendo a cobertura televisiva, que aumentaria muito as receitas de patrocínio, ou até mesmo projetando a candidatura à modalidade olímpica. Na prática, algumas tentativas mostraram-se pouco animadoras. Em 1985, por exemplo, o australiano Tom Carroll sagrou-se vencedor no primeiro torneio profissional de surf realizado no continente, no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos (EUA). Os atletas da época definiram o campeonato, e as ondas, principalmente, como um desastre.

%name %title

Tom Carroll no campeonato realizado em piscina de ondas na Pensilvânia. Foto: Ray Hallgreen

No entanto, a tecnologia das piscinas de ondas tem mudado, e começa a trazer perspectivas mais animadoras. Entre 1993 e 2007 funcionou, também no Japão, o que os surfistas classificavam como a melhor onda artificial do planeta. A Ocean Dome, situada nas imediações do Phoenix Seagaia Resort, conseguia produzir ondas de até 4 pés e com formação excelente, incluindo tubos, raridade entre ondas feitas pelo homem. Além de oferecer uma excelente opção de entretenimento para surfistas e banhistas, as piscinas de ondas atingem um público que não pode, não tem tempo ou vontade, de viajar. Esta é uma oportunidade perfeita para Porto Alegre, que tem uma das maiores concentrações de surfistas do país.  Isto é o que afirma o Bacharel em Direito Thomaz Fochesatto, que junto com um grupo de amigos, têm tentado implementar um projeto deste tipo na cidade. Thomaz conta que o projeto é muito detalhado, e diversas são as barreiras, como a obtenção de um local adequado, estudo de preços e viabilidade econômica, além, é claro, da tecnologia. No entanto, o maior obstáculo segue sendo o alto investimento “pois trata-se de uma tecnologia nova, em um mercado bilionário (surf), onde sempre haverá um ‘pé atrás’ do investidor mais conservador” explica ele.

%name %title

A perfeição mecânica da extinta Ocean Dome. Foto: The Bar Miyazaki/Seagaia

Apesar das dificuldades, a ideia de contar com uma onda artificial parece agradar aos porto-alegrenses. Eduardo Tecchio e seus colegas do curso de Relações Internacionais, realizaram um estudo sobre outro tipo de tecnologia em ondas artificiais para ser implantado na capital gaúcha. O estudo visava convencer investidores à construir uma filial da Wave House, uma onda estática, projetada numa parede, o caso de maior sucesso comercial neste tipo de negócio. Inaugurada em 1991, no árido estado do Texas, nos EUA, a Wave House se tornou uma franquia de sucesso. O complexo que conta com uma estrutura de entretenimento abrigando a onda, lojas, bares, restaurantes e baladas espalhou-se por diversos lugares dos EUA e do mundo, como México, Chile, Alemanha, Noruega, Japão e Coréia do Sul. Novamente a ideia dos colegas de trazer para a cidade um espaço onde as pessoas possam interagir e marcas aliarem-se ao “estilo de vida californiano” – como a matriz sugere – esbarrou no fator monetário. Apesar de ser um dos modelos menos deficitários, a viabilização de projetos como este são mais cogitados para Rio de Janeiro e São Paulo, diz Tecchio.

%name %title

Tubo infinito. Foto: Wave Loch/Flowrider

De fato ainda há bastante campo para avanços tecnológicos, pois estes projetos demandam grande quantidade de recursos como energia e água, o que acaba por elevar consideravelmente os custos de operação. Existem também alguns críticos, que argumentam que a essência do surf, o contato com a natureza e a combinação perfeita dos elementos, estaria sendo perdida com este tipo de invenção. É um ponto de vista legítimo, com certeza insubstituível em sua concepção. Porém, o Surfari acredita que a nossa essência seria melhorada com a opção de pegar umas ondas depois de um dia de trabalho, estudos ou o que for, sem precisar esperar até o final de semana.

%name %title

O futuro? Foto: Wave Garden

Para saber mais sobre o assunto visite:

– Kelly Slater fala sobre sua piscina de ondas.

– Wave Loch / FlowRider.

– Wave Garden.

– Artigo sobre a corrida de patentes e tecnologias.

Entre em contato com os entrevistados:

– Eduardo Molinari Tecchio.

– Thomaz Fochesatto.

Assunto sugerido por Gabriel Pacheco Leão.

Por Lucas Zuch.

Instagram