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Hollowboards, a embarcação que virou prancha

Surfe na década de 1930 e as Hollowboards.

As Hollowboards são pranchas de surf ocas, feitas em madeira, com a mesma técnica de construção de cascos de barcos ou da asa de aviões. Pode parecer estranho, mas há quase 90 anos era a mais alta tecnologia em pranchas de surf. Como tudo o que é verdadeiramente bom, esta pranchas voltaram com novos desenhos e técnicas, contrapondo-se a evolução tecnológica das pranchas de surf atuais. Estas pranchas são mais pesadas e valorizam o surf de linhas clássicas, além do trabalho artesanal do shaper-marceneiro e a beleza natural da madeira.

Técnica de construção de uma Hollowboard. Craig Cater, AUS.

O surf com pranchas de madeira como as hollows é uma experiência diferente, mas muito boa. As pranchas de madeira não costumam ter a alta performance que encontramos em pranchas “de petróleo” (poliuretano ou derivados), mas são embarcações com muita dirigibilidade que dão uma sensação diferente, a madeira deslizando na água é igual faca na manteiga. O interessante é que cada madeira tem uma densidade e um comportamento, fazendo dessas pranchas uma peça exclusiva que, com os devidos cuidados, duram muito tempo. Como dizem os especialistas no assunto, a madeira é algo vivo e com manutenção correta pode durar séculos!

Os norte-americanos foram responsáveis por salvar o surf do esquecimento, no início do século XX, depois de uma rigorosa colonização dos ingleses e a catequização dos nativos havaianos, o esporte caiu em desuso no arquipélago. Devemos a eles a retomada do surf, mas com uma nova cara. De certa forma, o renascimento deste esporte veio com uma descaracterização do surf havaiano ancestral, transformando uma atividade de lazer e contemplação, em algo competitivo e de alta performance. Nos anos 30, o surf ainda era um esporte excêntrico,  mas ficava popular com a organização de clubes, campeonatos de remada a longa distancia, corridas e demonstrações públicas do surf nas ondas de Waikiki, Malibu e outras praias da Austrália e Europa.  As pranchas ainda eram as ancestrais Alaias, feitas de madeira maciça, chegando a pesar mais de 80kg, dependendo do tamanho e da madeira.

Foto clássica de Tom Blake e quiver da década de 1930. Alaias e Hollowboards.

Foto clássica de Tom Blake e quiver da década de 1930. Alaias e Hollowboards.

Nos anos 30, um jovem salva-vidas californiano e atleta olímpico de natação, Tom Blake, se interessou pelo esporte e passou a praticar o surf. Logo percebeu que a prancha de madeira maciça era muito pesada, mas, principalmente, não tinha flutuação suficiente, tornando-a mais difícil de manusear na água. Inspirado na estrutura da asa de um avião e técnicas simples de construção naval, criou uma craftwooden surfboardsisto é, uma espécie de casco de barco  de surfar. Mudou-se para o Havaí e se tornou uma das maiores personalidade do surf no século XX. Blake continuou seus experimentos, aperfeiçoando as pranchas, sendo considerado um dos pioneiros no uso de quilhas em suas hollowboards.

Encontro anual dos shapers de prancha de madeira na Austrália, 2013.

Na década de 1940, estas pranchas eram muito utilizadas, sendo adotadas como equipamento oficial do corpo de salva-vidas da Austrália. Mas o avanço tecnológico do século XX foi implacável, e as novas pranchas feitas com derivados de petróleo fizeram com que as hollows entrassem em extinção. Nos anos de 1990, enquanto o surf evoluía incessantemente, observou-se uma retomada do interesse por modelos antigos e formas alternativas de surfar, surgindo espontaneamente uma comunidade de shapers-marceneiros pulverizados pelo mundo.Para conhecer um pouco mais deste universo das pranchas ocas de madeira, existe um site australiano em que shapers do mundo todo postam seus trabalhos: woodensurfboards.blogspot.com.br

Maiores informações em Madeira & Água.

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